Veríssimos

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

Luis Fernando Veríssimo fará 88 anos em breve e foi tema de impactante matéria recente no jornal Brasil de Fato.

Nela, o jornalista Eugênio Bortolon compartilha a conversa que teve com a esposa do escritor, Lucia, a qual revelou: “ele vinha lidando bem com a doença de Parkinson até que, no início de 2021, teve um AVC que atingiu a parte cognitiva. Ironicamente, quem sempre lidou com as palavras começou a apanhar delas. As palavras escapam…”.

Já famoso como escritor, humorista, tradutor, roteirista e cartunista, o conheci em Pelotas quando integrava um grupo de jazz, onde tocava muito bem saxofone.

A convite do Marco Antônio Loguercio Collares, fui assistir ao ensaio do grupo que estava se preparando para tocar no Clube Comercial, o crooner era seu primo, Sabino Loguercio, também conhecidíssimo pelos antigos bailes da reitoria em Porto Alegre. No intervalo, quando os primos começaram a colocar os assuntos animados em dia, Luis Fernando venceu sua famosa timidez e incorporou-se àquele pequeno grupo de conversa, onde rimos muito ouvindo as histórias daqueles primos da cidade natal do “Analista de Bagé”.

Algumas vezes depois reencontrei Luis Fernando, tímido, mas muito simpático, inclusive na feira do Livro de Pelotas, onde lançou algumas obras e as autografou.

Neste ano, 2025, fará 50 anos do falecimento de seu pai, Érico Veríssimo, e muitas homenagens a ele estão programadas para ocorrer em todo o Brasil, especialmente na cidade de Cruz Alta, berço do grande escritor de “O Tempo e o Vento” e tantas outras obras que até hoje encantam quem as lê.

Seguramente haverá homenagens e lembranças a Érico Veríssimo em Pelotas, onde fez conferências, vendeu livros e teve uma minissérie da Globo – baseada em sua obra – gravada quase integralmente na cidade nos anos 1990, “ O Incidente em Antares”, com cenas no Areal, no Porto, no Canal São Gonçalo e em outros lugares que projetaram Pelotas nas telas Brasil a fora. Naquela Minissérie, a Globo contratou – com papel passado – mais de 700 figurantes e prestadores de serviço na cidade e que fizeram bonito.

Luis Fernando, o filho de Érico, em Pelotas, autografou ‘Traçando Paris”, “Traçando Nova York”, “Traçando Roma”, em parceria com Joaquim da Fonseca, grande desenhista e aquarelista que ilustrou as obras.

Eu tinha esperança que Luis Fernando fizesse um “Traçando Pelotas”, já que o Fonseca desenhou vários prédios da cidade, ou seja, estavam prontas as estampas para a obra. Aliás, essa possibilidade foi assunto em nossa última conversa em uma tarde de autógrafos na Praça Coronel Pedro Osório, onde teremos nova Feira do Livro em breve, certamente com publicações da lavra dos dois Veríssimos.

*José Henrique Medeiros Pires é Licenciado em Estudos Sociais pelo ICH UFPel, Especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha e jornalista e radialista