
O mercado de veículos eletrificados vive momento de expansão no Rio Grande do Sul. De janeiro a maio de 2025, houve alta de 57,17% nos emplacamentos de carros elétricos e híbridos em comparação ao mesmo período de 2024, totalizando 4.825 veículos emplacados no estado. Em Pelotas, a tendência se repete, mas ainda esbarra em desafios de infraestrutura urbana.
A frota gaúcha de elétricos e híbridos chegou a 23,2 mil veículos em dezembro de 2024, representando 3% do total. Enquanto a frota geral cresceu 2,8%, os eletrificados dispararam 80,6% no período. Cerca de 70% são híbridos, que combinam energia elétrica com outros combustíveis.
Experiências dividem usuários
Para o veterinário Delce Cavalheiro Rosa, 60 anos, a descoberta dos híbridos foi acidental. “Fui olhar um Yaris e estava o Prius do lado. Achei o design mais bonito e depois soube que era híbrido”, conta. Desde 2018 com o veículo, destaca a economia: “Gastava com o carro anterior que fazia dez quilômetros por litro, com esse híbrido faço quase vinte e dois, já cheguei até vinte e cinco por litro.”
A autonomia também impressiona Rosa, que consegue cerca de 800 quilômetros com um tanque. “A manutenção é sensacional, gastei muito pouco nesses anos”, avaliou. Mesmo satisfeito, ainda tem receio dos modelos 100% elétricos: “Já procurei para dar uma olhada, mas tenho um certo receio. Vou trocar por outro híbrido mais novo.”
O desenvolvedor de sistemas Luccas Marques, 25 anos, fez a transição completa para o elétrico motivado pela economia. Percorrendo 120 quilômetros diários para trabalhar, gastava cerca de R$ 70 em gasolina por dia. “Uso esse valor para pagar o carro, então o dinheiro da gasolina virou meio de adquirir patrimônio”, explicou.
Marques destaca a praticidade do carregamento doméstico e no trabalho, mas aponta limitações: “O que me desagrada é ter que esperar às vezes uma hora para carregar completo em um carregador rápido, porém a economia e conforto compensam totalmente.”

Mercado aquecido com diversos perfis
O segmento atrai variados perfis de consumidores. Segundo levantamento do setor, desde motoristas de aplicativo até empresários têm aderido aos eletrificados. Os modelos híbridos plug-in, que oferecem autonomia elétrica de 100 a 170 quilômetros na cidade e motor a combustão para viagens longas, lideram as preferências.
Entre os puramente elétricos, com autonomia entre 300 e 410 quilômetros, o uso predomina no perímetro urbano. Diego Medeiros, gerente comercial da GWM do Grupo Nissul Gala, estima que apenas dois modelos populares já somam quase 500 unidades rodando em Pelotas, com o total de híbridos e elétricos na cidade ultrapassando mil veículos entre 2024 e 2025.
Para motoristas de aplicativo, a categoria oferece vantagens específicas: isenção de IPVA, revisões a cada 24 meses ou 24 mil quilômetros, garantia estendida e custos operacionais menores. “O motorista trabalha sem o custo do combustível, pode carregar de graça em alguns pontos e economiza de 50% a 60% comparado ao carro a gasolina”, explica Medeiros.
Infraestrutura ainda é gargalo
Apesar do crescimento, a infraestrutura de recarga permanece como principal desafio. A cidade conta com carregadores em estabelecimentos comerciais, alguns gratuitos, mas a cobertura ainda é insuficiente.
“Falta muito mesmo. Nossa prefeitura podia olhar para esse cliente, pois por mais que todos tenham sua estação de recarga em casa, precisamos urgentemente de carregadores rápidos nas ruas”, avalia Medeiros. Bairros como Centro, Laranjal, Parque Una e Quartier, com maior concentração de vendas destes veículos, carecem de pontos de recarga.
A questão habitacional agrava o problema. “Temos dificuldade de estrutura para quem mora em condomínios. Eu mesmo moro em um empreendimento novo que não tem e não podemos instalar”, comentou.
Tipos e tendências
No RS, cerca de 70% da frota eletrificada é híbrida (23.223 veículos), combinando motor elétrico com combustíveis convencionais. Os puramente elétricos somam 6.454 unidades, sendo 90% alimentados por fonte externa (rede elétrica).
A tendência é de diversificação da oferta. Sedans esportivos, SUVs com autonomia de até 1.100 km e até pick-ups híbridas para o agronegócio ampliam as opções, atendendo diferentes necessidades e orçamentos.
Com cerca de 1 em cada 10 carros emplacados no RS sendo eletrificado em 2025, a tecnologia deixa de ser novidade para se tornar alternativa viável. A combinação de incentivos econômicos, consciência ambiental e melhoria da infraestrutura sugere que a eletrificação da frota em Pelotas seguirá a tendência estadual de crescimento acelerado.
Para usuários como Rosa, a experiência foi definitiva: “Agora eu realmente estou indo em busca de outro híbrido porque achei que foi o melhor carro que eu já tive.”




