
O Rio Grande em 1835
Em 1835, a província do Rio Grande do Sul era muito pouco povoada e a população total era de 400 mil habitantes concentrados, em sua maioria, nas regiões de depressão central e no litoral. Existiam apenas 14 municípios: Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo, Santo Antônio da Patrulha, Cachoeira do Sul, Pelotas, Piratini, Alegrete, Caçapava do Sul, São José do Norte, Triunfo, Jaguarão, São Borja e Cruz Alta. Sendo os três mais importantes: Porto Alegre (Capital da Província), Rio Grande (porto) e Pelotas (produtor de charque).
A questão das fronteiras
A partir da ocupação da Banda Oriental (Uruguai) pelo Brasil, entre 1817 e 1825, muitos estancieiros gaúchos compraram terras e gado do outro lado da fronteira. Com a independência do Uruguai, os produtores insistiam em ter livre acesso ao país vizinho para proteger seus interesses, enquanto os charqueadores de Pelotas eram contrários ao envio de gado gaúcho para o Uruguai e defendiam um controle mais rígido das fronteiras.
Economia pré-revolucionária
A Província do Rio Grande do Sul tinha sua economia baseada na pecuária e na exportação de charque e couro. Como a indústria era praticamente inexistente no Brasil, todos os produtos manufaturados produzidos na Província eram importados da Europa.
Estopim revolucionário
A partir de 1824 começaram a ser criados postos de controle alfandegários nas fronteiras com Uruguai. Em 1831, o governo passou a cobrar impostos sobre o charque importado do Prata.Também passou a ser exigida uma autorização para a saída do gado da Província. A medida gerou desagrado entre os estancieiros (que queriam liberdade para levar o gado através da fronteira) e dos charqueadores (que aprovavam a entrada do gado uruguaio para suas indústrias). A situação gerou um estado de agitação política e social, que rapidamente se transformou em um movimento revolucionário.
Explode a revolução
Em 20 de setembro de 1835, os farroupilhas, liderados por Bento Gonçalves da Silva, invadiram Porto Alegre para derrubar o presidente da Província, Antônio Fernandes Braga. As forças imperiais foram derrotadas na batalha da Ponte da Azenha. No dia seguinte, os revolucionários tomaram a capital. O presidente Braga fugiu para Rio Grande.
A vitória dos farroupilhas e a tomada de Porto Alegre foram decisivas para a deflagração do conflito. A guerra duraria 10 anos e causaria 118 combates com 59 vitórias para cada lado, foi uma guerra com táticas de guerrilha e sem grandes combates diretos. A estimativa dos historiadores é de que morreram 3,4 mil homens, sendo que as baixas farrapas foram o dobro das imperiais.
Principais personagens
Farroupilhas:

Bento Gonçalves (1788-1849): Natural de Triunfo. Chefe farroupilha, líder do movimento. Preso em 1836, fugiu do Rio de Janeiro e retornou ao Rio Grande do Sul para ser o primeiro presidente da República Rio-Grandense.

Giuseppe Garibaldi (1807-1882): Natural de Nice (ITA). Foi estrategista e corsário da República Rio-Grandense. Comandou a invasão de Santa Catarina e a fundação da efêmera República Juliana.

Antônio de Souza Neto (1801-1866): Natural de Rio Pardo. Proclamou a República Rio-Grandense em 1836. Destacou-se na Batalha de Seival e foi um dos principais comandantes do exército farroupilha.

Imperiais:
Luiz Alves de Lima e Silva (1803-1880): O Duque de Caxias. Nomeado comandante das forças imperiais em 1842. Negociou a paz e a anistia dos farroupilhas.

Francisco Pedro de Abreu (1798-1863): O Barão de Jacuí. Um dos mais fiéis aliados dos imperiais.

Bento Manuel Ribeiro (1783-1855): Natural de Rio Pardo. Destacou-se na Cisplatina e no comando imperial. Mudou de lado várias vezes.



