
Fernanda Amparo
Uma campanha integrada com profissionais de saúde foi planejada pelas secretarias municipais de Saúde e de Recursos Humanos de Pelotas para marcar a passagem do Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. A iniciativa promove rodas de conversa e prestação de serviços, aproximando servidores públicos e a população em geral de informações e de apoio psicológico.
As atividades iniciaram no dia 29 de agosto, com palestres e rodas de conversa promovidas por especialistas da área de saúde mental a respeito da preservação da vida para servidores públicos do município.
A coordenadora da Rede de Apoio Psicossocial (RAPs), Luciane Kantorski, enfatiza a importância de estar atento aos sinais de alerta sobre o bem-estar mental. Nos casos mais graves, quando a ideação de morte se transforma em um plano elaborado e executável, o risco é alto e exige vigilância constante, de preferência em ambiente hospitalar.
“Quando a gente tem o risco leve ou moderado, que é o mais frequente, existem vários outros recursos”, afirmou. Entre as alternativas, ela cita os oito Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Pelotas, que são regionalizados, o Centro de Valorização da Vida (CVV), que funciona 24 horas pelo telefone 188, e plataformas digitais, como o site mapasaúdemental.com.br, que conectam usuários a profissionais de apoio.
Especialistas alertam para a forma como o tema é abordado na sociedade e pela mídia. “Banalizar o suicídio é como desvalorizar uma sociedade inteira e acaba envolvendo todo um coletivo que se sente menosprezado nas suas questões de dores e fragilidades. Então, quando a mídia começa a trazer, como se as pessoas estivessem fazendo para, de alguma forma, chamar atenção, desfaz de todo aquele coletivo que está doente por questões individuais”, ressaltou a psicóloga Joice Brites.
Ela chama atenção ainda para a dificuldade de se criar grupos de conversa sobre suicídio, um tema que carrega um grande estigma. Segundo a psicóloga, por causa dessa barreira, o debate raramente ocorre em círculos sociais e em ambiente familiar. Joice apoia a necessidade de o poder público promover discussões sobre o tema de forma mais leve e acessível em diferentes esferas da sociedade.
Prevenção ao alcance de todos
No dia 17 de setembro, o Caps AD, álcool e drogas, realizará uma atividade no parque Dom Antônio Zattera para levar informação e acolhimento à comunidade. A iniciativa, segundo Luciane, visa informar a população sobre os canais de apoio ofertados pelo município e incentivar a conscientização.
Campanha nacional
Dados de 2025 da OMS afirmam que mais de 720 mil pessoas morrem por comportamentos autodestrutivos todos os anos no mundo. No Brasil, esse número corresponde a cerca de 14 mil casos. Em relação ao Rio Grande do Sul, o DataSUS, site do governo federal que centraliza informações acerca da saúde, aponta que em 2023 o estado registrou o terceiro maior índice de mortes causadas por fatores emocionais no país.
Para diminuir os índices de suicídio, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) deram início, em 2015, à campanha nacional do
movimento pela preservação da vida. A iniciativa busca promover o debate, reduzir o preconceito e incentivar as pessoas a procurar ajuda.



