Fracos e fortes

Subitamente sou surpreendida pelos meus pensamentos. Ou tenho uma visão radiográfica da vida ou é sina de escritor.  Talvez, seja uma coisa inerente à outra.

Aprendo algo novo a cada dia e vou colecionando informações como se tivesse um compartimento de memórias quase igual ao de um computador.

Pois foi em uma dessas divagações que me flagrei pensando sobre pessoas frágeis e pessoas fortes.

Pessoas frágeis são as que se retraem frente às barreiras e se acomodam ao que é previsto e permitido, cingindo sua capacidade a fronteiras estabelecidas pelo alheio. Pessoas fortes são as que transbordam diante de obstáculos e jorram por sobre tudo o que estiver impedindo seu livre curso, em um ir além de si mesmas, preenchendo lacunas.

As pessoas frágeis guardam, desconheço para quando, a chance de viver por inteiro.  Sempre com freios e algemas, vão encerrando sonhos em masmorras escuras e sem ventilação, supondo que controlam o tempo ou que podem esperar mais do que o concedido pelo instante que passa. Represam emoções com medo de deixá-las à solta. Tudo as assusta.

Esse é um dos motivos que faz crescer a minha admiração pelas pessoas fortes, que aproveitam a oferta de todos os minutos para realizar o que se apresenta, cara a cara, não hesitando em estender os braços para agarrar o presente. Permitem que as emoções transbordem com coragem de mergulhar nelas. Nada temem.

Amanhã é muito distante e minhas mãos só podem tocar nas margens do hoje, que se oferecem as minhas águas-emoção. O ontem já morreu e meu futuro é vago. Quero o palpável do aqui e do agora, portanto, derramo o que sou por sobre a colcha de retalhos das horas e encontro sempre mais uma alternativa para realizar o que me proponho, transbordando de carícias para com a manhã que nasce em meus olhos, mesmo que haja escuridão lá fora. O medo das dores não vai represar a minha ânsia de ir adiante.

E, depois, há o refluxo das torrentes, quando retorno às margens por onde passei apressada e descubro os recantos inundados pelo meu extravasar.

É o remanso. A calmaria que permite tocar na paisagem do outro. É a riqueza de ser cachoeira, voltando à fonte. É o prazer de ser livre. É a ventura de não poder ser estagnada, represada.

É a pacificação de ir em busca e de encontrar! É a recompensa por ter escolhido ser forte, malgrado a fraqueza de ser humana.