A melhor lista

Eu queria um dia sem relógio. Um dia sem ponteiros, assinalando horas marcadas. O “tique-taque” me diz: “Vamos lá!”, quando não desejo ir a lugar algum.

Eu sonho com um dia de sol, nascendo e engatinhando no céu, bem devagar. A estrela maior está muito apressada e ofusca tudo com sua passagem rápida.

Quando escrevi esta crônica, por exemplo, era domingo e havia acordado há pouco. A luz adentrou pela casa através das frestas das persianas, em um piscar de olhos. Sabia que, em seguida, seria noite.

Então, quero porque quero um dia sem limites, sem fronteiras. Um dia para ficar, lentamente, ao dispor do descomprometimento.

Entretanto, um armazém bem estocado de tarefas me acena de cima de uma listagem que intitulei “COISAS A FAZER”.

E daí, faço uma maquiagem no domingo e o deixo com cara de cais do porto em período de safra alta, com cargueiros e mais cargueiros a despejarem mercadorias em navios já abarrotados.

Desfiguro as minhas 24 horas, que deveriam ser de repouso, e corro atrás de cada minuto, como uma desesperada, para conseguir colocar tudo em ordem, senão a semana começa atrapalhada e a agenda com o tempo estourado.

Um dia sem relógio, que seja elástico, conforme as minhas necessidades e que ainda tenha horas extras para compensar e permitir ficar ao léu, de braços caídos, cabeça leve e pés descalços.

É… Estou precisando de uma lista de “COISAS A FAZER” diferenciada.

Bom seria se eu inventasse um rol de atividades amenas e extremamente agradáveis. Assim tipo:

* Ignorar o relógio (de vez em quando e de quando em vez);

* Cantar (mesmo que seja sempre a mesma canção);

* Dizer poesia em voz alta (sem plateia é também interessante);

* Continuar aprendendo (a cada minuto);

* Perceber a bondade (reconhecer gestos de ternura é salutar);

* Ter esperança (sempre e muito);

* Rir (com vontade e descontração);

* Amar (além, através, apesar, acima).

E fazer dessa lista, na medida do possível e permitido, uma constante. De tal forma que, no entremeio das árduas atividades, surja uma receita de viver bem, de respirar fundo, de se dar ao luxo de ouvir pássaros, debruçada na janela dos fins de tarde.

Isso é o que chamo de “unir o útil ao agradável”.  E para unir a palavra à ação, começo desde já a usufruir dos benefícios da MELHOR LISTA de coisas a fazer.

Afinal, chega a segunda-feira e não posso ignorar o relógio, mas alguns outros itens da lista serão executados, com certeza!

E a sua MELHOR LISTA?  Não fique idealizando. Mãos à obra! O tempo passa rápido e a vida é breve.