
O quinto e último painel do 13º Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado trouxe ao debate o tema Resistência a herbicidas e novas tecnologias de controle de plantas daninhas. O professor de Herbologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Aldo Merotto Junior, abordou os “Desafios da resistência e novas tecnologias na rotação arroz/soja”. Segundo ele, o custo de controle de daninhas hoje nas lavouras de arroz tem crescido bastante. “Ele chega até R$ 1,2 mil por hectare e em muitos cenários isto já é igual ou superior àquilo que sempre foi o maior custo da lavoura, que é o adubo”, salienta.
Merotto destaca que existe uma série de causas que fazem com que o produtor tenha hoje esse elevado custo de produção. “Um desses problemas é a ocorrência da resistência ao herbicida para o controle das ervas daninhas”, salienta. Ele explica que este é um processo natural que ocorre em antibióticos, produtos veterinários e demais outros produtos, um processo evolutivo natural que ocorre em seres vivos e especificamente, na lavoura de arroz, tem causado grandes prejuízos.
Se pode gastar R$ 800,00, R$ 900,00 a menos se o problema não existe, observa. “O produtor poderia ter um lucro maior e esse problema precisa ser atacado, melhor compreendido e estudado”, ressalta. Para isso, o produtor tem que fazer uso de novos conhecimentos, pois aquilo que ele sabia, faz e era obviamente correto, há cinco, dez anos atrás, não é mais o que vai levar ao sucesso de controle devido ao problema de resistência a herbicidas.
Ele salienta que o produtor como usuário das tecnologias precisa estar atento a estas mudanças das ervas daninhas para que consiga fazer opções, gastar melhor o dinheiro que já gasta. “Existe alguns ajustes com os produtos e custos já existentes para ter um controle melhor e ter a lavoura mais limpa”, ressalta.
O uso de tecnologias como o sistema Clearfield, que já tem 22 anos, foi muito importante e hoje ele tem dificuldades devido à resistência a herbicidas, observa. “Os produtos que ele está associado têm uma grande frequência de resistência mas ainda se mantém importantes para o controle de várias outras ervas daninhas resistentes”, diz. Sistemas mais novos como o Provisia e Max-Ace, também são ferramentas importantes neste sentido, têm as suas fortalezas, dificuldades e necessidades. “Vamos mostrar que também já existe arroz vermelho resistente a estes produtos, é a natureza ocorrendo e as ervas daninhas se adaptando aquilo que se tenta fazer para diminuir os problemas causados por elas”, diz.
O produtor precisa estar sempre atento às novas tecnologias, alerta o especialista. “Este é o ano zero deste problema, e nosso trabalho de pesquisa tem base naquilo que já aprendemos com o sistema Clearfield, em que os problemas foram diagnosticados com maior clareza três anos depois da sua ocorrência”, diz. Ele alerta ao produtor para que tenha cada vez mais atenção, capricho e cuidado e dê importância às culturas que serão plantadas depois do uso destas tecnologias. A rotação de culturas segundo ele continua sendo fundamental neste controle das plantas daninhas.



