
O Ministério Público em Pelotas está investigando uma denúncia de possível descarte irregular de sangue humano por uma funerária do município. O caso veio à tona após o rompimento de um cano durante manutenção do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) no bairro Fragata, na tarde do dia 31 de outubro.
O fato chamou a atenção dos moradores depois que vídeos começaram a circular nas redes sociais mostrando o encanamento estourado e uma água vermelha escorrendo pela rua. A tonalidade do líquido levantou suspeitas de contaminação.
Informações preliminares apontavam para a hipótese de que o material fosse sangue humano, possivelmente relacionado à aspiração de resíduos provenientes de uma funerária próxima à rua Bernardo José de Souza, nos arredores do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula.
Moradores relataram apreensão sobre a origem e o destino da tubulação, questionando se ela estaria ligada à rede de esgoto ou ao sistema de abastecimento de água tratada. Segundo a Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA), o líquido vermelho registrado nas imagens estava sendo despejado na rede de esgoto sem qualquer interferência na água potável fornecida pelo Sanep para consumo.
A pasta afirmou que o sangue humano era proveniente de um serviço de embalsamamento realizado por uma funerária no entorno. O procedimento consiste na substituição do sangue da pessoa falecida por outro líquido com o objetivo de preservar o corpo por mais tempo.
O setor da funerária responsável pela prática foi interditado por suspeita de descarte irregular de sangue humano na segunda-feira (3) depois de diligências do MP, com apoio do Sanep, SQA e da Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar. O estabelecimento foi autuado e amostras dos efluentes foram enviadas para análise na Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Os órgãos não eliminam a possibilidade de o material ter causado contaminação do subsolo e outros danos ambientais. O nome do estabelecimento não foi divulgado pela pasta. De acordo com o promotor de Justiça Adriano Pereira Zibetti, responsável pelo caso, a situação de outras funerárias também serão fiscalizadas para garantir que todos os estabelecimentos tenham planos adequados para o gerenciamento e destinação dos resíduos.



