Mais do que uma palestra motivacional, a Conferência de Abertura do 13º Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado foi uma “provocação” aos integrantes da cadeia produtiva do arroz, que mesmo diante de uma boa produção na safra 2024/2025, são sabotados por baixa valorização do seu produto no mercado, altos custos de produção, queda de consumo e competição com países do Mercosul, especialmente o Paraguai. O antigo CEO da John Deere e atual diretor executivo da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Paulo Hermann, propôs algumas reflexões aos participantes do evento, para serem discutidas ao longo da semana. “Tem gente que não vai gostar, mas eu acho que temos que começar a ajustar a produção. Minha sugestão é que se discuta uma redução na área plantada de 50 a 100 mil hectares”, afirmou.
E os argumentos são fortes. “Uma atividade que começou como monocultura e virou modelo de produção. Os produtores só podem controlar o custo porque o mercado é quem determina preço”, ressaltou. Segundo ele, dos elos da cadeia, o mais fraco é o da produção, sem garantia, apenas com coragem e vontade de produzir, “uma fábrica a céu aberto, sujeita a chuvas e trovoadas”, completou.
Segundo Hermann, o arroz é um produto de economia doméstica, sujeito a algumas leis, uma delas irrevogável: a lei da oferta e da demanda. “A produtividade avançou de duas toneladas para dez, doze”. Ele afirma que há uma relação direta entre a produção entregue no mercado e o preço do produto. “Nós super ofertamos o mercado e, obviamente, se tem impacto sobre o preço, crescemos a nossa produtividade nos últimos 20 anos em mais de 60%”, relatou.
O diretor executivo defende, ainda, a revisão do modelo de produção baseado em arrendamento. “Se arca com um custo de produção de R$ 12 mil por hectare, 40% já está comprometido entre água e terra, e se não dá preço está morto. Se eu tenho uma estrutura produtiva desta natureza, eu preciso assegurar que o preço me acompanhe”.
Ele abordou, ainda, temas como a queda do consumo e as oportunidades geradas a partir do sistema de rotação e culturas.




