
As prefeituras de Pedro Osório e Cerrito receberam na tarde da segunda-feira (8) o resultado final do mapeamento aéreo, realizado com tecnologia LiDAR, do relevo das zonas urbanas realizado pela equipe do grupo de pesquisa do Núcleo Integrado de Previsão (NIP) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O trabalho iniciado em 2023 possibilitará a realização de previsões apuradas e, em tempo real, do avanço das águas do rio Piratini em períodos de cheias e orientar ações de prevenção e socorro.
“Esse mapeamento vai nos permitir fazer previsões mais apuradas do nível da água em virtude de determinados eventos de chuva no rio Piratini e, mais especificamente, quais regiões das duas cidades podem ser afetadas, em que momento isso pode acontecer, qual o tamanho da lâmina de água e com que velocidade essa água pode, digamos, escoar”, explicou o pesquisador e professor da UFPel, Samuel Beskow, do NIP.

Conforme Beskow o Sistema de Previsão Hidrológica em tempo real e alerta antecipado para o rio Piratini – abastecido com os dados coletados no estudo – tem impacto não apenas nas duas cidades, mas em toda a bacia do rio e todos os dez municípios que possuem áreas totais ou parciais dentro da bacia.
“A gente consegue representar as condições físicas do relevo, do solo, de uso e cobertura e, também, trabalhamos com os cenários de previsão de chuva e de outras variáveis meteorológicas. Esse sistema integra todas as informações e permite antecipadamente dizer como vai ser a cota do rio nas próximas horas e, geralmente, fazemos isso com uma janela de tempo de três dias para a frente, possibilitando lançar prognóstico”, detalhou.
Em breve o trabalho será estendido para os rios Jaguarão e Camaquã.
Uma poderosa ferramenta de prevenção
Para os prefeitos de Pedro Osório, Ricardo Alves (MDB) e de Cerrito, Flávio Vieira (PP), o estudo oferece dados fundamentais para a elaboração de ações, projetos e políticas públicas tanto de prevenção como de enfrentamento de novas enchentes.

“Com esse mapeamento podemos nos tornar mais resilientes e preventivos nas cheias que acontecem. É um trabalho altamente técnico e evoluído, que poucas cidades dispõem e que vai possibilitar muitos encaminhamentos no município, não só na prevenção das cheias, mas na questão do cadastro imobiliário, nas questões ambientais, tributárias e em um conjunto de outras ações”, disse Alves.
Conforme Alves, o primeiro passo, uma vez de posse dos dados, é atualizar o Plano de Contingência.
O prefeito de Cerrito, por sua vez, pondera que o estudo e o sistema de o Sistema de Previsão Hidrológica têm o poder de garantir maior embasamento para a construção de ações preventivas. “É um projeto que vai nos dar tranquilidade de previsão, pois vai trabalhar em cima de dados técnicos muito confiáveis”, disse.

Case de sucesso

O chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira acompanhou a entrega do estudo e destacou sua importância dentro do contexto de ações desencadeadas no Rio Grande do Sul para o enfrentamento de novas catástrofes climáticas. “A Defesa Civil do Rio Grande do Sul passa por um momento de reestruturação, modernização de suas estruturas e, talvez, o grande case que a gente tem dos projetos que estão em andamento na Defesa Civil estadual seja esse que foi apresentado hoje aqui em Pedro Osório.”
Boeira aproveitou para destacar uma série de investimentos feitos com o objetivo de capacitar o estado para ser mais resiliente como, por exemplo, a contratação de 130 estações hidrometeorológicas de missão crítica, da modelagem hidrodinâmica e a rede de radares. “Hoje as pessoas não querem mais saber se o rio vai subir ou descer, elas querem saber se a água vai chegar na porta da casa delas. E neste ponto, estaremos, em breve, levando essa informação, essas comunidades que infelizmente sofrem com esses eventos”, afirmou.
Projeto pode ser replicado em todo o RS

Para a secretária estadual de Relações Institucionais, Paula Mascarenhas a iniciativa apresentada em Pedro Osório não apenas representa o sucesso do trabalho integrado entre municípios, Universidade e governo estadual – a pesquisa teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do RS (Fapergs) -, como traz uma riqueza de dados capaz de qualificar as ações e políticas públicas.
“Isso é ouro em pó para quem faz a defesa das populações que sofrem com alagamentos, que são cada vez mais frequentes com as mudanças climáticas. A gente precisa de informações precisas e com a maior antecedência possível para que a Defesa Civil e os municípios possam agir e para que as pessoas possam se planejar. Então é um trabalho muito completo. Eu não tenho dúvida, pelo que disse aqui o coronel Boeira, a ideia é poder replicar isso para todo o estado”, disse.



