José Luiz Kessler inicia segunda gestão na Associação Rural de Pelotas

Um dos principais objetivos do presidente é a modernização do Parque Ildefonso Simões Lopes. (Foto: Lyllian Santos)

Aos 70 anos, o pecuarista natural de Porto Alegre, José Luiz Kessler, assume a presidência da Associação Rural de Pelotas (ARP) pela segunda vez, com a missão de preparar o caminho para o centenário da Expofeira de Pelotas — a mais antiga feira agropecuária do Rio Grande do Sul —, que, neste ano, realizará sua 99ª edição.

Na segunda-feira (26), Kessler visitou o JTR acompanhado da nova assessora de Comunicação da ARP, Joana Christ, e concedeu uma entrevista exclusiva sobre os desafios da nova gestão e, principalmente, sobre a realização da 99ª Expofeira de Pelotas.

Leia os principais trechos e confira a entrevista na íntegra no canal do YouTube do JTR.

Jornal Tradição Regional: Este não é seu primeiro mandato na presidência da ARP. Como se deu esse retorno?

José Luiz Kessler: Retorno agora à presidência com o sentimento de missão transitória. Fui eleito pela primeira vez em dezembro de 2015, para o biênio 2016-2017. Agora, assumi novamente para tentar dar continuidade ao excelente trabalho do Augusto Rassier, que fez uma gestão espetacular. A presidência da ARP é voluntária, exige muito esforço e comprometimento. E eu, por já ter passado pela presidência e acompanhado outros presidentes, sei que essa cadeira tem peso, demanda bastante esforço e é um pouco solitária, se não tiver um grupo alinhado e conectado.

JTR: E quanto à estrutura da Associação Rural, há planos para o Parque Ildefonso Simões Lopes?

JLK: Sim, isso é um grande desafio. O parque é enorme e precisa de modernização, pois lá em 1928, quando houve a permuta da área da Praça 20 de Setembro com a atual área das Três Vendas, precisava-se de uma área de campo para receber muitos bovinos, pois os leilões, naquela época, reuniam três mil, quatro mil animais. Já a ideia de desenvolver o parque não é nova. Iniciamos esse projeto ainda na minha gestão anterior, com divisão de licenças ambientais e projetos arquitetônicos. Naquela época, esse projeto foi levado à Câmara de Vereadores, que simpatizou muito com a ideia, mas não se encontrou um investidor. Passa-se o tempo, há uma nova abertura de prazo e aparece um investidor com um projeto que foi aprovado pela Associação Rural e apresentado para a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), que encaminhou à Câmara de Vereadores. Acho que seria bem recebido na Câmara, não fosse num período pré-eleitoral, quando as questões de origem política se atravessam, algumas vezes, nas questões racionais da proposta.

JTR: O projeto envolveria a venda de uma parte do parque, certo?

JLK: Sim, a ideia era desmobilizar cerca de 18 hectares e propiciar à cidade uma melhoria no fluxo de trânsito, porque você liga a Dom Joaquim com a Salgado Filho e a República do Líbano. Nós podemos harmonizar a área preservada com o desenvolvimento daquela região. Como a questão acabou judicializada, agora precisamos esperar o final do processo, e acho que, nesses 12 meses de mandato, não vai se resolver.

JTR: O Parque Ildefonso Simões Lopes necessita de manutenção e investimentos. Como a Associação Rural está lidando com essa demanda?

JLK: Esse é um dos principais desafios da nossa gestão. Como pessoa física, me sinto responsável ao abrir o parque para um grande evento sem que as obras de manutenção estejam adequadamente resolvidas. Nossa prioridade é atender a essas necessidades, mas não de forma paliativa. Não queremos apenas reparos pontuais, nosso objetivo é criar condições para realizar, com o tempo, uma transformação completa.

JTR: Que tipo de transformação é pensada?

JLK: As ideias são muitas. Há sugestões de soluções como um centro de palestras, boulevards cobertos para proteger o público, já que realizamos a feira em outubro, quando as chuvas são frequentes. Também se pensa em estacionamento pavimentado, banheiros renovados, pintura geral e infraestrutura adequada, para oferecer a qualidade que a região merece. Acreditamos que essas obras trariam benefícios duradouros, bem-estar para os frequentadores e orgulho para toda a Zona Sul. Seria um parque de referência, à altura do potencial da nossa região.

JTR: E sobre a Expofeira 2025, que será a 99ª edição, o que podemos esperar?

JLK: A Expofeira sempre teve como essência unir o rural e o urbano. Esse conceito será mantido. A feira é um ponto de encontro e deve continuar aproximando o produtor rural do cidadão urbano, mostrando de onde vem o alimento e a importância do agro. Estamos avaliando o posicionamento atual da feira e da associação para projetar um evento à altura do centenário.