
O pioneirismo do produtor Wilson Behling na produção de maçãs tem continuidade pelas mãos dos seus sobrinhos André e Elvis Behling, que sempre trabalharam lado a lado com o tio, falecido em agosto do ano passado, aos 65 anos, vítima de um câncer que vinha tratando desde 2018. Produtor de outras frutas como o pêssego e a ameixa, em 2000, Behling resolveu testar em suas terras, na Colônia Oliveira, uma variedade de maçã, denominada Eva, que vinha obtendo bons resultados, em Encruzilhada do Sul.
De lá para cá, a fruta conquistou seu espaço e se tornou referência no município, ganhando em 2007, ao lado do caqui – outra fruta importante na economia municipal -, uma festa específica, realizada junto às comemorações do aniversário de emancipação e celebração das potencialidades locais. Este ano, excepcionalmente, houve o cancelamento dos eventos, devido à pandemia do Covid-19.
A safra, finalizada no mês de janeiro, resultou numa produção de 90 toneladas da fruta, que já foi praticamente toda comercializada junto a supermercados e fruteiras locais e da região. O clima mais seco prejudicou um pouco o desenvolvimento da fruta, que ficou menor do que de costume, mas em compensação superou no sabor, resultando em maçãs muito mais doces, de acordo com o produtor Elvis Behling. “A maior incidência de raios solares ajuda na concentração do açúcar”, ressalta.
O preço ficou em torno de 10% superior ao ano passado, com comercialização entre R$ 2,50 e R$ 3,00 o quilo nas fruteiras e R$ 1,80 na indústria. Segundo ele, a indústria compra as frutas com pequenos defeitos e que não servem à venda in natura e transforma em polpa. Como de costume, os irmãos Behling reservaram em torno de 4 toneladas de maçãs, em câmara frigorífica a 1ºC, para a festa e que com o cancelamento terão recolocação no mercado.
Na propriedade, em que são cultivados ainda o pêssego e a ameixa, oito hectares são destinados aos pomares de maçã. O primeiro pomar, com mil plantas, foi plantado pelo tio em 2000 e atingiu a plena produção em 2003. Hoje são dez mil pés em produção e novas variedades estão em teste para a ampliação da atividade. A maçã possui ciclo semelhante ao pessegueiro, se mantendo em dormência durante o outono, quando a folha cai e florescendo em agosto, quando é feita a poda e condução do pomar. As primeiras frutas começam a aparecer em novembro e, em janeiro, estão prontas para serem colhidas. O clima da região contribui para que a fruta tenha uma melhor coloração e sabor diferenciado e adocicado. Parte do pomar, em torno de 50%, é irrigado por gotejamento.
Após a colheita, as frutas passam por classificação e seleção, antes de serem enviadas para o mercado consumidor. De novembro a janeiro, o trabalho na propriedade se concentra na colheita, classificação e distribuição do pêssego, ameixa e maçã, que são destinadas, na sua maioria, ao mercado in natura da região.



