
Com a realização do 27º Leilão Montana da Gruta, na noite de terça-feira (7), o montante das vendas de animais na 99ª Expofeira de Pelotas já ultrapassa R$ 1,4 milhão. Nesta quarta-feira (8), as atenções se voltam para o leilão da Cabanha Recalada, de Capão do Leão, que levará à pista 24 touros das raças Angus e Brangus e 14 fêmeas Angus.
O leilão será conduzido pelo leiloeiro Eduardo Knorr, da Knorr Leilões, que demonstra otimismo com os resultados. Segundo ele, a expectativa é de excelentes vendas, pela qualidade da oferta de touros e fêmeas das tradicionais raças da região.
Desempenho do Leilão Montana
O Leilão Montana da Gruta movimentou R$ 530 mil, com a comercialização de 21 touros, 29 fêmeas e dois cavalos. As médias fecharam em R$ 17.571,43 para os touros de dois anos e R$ 5 mil para as novilhas.
Antes do início das vendas, foram escolhidos os melhores touros da mostra. O grande campeão foi Abade da Gruta, tatuagem 2652 (lote 9), que também obteve o maior preço do remate, vendido por R$ 25 mil.
O melhor trio foi composto pelos touros Ashley da Gruta 2378, Apache da Gruta 2523 e Agar da Gruta 2756 (Box 3). A jurada foi a subsecretária do Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, Elizabeth Cirne-Lima.
Mercado pecuário em pauta
Nesta quarta-feira (8), a raça Angus entra em pista para o julgamento da 19ª Exposição de Rústicos Angus e Ultrablack, com a participação de 40 animais, entre machos e fêmeas das duas raças. A avaliação será feita pelo presidente do Conselho Técnico das raças Angus e Ultrablack, Felipe Cassol. A entrega de prêmios está prevista para 12h30, na sede do Núcleo Sudeste Angus e Ultrablack.
Na noite de terça-feira, o núcleo e criadores das duas raças receberam os analistas Alcides Torres e Pedro Gonçalves, da Scot Consultoria, de São Paulo, para o Workshop Carne Angus e Ultrablack, que abordou o tema “Certezas e incertezas em um cenário de volatilidade na pecuária de corte”.

Ciclo de alta e exportações em expansão
Torres destacou que o momento marca a transição de um ciclo de baixa para um de alta nos preços, com dois a três anos positivos pela frente.
“Se não houverem acidentes de percurso, sanitários, agora é o momento de aproveitar, de se capitalizar para os tempos ruins que virão daqui a dois ou três anos, porque sempre vêm”, ressalta.
Segundo ele, a pecuária do Rio Grande do Sul responde por 1,5% da exportação brasileira de carne, o que representa 10% da produção estadual.
“O gado gaúcho, especialmente o Angus, é muito demandado para cruzamentos industriais e melhoria da qualidade da carne”, afirma.
Torres lembrou ainda que o Brasil fechou setembro com exportação recorde, tendo a China como principal compradora, responsável por 60% das vendas externas.
“O Brasil tem conquistado mercados. Mesmo com o tarifaço do Trump, que abalou a pecuária de corte, não sentimos nada”, argumenta.
Ele explica que os efeitos foram sentidos em maior escala pelos frigoríficos de pequeno porte.
“Pensando em pecuária brasileira, o que se exporta para os Estados Unidos é apenas 2% da nossa produção, o que já foi redirecionado”, afirma.
Torres lamenta a perda do mercado americano, que pagava valores superiores aos da China, mas comemora a entrada de México e Indonésia como novos compradores.
“Com o volume que a China importa, é muito difícil substituir esse mercado atualmente”, ressalta.
Potencial brasileiro e desafios globais
Gonçalves destacou o potencial ainda a ser explorado do Brasil e do Rio Grande do Sul na produção de carne. “Os outros países que exportam já chegaram ao seu limite, como os Estados Unidos, que produzem um boi de 26 arrobas de carcaça”, afirma.
Ele observa que, no Rio Grande do Sul, a pecuária é majoritariamente a pasto, enquanto em outros países prevalece o confinamento. “Quando se analisam os grandes produtores pecuários mundiais, poucos ainda têm esse gargalo de aumentar em pouco tempo a produtividade”, diz.
Segundo o analista, os países com maior potencial de expansão são China, Índia e Brasil. Ele vê na Índia um forte competidor, com um rebanho de 300 milhões de cabeças — 100 milhões a mais que o Brasil —, embora o país ainda enfrente barreiras sanitárias.
“China e Índia, com dois bilhões de pessoas, vão aumentar a produção para o consumo interno, e a Índia pode se tornar um futuro exportador para a China, pela proximidade entre os países”, reflete.
O analista aponta que 75% da população indiana consome carne e 25% é vegetariana. “É o país onde mais cresce a produção de carne bovina, 20% nos últimos anos, apesar do sagrado ainda ser forte na maior parte do país”, afirma.
Gonçalves explica que há grande abate para exportação e diversidade no consumo de carne, com destaque para o búfalo. “Mas hoje, quem está com esta disponibilidade para o mercado mundial ainda é o Brasil, com qualidade e produtividade maiores e preços melhores”, conclui.
Evento “Comunica, alimenta e educa” destaca projetos sociais
Também na noite de terça-feira, ocorreu na Arena da Conferência Rural o evento “Comunica, alimenta e educa”, voltado à apresentação de projetos sociais que vêm transformando realidades locais por meio da educação.
A médica veterinária Fernanda Nogueira Kuhl ressaltou a importância da integração entre ensino e agronegócio. “Nós estamos apresentando projetos sociais que já estão acontecendo na região”, afirmou.
Ela citou iniciativas como De Olho no Material Escolar, O Agro que Ensina, o Instituto Cooperconecta (região da Campanha) e os projetos sociais do Sicredi.
A diretora de comunicação Michele Birck explicou o funcionamento do projeto De Olho no Material Escolar, movimento nacional que busca aproximar a educação do setor produtivo. “A sociedade civil precisa se inserir na preocupação e nos projetos de melhoramento da educação”, ressaltou.
Segundo ela, um dos pilares do projeto é o Vivenciando a Prática, que leva crianças para feiras, propriedades e empresas para conhecerem o setor e suas oportunidades.
Birck mencionou ainda a Agroteca, biblioteca virtual e gratuita com mais de 500 títulos de base científica, e explicou que pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP) revelou que apenas 3,4% dos conteúdos dos livros didáticos têm embasamento científico.
“Percebemos que muitos materiais didáticos não estavam de acordo com a realidade do agronegócio”, afirmou.
Ela destacou também o Mestres no Agro, voltado à formação de professores, e o Educa Município, desenvolvido com CNA e Farsul, que capacita porta-vozes ligados a sindicatos rurais.
“Se a alfabetização não ocorrer no tempo certo, aumentam as chances de a criança se tornar um adulto analfabeto funcional, condição de 20% da população brasileira, que lê mas não interpreta”, disse.
A diretora citou ainda a plataforma Olhar Edu, lançada em agosto, que reúne dados da educação brasileira e está aberta à consulta pública.




