
Fundada em 2008 e em atividade desde 2012, a Cooperativa dos Produtores Agrícolas do Monte Bonito (Coopamb) inaugura uma nova fase de crescimento ao realizar a primeira distribuição de sobras financeiras para os cooperados nestes quase 13 anos de atividades. Inédita entre as cooperativas da Agricultura Familiar da região, a distribuição de parte importante das sobras financeiras aos sócios que entregaram produtos na cooperativa em 2024 foi aprovada durante assembleia ordinária, realizada na quinta-feira (6), na sede da entidade, no 9º Distrito de Pelotas.

Para o presidente da cooperativa, Nilson Scheunemann, este resultado representa uma grande vitória, principalmente pelas inúmeras dificuldades enfrentadas pelos produtores no passado. Além disso, se torna um marco importante para o cooperativismo da região, por ser a primeira distribuição de sobras no sul do Estado. Segundo Scheunemann, a distribuição deve ocorrer em forma de percentual igual a todos sobre as notas de venda de cada um. “Estes recursos devem ser investidos nas propriedades pois é uma novidade para eles”, ressalta.
A cooperativa, que começou com 22 famílias, opera atualmente com mais de 80 associados. “No momento, estamos em fase de crescimento e abastecendo da merenda municipal, os dois batalhões de Pelotas, restaurantes da Norte Sul, IFSul e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com doação simultânea às cozinhas solidárias e Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá”, elencou o presidente.
A Coopamb, que tem como associados produtores de Pelotas, Rio Grande, Morro Redondo e São Pedro de Alcântara, foi criada para ajudar no escoamento do grande número de produtores com hortifrutigranjeiros. “Tivemos um grande apoio da Prefeitura Municipal juntamente com a Emater”, destaca.
A família da produtora Tânia Maria Müller será uma das beneficiadas com os recursos distribuídos pela cooperativa e já tem planos para o dinheiro extra: investir na produção de bergamotas, um dos principais produtos entregues à Coopamb. A produtora trabalha ao lado do esposo Evaldo Müller, do filho Thainã e da nora Giohana Peter. “Eu estou muito feliz com esta vitória da Coopamb, pois foram muitos anos de luta, passamos por maus bocados, mas nunca abandonamos e acreditamos que daria certo”, disse. Conforme Tânia, a cooperativa trouxe aos produtores uma alternativa a mais para comercializar seus produtos, além da Ceasa, e bem mais próximos de casa, onde são entregues classificados e embalados conforme as necessidades de mercado.
E o resultado foi muito comemorado pela Unidade de Cooperativismo da Emater, que desde sua criação, já assistiu mais de 40 cooperativas da região de Pelotas e Bagé. Para o responsável pela Unidade de Cooperativismo e extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Marcos Protzen, a distribuição de sobras financeiras para os cooperados marca o início de uma nova etapa do cooperativismo na região. “O exemplo dado pela Coopamb é a afirmação do princípio fundamental do cooperativismo, que é a organização coletiva dos agricultores com o objetivo de melhorarem sua renda a partir da comercialização da sua produção”, afirma.
Protzen garante que o resultado econômico da cooperativa se deve, em primeiro lugar, às boas práticas de gestão da cooperativa, que atua de forma transparente junto aos seus cooperados e, em segundo lugar, às políticas públicas federais para as compras públicas. “A cooperativa participa ativamente das chamadas públicas e é tida como exemplo de prestação de contas para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) executado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)”, pontua.
Somente em 2024, foram comercializadas mais de 45 toneladas de alimentos, que foram doadas para famílias em situação de vulnerabilidade. Outro apoio fundamental para alcançar o resultado é a assistência técnica que os agricultores familiares recebem do escritório municipal da Emater de Pelotas. Para o chefe em exercício da Emater de Pelotas, o extensionista rural Marcelo Monteiro, a atuação do colega André Mackedanz demonstra e ratifica a importância da Política de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), que permitiu aos agricultores melhores resultados produtivos. “Essa ação acontece diariamente com a orientação para o manejo dos sistemas de produção, a habilitação dos agricultores familiares com a realização da CAF (Cadastro do Agricultor Familiar), a elaboração de projetos de crédito, o planejamento de produção, entre outras ações importantes de assistência técnica e extensão rural”, salientou Mackedanz.



