Entre sonhos e distância, a história de Laureana Tavares, quilombola do Quilombo Boa Vista Alto Trombetas, no Pará, e estudante do curso de jornalismo na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ganha um novo rumo com a oportunidade de um intercâmbio acadêmico internacional para a Barcelona.
“Um dos fatores que me fez acabar interessando pelo jornalismo foi o fato de que nós sabemos que quilombola sempre é muito invisibilizado, muitas coisas acontecem dentro do quilombo que não é dito”, relatou a estudante que também é mãe de dois meninos e busca elevar sua voz através do jornalismo para que a realidade vista por eles seja diferente daquela que experienciou ao longo da vida.
Utilizando seu histórico acadêmico para aplicar para uma bolsa de estudos na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), Laureana, que chegou em Pelotas pelo interesse na comunicação, conta que se inscreveu pela esperança de passar no processo seletivo, mas não esperou que realmente fosse acontecer. Segundo ela, apesar de receber uma bolsa de estudos quando chegar no local, o intercâmbio não é vinculado às universidades, acontecendo de forma independente por parte da aluna.
“Cada momento que acordei às quatro da madrugada, andei quilômetros pela floresta, remei de canoa, peguei barco para chegar na mineradora e ainda ter que pegar ônibus para chegar na escola por volta das 8h da manhã me trouxeram até aqui, e tenho muito orgulho”, é o que enfatizou no texto que divulga sua Vakinha Solidária, que tem como meta a arrecadação de R$ 30 mil para arcar com as despesas da viagem, entre elas gastos com passagens aéreas, documentação, hospedagem, alimentação e seguro de saúde durante o período do intercâmbio.
Atuando também como escritora na expectativa de um dia contar mais sobre sua realidade ao público, a estudante relata que as maiores motivações para a escolha da profissão se entrelaçam com sua história de vida, tendo tido um pai preso por conta do racismo ambiental e também a morte da irmã por negligência as suas origens quilombolas por parte do hospital, quando buscou atendimento para covid, mas não foi atendida a tempo.
“O fato de eu ter me interessado pelo jornalismo foi justamente por isso, foi lutar pelo meu povo. Foi fazer o meu povo ser visto, ter visibilidade”, concluiu a ativista.
Para colaborar com Laureana, interessados podem fazer pix de qualquer valor para [email protected].




