
O acesso a novas tecnologias e sistemas de produção tem aberto um grande espaço para fortalecer a presença do jovem no campo, no entanto, manter a juventude ligada à produção rural tem sido um grande desafio nos últimos anos.
O êxodo rural tem mudado as características econômicas de regiões que sobrevivem e dependem economicamente de trabalhadores e produtores rurais, por isso o esforço para criar um alto nível de pertencimento e identidade com as práticas no campo tem recaído sobre as novas gerações. Esse enraizamento deve ser estimulado com o fomento de geração de emprego e renda na área rural e muito disso passa por políticas públicas e ações promovidas por órgãos que representem o setor produtivo.
Em Arroio Grande, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais tem buscado através do movimento sindical inserir cada vez mais os jovens na tomada de decisões e no desenvolvimento de atividades que proporcionem uma maior fixação do jovem no campo. Dentro dessas ações, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, João César Larroza, explica que o assunto não se pauta em apenas promover a sucessão rural, mas sim manter de fato toda uma cadeia produtiva, por isso a instituição busca disseminar conceitos junto à Comissão Municipal da Juventude Rural que visa fortalecer esse entendimento.
“Os jovens envolvidos em nosso grupo de agricultores familiares tem a missão de aprimorar, principalmente os conceitos de produção saudável, incentivando a produção familiar com a menor utilização de agrotóxicos, manejo da terra e de forma responsável respeitando os recursos naturais”, explica Larroza.
Aqueles jovens que optam por continuar a atividade dos pais possuem a consciência de que são o futuro da produção, como é o caso de Cibelle Peres, de 26 anos, que mantém as atividades no ramo da pecuária. A jovem conta que sempre manteve uma vida no campo estudando em escola rural e vivenciando a realidade de uma jovem ligada às atividades de produção.
“Acredito que seja necessária a presença do jovem no campo, com isso surgem novas ideias. Mesmo sendo muito difícil o sustento no campo, é importante a manutenção da atividade e isso passa por nós jovens”, declara Cibelle.
Luiz Felipe Acosta, de 19 anos, enxerga na educação o caminho para manter suas ações no campo, por isso optou por continuar os estudos em uma escola agrícola, destacando que sempre gostou das atividades que envolvem o trabalho rural, por isso busca a formação em técnico agropecuário. Ele destaca que é muito difícil os produtores abrirem a mente e aceitarem as novas ideias propostas pelos jovens, por isso acredita que a atuação dos jovens junto ao Sindicato colabora para essa mudança de mentalidade. Acosta é a prova de que a educação no campo e o ensino técnico é o caminho para a renovação das cadeias produtivas e a porta para novas oportunidades na zona rural.
Luis Carlos Moreira, de 16 anos, é outro jovem que tem experimentado a vivência com o movimento sindical, atuando nos encontros de jovens rurais que acontecem por todo o Estado. Ele entende que a valorização do jovem passa pela prática, dessa forma adquirindo experiência e assumindo o papel protagonista dentro da atividade.
Pensando no futuro, os jovens acreditam que essa geração está mais preparada para dar continuidade ao trabalho dos pais, mas para isso necessitam de oportunidades, já que no campo há um grande espaço para o crescimento se houver o pensamento de que é possível ter uma vida cômoda e sustentável no meio rural. Ainda, a Comissão Jovem está buscando se integrar às ações da comunidade e do próprio Sindicato, por isso possuem um projeto de criação de hortas orgânicas para as escolas, mostrando para os alunos a vivência dos agricultores familiares e como são os sistemas de produção.



