Produção de fumo ainda é a atividade que oferece maior renda ao pequeno produtor

O casal Maicon Tiago Voss e Tatiane Ehlert planta tabaco na propriedade localizada na Santa Coleta, interior de Arroio do Padre. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

O casal Maicon Tiago Voss, de 35 anos, e Tatiane Ehlert, de 31, até tentou desistir da produção de tabaco, há alguns anos, quando tiveram toda a produção destruída pelo granizo. No entanto, viram que a renda obtida em um ano de trabalho era maior do que qualquer outra atividade, como o plantio de hortaliças, por exemplo. “É a renda que vai nos dar o sustento durante todo o ano”, afirmam.

Na comparação com a soja, Voss ressalta que uma lavoura de fumo em boas condições, com rendimento médio de três mil quilos por hectare, se vendida como no ano passado a R$ 30 o quilo resulta em renda de R$ 90 mil por hectare. “Na soja se tira em torno de 50 sacos por hectare. Se vendido a R$ 135, vai dar entre R$ 6 mil e R$ 7 mil por hectare. Fora o custo, te sobra de R$ 1 mil a R$ 2 mil por hectare”, garante o produtor.

Em mais uma das inúmeras safras na propriedade localizada na Santa Coleta, interior de Arroio do Padre, o casal já concluiu a colheita dos mais de 75 mil pés plantados na safra 2024/2025 e está em fase final de secagem ou cura das folhas. O resultado esperado é de, pelo menos, 700 arrobas do produto. “No ano passado, colhemos mais de mil arrobas”, diz Voss.

Os produtores já concluíram a colheita dos mais de 75 mil pés plantados na safra 2024/2025 e está em fase final de secagem ou cura das folhas. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Segundo o produtor, a quebra se deu em função de doença que apareceu na lavoura, em dezembro, e que provocou a perda de, ao menos, um hectare da cultura. A classificação ocorre nos meses de março e abril, e a comercialização de acordo com o comportamento do mercado e preços de venda.

Para o próximo ano, a intenção é reduzir um pouco a área, já que o produtor é o pioneiro no município no uso da tecnologia de secagem por carga contínua e, agora, também representa a marca de fabricante de Santa Catarina. O secador de carga contínua vem ao encontro de um dos gargalos da atividade, que é a escassez de mão de obra e está no mercado há pelo menos sete anos.

Para o próximo ano, a intenção é reduzir um pouco a área, já que o produtor é o pioneiro no município no uso da tecnologia de secagem por carga contínua. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Com oito câmaras de carregamento diário, o equipamento garante a cura em sete dias, com qualidade e evitando que o produtor tenha que ficar vigiando o secador. Além disso, evita o esforço físico, tem menor consumo de lenha, energia e emissão de CO2 no ar.

Segundo Voss, a tecnologia vem sendo adotada nas últimas três safras por produtores na região e veio para aposentar de vez as antigas estufas de alvenaria. O produtor garante que os benefícios são inúmeros e vale o investimento, que fica entre R$ 170 mil e R$ 192 mil, conforme o financiamento, se pela fumageira ou direto com o banco. “Além de conforto ao produtor, oferece segurança contra incêndio e permite acesso remoto ao painel de controle pelo celular”, salienta.

Situação das lavouras na Zona Sul

De acordo com levantamento da Emater/RS-Ascar Regional, já foram colhidas 85% do total das lavouras estabelecidas de tabaco. A área implantada ficou em 27.363 hectares com 8.977 produtores envolvidos na safra 2024/2025.

Segue a colheita e, ao mesmo tempo, a secagem do tabaco colhido. Estas atividades devem se estender para o mês de março, quando é aguardado o encerramento da colheita da safra 2024/2025. Os produtores relatam aos técnicos da Emater a aceleração da maturação das folhas de tabaco devido ao clima quente, seco e à alta radiação solar, o que pode comprometer o planejamento da secagem das folhas nas estufas. Produtores do 4º (Triunfo) e dos 6º Distritos (Santa Silvana) de Pelotas e de Amaral Ferrador apontaram a ocorrência de granizo durante as últimas precipitações, com danos severos nas lavouras transplantadas mais tarde. No geral, danos pelo arranquio e encarquilhamento das folhas das plantas de tabaco, inutilizando as folhas para a colheita e secagem. Danos localizados apenas, pois a cultura está com a colheita adiantada. Negociações de reajustes nos preços do tabaco seco estão em curso. Os preços variam entre R$ 280 e R$ 350 a arroba.

O tabaco no Brasil

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de tabaco, com 541 mil toneladas, e o maior exportador mundial, com 512 mil toneladas – o que representa 85% da produção e um faturamento anual de R$ 13,63 bilhões. Destas, 508 mil toneladas são produzidas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, que juntos obtêm uma receita de R$ 11,7 bilhões. Os dados se referem à safra 2023/2024 e foram divulgados pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

São 133.265 famílias envolvidas e 284.184 hectares plantados em pequenas propriedades de 509 municípios. Somente o Rio Grande do Sul garante um faturamento de R$ 5,26 bilhões, com 68.582 famílias produtoras, 125.997 hectares plantados e uma produção anual de 219.992 toneladas. O setor gera ainda 2,06 milhões de empregos diretos e indiretos e R$ 16,7 bilhões em impostos arrecadados.

Com uma área plantada de 8.997 hectares, Canguçu é o maior produtor de tabaco do Sul do país e do Estado, totalizando uma produção de 18.156 toneladas e 4.964 famílias envolvidas. São Lourenço do Sul é o quarto maior produtor do sul do Brasil e o terceiro do Estado, com 13.991 toneladas produzidas, 7.283 hectares plantados e 3.784 famílias envolvidas.

Na zona sul do Estado, há produção ainda nos municípios de Arroio do Padre (1.079 hectares semeados, 562 famílias envolvidas e 2.073 toneladas produzidas); Cerrito (três hectares, duas famílias envolvidas e seis toneladas produzidas); Morro Redondo (26 hectares, 16 famílias envolvidas e 52 toneladas produzidas); Pelotas (3.035 hectares, 1.628 famílias e 5.830 toneladas); Pinheiro Machado (dois hectares, duas famílias e quatro toneladas); Piratini (82 hectares, 45 famílias e 165 toneladas) e Turuçu (568 hectares, 312 famílias e 1.091 toneladas).