Erni Neuenfeld tem percorrido as estradas da América do Sul há 25 anos com excursões

Ele é motorista há 25 anos e, atualmente, trabalha para a Kopereck Turismo. (Foto: Arquivo pessoal)

Com 25 anos de estrada, o motorista internacional Erni Neuenfeld acumula experiências em trajetos por diferentes países do Mercosul. Ele relembra momentos marcantes da profissão, desde o início da carreira, as dificuldades enfrentadas em longas jornadas até os aprendizados que carrega ao cruzar fronteiras e culturas. Atualmente, trabalha na Kopereck Turismo, em Pelotas, e mantém vivo o sonho de dirigir até o Equador.

“A primeira viagem para fora do país foi com uma expectativa grande em conhecer lugares novos, gente diferente, outros costumes, outros idiomas. No começo, tudo era mais difícil, não tinha o conhecimento das estradas, tudo era novo”, lembrou.

A adaptação à rotina internacional foi feita na prática, com apoio de colegas mais experientes. Entre os desafios mais comuns, ele cita o tempo prolongado longe de casa. Viagens a destinos como Ushuaia, na Argentina, podem durar mais de 20 dias. Quando isso acontece, as chamadas por vídeo são a forma mais fácil de matar as saudades de quem ficou em casa.

Além da distância, há obstáculos como as aduanas e as condições climáticas, apontados como os principais desafios nos percursos internacionais. A neve, por exemplo, exige a instalação de correntes nos pneus. Em quase três décadas na profissão, o motorista também já passou por situações de risco de acidentes e perrengues mecânicos, mas no final todos os episódios terminaram bem.

“Atualmente, as viagens mais longas são para Ushuaia (ARG), Bolívia e Peru. Nas estradas peruanas, as curvas acentuadas e as altitudes — que podem ultrapassar 4.800 metros — exigem atenção redobrada e são as mais perigosas”, contou.

Apesar das dificuldades, Neuenfeld afirma que não se imagina longe das estradas antes da aposentadoria. “Não consigo me imaginar ficar sem viajar”, disse. Para ele, cada viagem é uma nova história e representa o que mais gosta da profissão: dirigir e conhecer novos lugares.

Atualmente, cerca de 80% das viagens que realiza são internacionais, e dentre tantos destinos percorridos, há um que, ainda, sonha em fazer: até o Equador. Enquanto o sonho não se realiza, Neuenfeld continua acumulando histórias pelas rotas do continente. No fim de julho, ele parte novamente, desta vez, rumo à Bolívia.