Biblioteca Rio-Grandense recebe R$ 2 milhões do Banrisul para restauração do prédio

Representantes do banco, da biblioteca e autoridades do município participaram da na cerimônia que oficializou a doação na tarde de quarta-feira (12). (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Por Eduardo Silva dos Santos

A Biblioteca Rio-Grandense recebeu oficialmente, na tarde de quarta-feira (12), a confirmação do repasse de R$ 2 milhões do Banrisul para restauração do prédio. O local já necessitava de reparos, mas a situação foi agravada após a enchente de 2024, quando o andar térreo foi atingido. Contudo, nenhum acervo foi danificado. Fundada em 1846, é a biblioteca mais antiga do estado, com 179 anos de história.

O montante será aplicado na recuperação do telhado, combate a infiltrações, estabilização da estrutura e melhorias na acessibilidade, com a instalação de um banheiro para pessoas com deficiência (PCDs).

O presidente da Biblioteca Rio-Grandense, Francisco das Neves Alves, que está há 25 anos no cargo, diz que o valor chega em um bom momento, já que o local passou por crise financeira que causou dificuldades para a manutenção estrutural. Ao longo dos últimos 15 anos, a biblioteca conseguiu quitar as dívidas, mas o alto valor provocou instabilidade nos cofres da instituição. “Desde então, estamos tentando fazer um ou outro investimento no prédio, que é muito grande e antigo, e que tem muitas necessidades e, claro, é sempre pequenas reformas, pequenas soluções, que precisam muitas vezes ser emergenciais. Agora, nós ganhamos um fôlego, algo esplendoroso para biblioteca. Não vai corrigir todos os nossos problemas, porque são muitos, mas dentre aqueles que eram estruturais que a gente olhava e não conseguia achar uma solução, graças a esse importante apoio do Banrisul, nós vamos conseguir trabalhar nessa direção”.

O valor repassado pelo banco faz parte do Programa de Incentivo à Recuperação de Bibliotecas Públicas pelo Estado. Além de Rio Grande, Porto Alegre e Pelotas já foram contempladas, totalizando R$ 10 milhões em investimentos entre as três unidades.

O presidente do Banrisul, Fernando Guerreiro Lemos, afirmou que um dos pilares da instituição é o compromisso com desenvolvimento do estado e sua cultura. “Aqui, as pessoas se emocionam em ver a qualidade e tamanho do acervo, a importância que isso tem para história e o futuro do Rio Grande do Sul”.

A diretora Real do Banrisul Cultural e ex-secretária estadual da Cultura, Beatriz Araújo, foi a responsável por liderar a implementação do Banrisul Cultural. Ela destacou a relevância do apoio do banco aos espaços culturais. “Estou muito feliz porque tenho certeza que esse é um passo muito importante para que outras empresas passem olhar com carinho esse patrimônio, que é de todos nós, é uma biblioteca que vem se mantendo através de iniciativas de cidadãos e cidadãs rio-grandinos especialmente”.

O diretor do acervo da Biblioteca, Ronaldo Gerundo, trabalha há oito anos no local e salientou a quantidade de material presente no prédio. “Costumo dizer que tem 460 mil [livros], mas eu repito isso há sete anos, portanto, aumentou. O importante que nós temos um site hoje, via site, é possível ter acesso ao nosso acervo. Ali, já estão disponibilizados 200 mil exemplares, e se continua trabalhando para colocar em dia, é uma obra enorme, mas nós não temos gente, não temos recursos”.

Além dos milhares de livros, a biblioteca também abriga grande quantidade de exemplares de jornais antigos, que remontam o século 19, como o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, desde a primeira até a última edição. Jornais locais, como Diário do Rio Grande, Eco do Sul e Jornal Agora, que deixou de circular recentemente, estão à disposição no local e são muito procurados para pesquisas.

A prefeita Darlene Pereira (PT) destacou a importância da doação para a biblioteca, garantindo que a cultura revela a identidade de um povo. “Quero de coração agradecer ao Banrisul por essa sensibilidade de investir na cultura de Rio Grande, na história da nossa cidade. Quando a gente olha um espaço como esse, a gente vê como nosso povo deu importância para história, para nossa cultura, isso demonstra um povo que é próximo a sua realidade que quer contribuir com o desenvolvimento”, disse a gestora.

A Biblioteca Rio-Grandense fica localizada no Centro Histórico de Rio Grande, na rua General Osório, nº 454. Fica aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, sem fechar ao meio-dia. Atualmente, possui 300 sócios que contribuem com uma mensalidade de R$ 20. Para se associar, basta trazer documento de identidade e um comprovante de residência.