O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, esteve em Pelotas nesta sexta-feira (22) para participar de ato que marcou a retomada da compra de estoques de arroz. Realizado no Engenho São Bento, na zona norte da cidade, o evento reuniu lideranças políticas e setoriais de toda a região.
“Essa é uma forma que o governo encontrou, também, de enxugar um pouco o mercado que está muito aquecido, pois graças aos produtores e a todo esse setor, tão bem organizado no Rio Grande do Sul, tivemos uma grande safra com mais de 12 milhões de toneladas. Aliado a isso se teve uma produção maior no Mercosul, na Índia e em outros países produtores. Como consequência do aumento da oferta, os preços baixaram. Já prevíamos isso no ano passado, pois a Conab gera as informações sobre todas as safras e sabíamos que teríamos que ter uma política de incentivo e de apoio aos produtores”, disse Pretto.
Pertencente à família Zanetti, o Engenho São Bento fez a entrega de 540 toneladas de arroz, o montante é referente a 20 Contratos de Opção de Venda (COV), que equivale a 50% do total contratado pela empresa. Conforme o administrador e produtor Pedro Zanetti a operação garantiu um retorno satisfatório.

“Ano passado o preço do arroz vinha muito bom e a gente vinha no mercado muito otimista, com alguns negócios fechando em até R$ 130 a saca, que eram os preços na época que saiu o leilão. Ficamos todos meio em dúvida se realmente chegaria nessa faixa de preço esse ano, mas o preço acabou ficando muito bom, pois como o nosso é um arroz de alta qualidade, estamos entregando um arroz de mais de 63% de grãos inteiros, então estamos recebendo R$ 96,12 por saca, o que é muito bom em comparação com o mercado, que está pagando na faixa de R$ 71”, afirmou.
Zanetti avalia, também, que os contratos têm o poder de reduzir a oferta de arroz, auxiliando na valorização do produto. “Ainda mais que o estoque de passagem deste ano deve ser bem elevado”, comentou.
Estoque total será de 12 mil toneladas
A compra feita no Engenho São Bento representa apenas parte um total de 3,3 mil contratos, que irão garantir à Conab estocar 12,3 mil toneladas de arroz. Conforme os dados da companhia, já foram investidos R$ 20 milhões na compra de arroz, sendo R$ 6,5 milhões no Rio Grande do Sul.
“Agora o setor viu que era um bom negócio, nos solicitou de novo que a gente refizesse os contratos e, agora há uma grande disputa pelos contratos de opção. Conseguimos mobilizar no governo federal R$ 180 milhões de reais e queremos contratar 110 mil toneladas para efetivar agora em setembro e outubro. E estamos pensando na política agora para a próxima safra. Essa, na verdade, teria que ser já os contratos de opção para o ano que vem. Mas é um pedido que o setor fez e estamos sempre abertos ao diálogo, por isso abrimos novamente os contratos para este ano, mas queremos nos próximos dias lançar a política para incentivar a produção para o ano que vem”, garantiu Pretto.
Lideranças regionais comemoram iniciativa

O evento reuniu deputados estaduais, federais, prefeitos e vereadores de toda a região, além de representantes da cadeia produtiva do arroz. O consenso geral é de que os COVs surgem como uma medida capaz de beneficiar toda o setor e, consequentemente, proteger a economia da região.
“No ano passado, a Conab ofereceu para as entidades produtoras de arroz a possibilidade de se cadastrar para venda com um preço mínimo de R$ 87 a saca. Na época, o preço estava mais alto e optaram em não aderir. Fizeram inclusive uma campanha de não adesão. Mas aconteceu que o arroz veio para um preço bem abaixo, daquilo que a Conab ofereceu no ano passado e, agora, a companhia começa a comprar e entendemos que é uma iniciativa muito boa em todos os sentidos”, disse o deputado estadual Zé Nunes (PT).
O diretor da Associação Brasileira das Indústrias do Arroz (Abiarroz), Dilnei Portantiolo seguiu na mesma linha e destacou o papel da Conab na valorização do arroz gaúcho. “A gente agradece a intervenção da Conab, o que é muito importante para toda a cadeia e para a região que depende muito do arroz. Estamos com excesso de estoque, pois o Brasil produziu muito arroz esse ano e temos que absorver muito arroz do Mercosul. Como industriais, gostaríamos, ainda, de incentivos para a exportação de arroz beneficiado, para podermos ajudar o produtor, que está numa situação muito difícil. Pois com o arroz a R$ 70 não tem quem trabalhe”, disse.




