Dia Nacional do Produtor de Leite destaca importância econômica e desafios do setor

Segundo o Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), entre 2004 e 2023, a produção de leite no Estado cresceu 74,33%, passando de 2,36 bilhões para 4,11 bilhões de litros por ano. (Foto: Divulgação)

Comemorado neste sábado (12), o Dia Nacional do Produtor de Leite reconhece o papel fundamental dos pecuaristas que atuam em uma das cadeias produtivas mais relevantes para a economia brasileira. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de leite, com crescimento médio anual entre 4% e 5%.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), entre 2004 e 2023, a produção de leite no Estado cresceu 74,33%, passando de 2,36 bilhões para 4,11 bilhões de litros por ano. O volume representa 11,63% da produção nacional.

O Rio Grande do Sul conta com cerca de 122 mil produtores e 247 indústrias de laticínios, incluindo estabelecimentos com registros no Serviço de Inspeção Federal (SIF), no Cispoa e nos Serviços de Inspeção Municipal (SIM). Desse total, 33 mil produtores comercializam leite cru para indústrias, cooperativas ou queijarias. Com aproximadamente 1,04 milhão de vacas ordenhadas diariamente, o Estado ocupa a terceira posição no ranking nacional. Dos 497 municípios gaúchos, apenas quatro não possuem produção leiteira.

Na Zona Sul do Estado, os municípios atendidos pela Emater Regional Pelotas respondem por cerca de 41% da produção estadual. São Lourenço do Sul, onde atua a cooperativa Coopar Pomerano, é o quarto maior produtor de leite do RS. Segundo a médica veterinária Mara Saalfeld, assistente técnica regional da Emater, os 22 municípios da região registraram 1.447 produtores em 2023 e 1.309 em 2024. Desses, 529 são assistidos pela Emater neste ano — número semelhante ao de 2023, com 525 produtores atendidos.

Para Marcos Tang, presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do RS (Gadolando), o produtor de leite é um trabalhador que exige dedicação contínua. “Diferente de outras atividades agropecuárias, o leite exige ordenha no mínimo duas vezes por dia, todos os dias do ano”, afirma. Ele destaca que muitas propriedades realizam três ordenhas diárias e que a maior parte da mão de obra é familiar.

O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do RS (Gadolando), Marcos Tang, afirma que o produtor de leite é um trabalhador que exige dedicação contínua. (Foto: Divulgação)

Tang ressalta que a atividade leiteira, mais do que produção, é um fator de permanência das famílias no campo. “Seja pequeno, médio ou grande, o produtor precisa ser valorizado. O leite envolve cuidado com os animais, dedicação e sensibilidade, características muito presentes nas mulheres, que têm papel essencial no setor”, diz.

Nos últimos anos, segundo Tang, os produtores têm enfrentado dificuldades severas, como cinco anos de estiagens intercaladas com enchentes, comprometendo a produção de alimentos para os animais. “A maioria dos produtores trabalha no vermelho ou apenas para pagar contas”, afirma. Muitos se endividaram para adquirir ração, o que gerou impacto financeiro adicional.

“O produtor de leite, além de homenageado, precisa de políticas públicas mais eficazes. Muitos estão descapitalizados, enfrentando anos seguidos de adversidades climáticas e econômicas”, alerta Tang. “É esse produtor que, depois do leite materno, entrega o alimento mais completo à sociedade. Ele merece reconhecimento e atenção dos governantes”.