
Um conjunto de estudos apresentados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) revela que ao menos 564 mil pessoas vivem em áreas com risco elevado de inundações ou deslizamentos no Rio Grande do Sul. A Zona Sul aparece com destaque entre as regiões mais vulneráveis, com municípios como Pelotas, Rio Grande, São Lourenço do Sul, Canguçu e São José do Norte enfrentando diferentes níveis de ameaça. No total, são mais de 75 mil pessoas morando em áreas ameaçadas nestes municípios.
O mapeamento, que contempla 1,9 mil áreas de risco em 95 municípios gaúchos, foi elaborado ao longo dos últimos meses com apoio da Defesa Civil estadual e municipal, e recursos extraordinários do governo federal. O levantamento foi oficialmente entregue à sociedade na manhã de quinta-feira (25), em evento realizado em Porto Alegre, que também marcou a implantação do novo Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) da Bacia do Guaíba, desenvolvido em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/UFRGS).
Na Zona Sul, as ameaças climáticas variam conforme o relevo, a proximidade de corpos d’água e a qualidade da infraestrutura urbana. Em Pelotas, comunidades próximas à Lagoa dos Patos e ao canal São Gonçalo permanecem sob constante risco de alagamentos. São 31.516 em áreas de risco alto e 15.232 em locais de risco muito alto. Ao todo, são 46,7 mil moradores de aproximadamente 11,6 mil domicílios em áreas vulneráveis.
Já em Rio Grande, o avanço do nível do mar e a intensificação das chuvas aumentam a vulnerabilidade de bairros situados ao longo do canal Miguel da Cunha. São 5.520 moradores em locais de risco alto e 10.077 risco muito alto.
Já São Lourenço do Sul totaliza 11.388 pessoas morando em zonas de risco alto. Em cidades com relevo acidentado, como Canguçu, o risco está associado a deslizamentos de terra, principalmente em áreas de ocupação irregular próximas a encostas. São 196 pessoas moram em locais de risco alto.
Já em São José do Norte, o principal fator de risco é o avanço das águas costeiras, intensificado por ventos fortes e marés elevadas, que afetam comunidades localizadas em regiões baixas e com infraestrutura precária. São 668 em locais de risco alto e 524 em áreas de risco muito alto.
Para o coordenador regional da Defesa Civil, coronel Marcio Facin, a divulgação do mapeamento do SGB representa um marco para a Zona Sul. “A relevância do estudo está justamente em fornecer uma base técnica sólida para que gestores públicos, Defesa Civil e comunidade possam agir de forma preventiva, reduzindo riscos antes que novas catástrofes aconteçam. Ignorar esses dados seria condenar a população a viver em um ciclo de vulnerabilidade e resposta emergencial”, pontuou. Facin defendeu ainda que o levantamento deve ser entendido como instrumento para orientar investimentos, políticas habitacionais e obras de infraestrutura resiliente na região.
Além das pessoas diretamente expostas, o estudo aponta que aproximadamente 154 mil imóveis estão situados em áreas sob algum grau de ameaça. Entre os municípios monitorados estão grandes centros urbanos como Canoas, Caxias do Sul, Lajeado, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Pelotas. Algumas cidades, como Porto Alegre e Santa Maria, não entraram no levantamento por estarem desenvolvendo planos municipais próprios, em parceria com universidades locais.
O SAH, implantado simultaneamente ao mapeamento, é uma plataforma on-line que acompanha em tempo real o nível de rios e canais, com foco inicial em 17 municípios da bacia do Guaíba. A ferramenta visa auxiliar na previsão de enchentes e na adoção de medidas emergenciais com base em dados técnicos e atualizações constantes.



