Às vésperas de iniciar o plantio de uma nova safra, 2025/2026, o cenário da cadeia orizícola é de estoques altos, queda no consumo e preços em queda, bem abaixo do custo de produção. O tema reverberou durante o 13º Congresso Brasileiro do Arroz e foi pauta de inúmeros debates formais e informais durante o evento. Redução de área de cultivo, incentivo ao consumo e ajustes nos custos de produção foram algumas das soluções apontadas, nos discursos, palestras e debates. O presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga RS), Eduardo Bonotto, salienta que a redução de área é cogitada por inúmeros representantes da cadeia ligados à produção, o que ele considera “uma lógica adequada e defendida por boa parte dos produtores”.
“Nós tivemos uma excelente produção, estamos com estoque de passagem considerável, em torno de dois milhões de toneladas, e há necessidade de realizar um trabalho de ampliação do consumo de arroz no Brasil”, ressalta. Segundo ele, já na Expointer, deve ser lançada uma campanha nacional de incentivo ao consumo de arroz, uma iniciativa do Irga. “Também temos o desafio das exportações, a fim de colocar este excedente no mercado internacional e buscar ter a valorização do preço do produto internamente”, disse.
Também durante a Expointer, no Dia do Arroz, devem ser divulgados os números finais da produção na safra 2024/2025 e também a intenção de plantio para a próxima safra, segundo Bonotto. “Os números ainda estão sendo levantados e eu considero importante neste cenário que temos, monitorar e acompanhar esta situação”, ressaltou. Segundo o presidente, desde que assumiu a autarquia em 14 de abril deste ano, vem realizando contatos relevantes, entre eles, a parceria com a Invest RS, e buscando outras alternativas, como parceria com a Associação Brasileira de Nutricionistas (Asbran) e estudos junto à Secretaria Estadual de Educação para ampliar o consumo do cereal na merenda escolar. Ele menciona ainda, estudos junto à Secretaria de Serviços Penitenciários, para o aumento do consumo de arroz nos presídios. “São ações que não têm reflexo a curto prazo e por isso é preciso trabalhos emergenciais neste sentido para que se supere este momento de dificuldade”, afirmou.
Segundo dados divulgados pelo Irga, ainda durante a Abertura Oficial da Colheita, em fevereiro, a área semeada no Estado chegou a 970.194 hectares na safra 2024/2025, incremento de 7,8% em relação à safra anterior, acréscimo de 69.991 hectares em relação à 2023/2024. A produção brasileira esperada, segundo números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), era superior a 11,7 milhões de toneladas do cereal. A produção do Rio Grande do Sul deveria ser superior a 7,99 milhões de toneladas, incremento de 11,7%.
A colheita da safra 2024/2025 foi considerada oficialmente encerrada pelos técnicos do Irga em 12 de junho, com 99,7% da área colhida. O volume remanescente foi considerado pouco significativo do ponto de vista estatístico. O Relatório Final da safra 2024/2025 será divulgado pelo Irga, na Expointer 2025. “A próxima safra será desafiadora e de muita expectativa por parte dos produtores sobre o cenário futuro”, disse Bonotto, referindo-se à baixa valorização do produto, produção positiva e estoque de passagem elevado.
A última estimativa divulgada pela Conab, no dia 15 de agosto, aponta uma produção de 12,3 milhões de toneladas do cereal no País. A produção do Rio Grande do Sul, responsável por 70% do volume nacional, é estimada em 8,3 milhões de toneladas, avanço de 15,9% e rendimento de 8.715 quilos por hectare.




