Universidades da região buscam alternativas para cortes nos orçamentos

Edital de transferência, reopção, reingresso, portadora ou portador de diploma e retomada de estudos receberá as inscrições de 27 de outubro a 7 de novembro. (Foto: divulgação)

A recomposição de R$ 400 milhões ao orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) anunciado no final de maio pelo ministro da Educação, Camilo Santana não será suficiente para resolver os problemas financeiros enfrentados pelas universidades da Zona Sul. A partir disso os reitores buscam alternativas para evitar que a falta de verbas afete os estudantes.

Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que possui 17,3 mil alunos e um orçamento estimado em R$ 90 milhões para 2025, a reitoria tem evitado cortes que possam afetar a rotina das unidades acadêmicas. “A nossa primeira iniciativa foi reavaliar o planejamento, dialogar com as direções e buscar alternativas viáveis para otimizar recursos”, disse a reitora Ursula Silva. Até o momento, foram feitas apenas contenções em gastos com viagens.

A reitora da UFPel relembra que a limitação orçamentária vem desde a pandemia da Covid-19 e reconhece que o cenário atual pode comprometer algumas ações, no entanto, garante que a administração está trabalhando com “responsabilidade e diálogo” para minimizar esses efeitos. “Somos uma universidade reconhecida pelo compromisso com nossos estudantes e estamos empenhados em garantir que o impacto sobre eles seja o menor possível”, ponderou.

Dentro deste contexto, evitar cortes em auxílios e bolsas estudantis é visto como uma obrigação. “São recursos fundamentais para a permanência e o sucesso acadêmico de nossos estudantes. Mesmo diante das restrições orçamentárias, esse compromisso segue como uma de nossas prioridades”.

Unipampa terá dificuldade de pagar terceirizados
A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – onde estudam 10,9 mil estudantes, sendo 400 no campus de Jaguarão – não conseguirá manter seu funcionamento integral. “Para o funcionamento pleno seriam necessários mais recursos através de uma suplementação.

Nossos compromissos têm reajuste anual de aproximadamente 10%. Então, o orçamento do ano anterior não é suficiente para o ano seguinte”, explicou o reitor Edward Pessano.
De acordo com o pró-reitor administrativo, Paulo Filho, a redução do orçamento não impactará nos estudantes, mas a universidade chegará ao fim do ano sem dinheiro para pagar contratos de empresas terceirizadas, como vigilância, portaria, motoristas e limpeza.

“A cada ano esses contratos têm uma previsão de reajuste e, realmente, o orçamento das universidades não acompanha o reajuste dos contratos. Então, nós tentamos, dentro da legalidade, o que está previsto no prazo que dá para ficar sem pagar o contrato. Logo vem o orçamento e nós fazemos o pagamento”, revelou.

Furg não responde
A Universidade Federal do Rio Grande (FURG), que possui 12,6 mil estudantes, foi a única da região cuja assessoria não respondeu aos questionamentos do JTR ou indicou um porta-voz para falar em nome da instituição.

Em uma matéria publicada no site oficial da instituição em 28 de maio a reitora Suzane Gonçalves disse que a recomposição anunciada pelo governo é insuficiente para resolver a situação e que seria necessário buscar alternativas de suplementação ao orçamento da FURG.

A nota, no entanto, não dá detalhes das áreas afetadas e de como a falta de verbas pode afetar os estudantes.

Entenda o caso
No início do ano o governo anunciou o congelamento de R$ 31,3 bilhões do Orçamento 2025 para atender às regras fiscais. A medida atingiu em cheio às instituições de ensino federais.

No dia 27 de maio, o governo anunciou que fará a recomposição de R$ 400 milhões no orçamento de 2025 das universidades e institutos federais de ensino. Além disso, R$ 300 milhões que estavam retidos por decreto serão liberados.