
Pelotas realizou, ao longo desta semana, ações voltadas à conscientização da prematuridade em alusão ao Novembro Roxo – reconhecido internacionalmente como o mês de voltado à causa com celebração no dia 17.
O primeiro encontro foi uma Audiência Pública especial proposta pelo vereador Cristiano Silva (UB) na Câmara Municipal. Realizado na segunda-feira (17), o evento reuniu especialistas, profissionais da saúde, mães de bebês prematuros, representantes de instituições e voluntários, com o objetivo de ampliar o debate sobre um cenário que ainda exige muita atenção. Segundo dados da organização Mundial da Saúde (OMS), um a cada dez bebês nasce prematuro no Brasil, e a prematuridade segue sendo a principal causa de mortalidade infantil até os cinco anos de idade.
Durante a audiência, mães compartilharam relatos emocionantes sobre internações prolongadas, incertezas e as rotinas dentro das unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais, e especialistas trouxeram dados e explicações técnicas, ressaltando a necessidade de investimentos em estrutura, equipes capacitadas e acompanhamento contínuo após a alta hospitalar.
Na quarta-feira (19), por sua vez, a Associação de Cuidado Integral à Prematuridade (ACIP) e a ONG Prematuridade.com, presentes na audiência, realizaram ações de acolhida no Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), com apoio de diversas voluntárias e de membros da Orquestra do Sesc Pelotas, que levaram música às UTIs neonatal e pediátrica, proporcionando um momento de afeto e sensibilidade para famílias que vivem longas rotinas de incerteza e esperança.
Segundo Maíra Lessa e Luthielle Antonaccio, mães de prematuros, integrantes da ACIP e voluntárias da ONG Prematuridade, as iniciativas realizadas ao longo da semana no município incluíram rodas de conversa, escuta emocional e atividades de cuidado para as mães, como corte de cabelo, manicure, massagem e depilação, todas realizadas de forma voluntária por profissionais parceiros. O objetivo, segundo elas, é oferecer um espaço para que essas mulheres, muitas vezes esgotadas e inteiramente centradas na luta pela vida dos filhos, possam se sentir acolhidas, vistas e fortalecidas.
“As mães dentro de uma UTI acabam nunca olhando para si. Elas correm e lutam o tempo inteiro pela vida dos seus bebês. Queremos que elas não se sintam sozinhas. Mães fortalecidas geram bebês mais fortes. Esse carinho e esse acolhimento ficam guardados dentro delas como um respiro de esperança”, afirmaram Maíra e Luthielle.
Reforçando que o Novembro Roxo é um marco, as instituições envolvidas nas ações defendem que o objetivo é ampliar as discussões sobre a prematuridade para que sigam durante todo o ano, gerando políticas públicas, apoio às famílias e fortalecimento das redes de cuidado.
Mostrando avanços na visibilidade e no acolhimento às famílias de prematuros, o trabalho conjunto entre ONGs, hospitais e voluntários tem sido essencial. “Ninguém faz nada sozinho. Queremos que as mães não se sintam sozinhas, e por isso precisamos agradecer a cada voluntária que doa seu tempo, sua profissão e seu cuidado”, pontuaram Maíra e Luthielle.
“A prematuridade não acaba na alta hospitalar, ela continua. Falar é mais do que importante, é essencial. Queremos abordar esse assunto o ano inteiro e proporcionar ações que tragam segurança, informação de qualidade e formação para as equipes que atendem esses bebês”, destacaram.
Para as voluntárias, retornar ao espaço onde viveram seus próprios desafios é sempre um momento intenso. “Eu demorei para conseguir voltar ao hospital, mas sentia a necessidade de estar aqui por outras mães. A rampa que eu subia antes parecia enorme e pesada, e hoje posso estender a mão para quem está passando pelo que eu passei”, compartilhou Maíra, mãe dos gêmeos prematuros Sofia, de 6 anos, e Enzo, a estrela que acompanha a família.
Humanização e cuidados contínuos
A médica neonatologista Márcia Anderson, responsável técnica pela UTI Neonatal do HUSFP, reforça que o trabalho com prematuros envolve desde o pré-natal de alto risco até o acompanhamento do desenvolvimento das crianças após a alta, muitas vezes por até cinco anos.
“A taxa de prematuridade no Brasil ainda é muito alta e impacta diretamente os índices de mortalidade. Além da abordagem técnica e tecnológica, é essencial olhar para o emocional dessas famílias, que enfrentam situações de grande angústia”, explica. Para a neonatologista, ações como a música dentro da UTI ajudam a criar momentos de sensibilidade e alívio em um ambiente marcado por tensão e incertezas.
Acompanhe
Para quem deseja acompanhar mais de perto as iniciativas, conhecer histórias inspiradoras e contribuir com a causa da ACIP, no perfil do Instagram @prematurosbr são compartilhados semanalmente relatos de famílias, informações sobre prematuridade e oportunidades de voluntariado. Aqueles que desejarem apoiar podem se tornar associados com uma contribuição simbólica ou oferecer serviços profissionais que auxiliem no desenvolvimento dos bebês após a alta.
As ações do Novembro Roxo seguem ao longo de todo o mês, incluindo debates, acolhimento às famílias e iniciativas de sensibilização promovidas por instituições, profissionais da saúde e organizações da sociedade civil.



