“Sempre tive necessidade de ser um escritor que vive suas histórias”, diz Pedro Rhuas na 51ª Feira do Livro de Pelotas

Estar em Pelotas é considerado por Rhuas muito significativo a partir da representatividade da comunidade LGBTQIA+ na cidade.  (Foto: Edu Rickes)

Na primeira edição do Conversa com o Escritor da 51ª Feira do Livro de Pelotas, uma parceria da Câmara Pelotense do Livro com o Sesc/RS, o potiguar Pedro Rhuas fez uma viagem através de sua biografia, processo criativo e, claro, detalhes de sua obra, que inclui os best-sellers “Enquanto eu não te encontro” e “O mar me levou à você”.  

Rhuas lembrou do primeiro contato com os livros ainda na infância incentivado por sua mãe, a dedicação à leitura e as resenhas literárias como forma de enfrentar a adolescência marcada pelo bullying homofóbico e, o surgimento de “Enquanto eu não te encontro”, já na época de faculdade de Jornalismo, quando experimentava novas vivências e começava a deixar a literatura em segundo plano.  

“O universo me deu muitos sinais de que a escrita era uma possibilidade real para mim”, afirma. 

O primeiro best-seller 

Como não poderia deixar de ser, “Enquanto eu não te encontro” dominou a conversa na maior parte do tempo. Para alegria do público, formado em sua maioria por jovens, Rhuas comentou sobre as personagens, curiosidades sobre o processo de elaboração do livro e do próximo spin-off a ser lançado ainda em dezembro deste ano. 

“É um dos primeiros, ou se não o primeiro best-seller jovem adulto, young adult, nordestino. Então é uma história que carrega uma força gigantesca de representação de comunidades historicamente invisibilizadas, numa história que rompe paradigmas de violência e de dor e que traz perspectivas felizes”, comenta. 

O simbolismo de Pelotas  

Estar em Pelotas é considerado por Rhuas muito significativo a partir da representatividade da comunidade LGBTQIA+ na cidade.  

“Pelo que eu compreendo, Pelotas tem uma importância bastante grande no Rio Grande do Sul, por ser um polo de acolhimento à comunidade LGBTQIA+. E é muito interessante a minha presença nesse evento, trazendo conversas sobre diversidade, sobre protagonismo LGBTQIA+ na literatura, para dialogar com essa comunidade que aqui existe e existe também. Muitos espaços marginalizam discussões ligadas à comunidade LGBTQIA+, achando que assim vai conseguir vencer bloqueios do conservadorismo ou atender interesses de classes sociais dominantes que não gostam e que lutam contra a própria comunidade LGBTQIA+. Mas, ao passo em que existimos, também queremos conversar sobre as nossas paixões, sobre arte, e isso é o que define a minha passagem aqui no evento”, diz.