Doceiras dominam a arte de transformar a melancia em delícias doces e salgadas

A banca das doceiras, denominada Delícias da Melancia, é comandada por Neli, junto com o o marido Élbio Guimarães e as irmãs Teresa e Vera. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Pegue a versatilidade da melancia e acrescente a criatividade da doceira Neli Lemos Guimarães, de 72 anos, e suas irmãs Teresa e Vera, e o resultado será mais de 40 produtos artesanais, doces e salgados, derivados da fruta símbolo do município. A cada ano, a lista só cresce e inclui desde os docinhos tradicionais, como brigadeiros, ninhos, quindins e rapaduras até os cristalizados feitos com a casca e a polpa. Entre os salgados, uma melancia palha (prima da batata palha) tão sequinha e deliciosa quanto, além de conservas com e sem pimenta, entre outros.

E é exatamente esta mistura de produtos que estarão em exposição e venda durante a 22ª Expofesta Regional da Melancia e 13ª Feira Regional da Agricultura Familiar de Pedro Osório. A banca das doceiras, denominada Delícias da Melancia, comandada por Neli, o marido Élbio Guimarães e as irmãs, além de um ponto de vendas, é quase uma atração turística, pois ninguém sai sem um produto e uma explicação detalhada de como cada um é produzido.

A lista de iguarias produzidas a partir da melancia só cresce e inclui desde os docinhos tradicionais, como brigadeiros, ninhos, quindins e rapaduras até os cristalizados feitos com a casca e a polpa da fruta. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Das melancias destinadas a confecção das iguarias para a festa, uma atividade que começa quase um mês antes do evento, com a produção de kits de produtos (amostras de licor, melanciada, rosquete, cuca, casquinha cristalizada e cascão), nada é desperdiçado. Tudo vira algum tipo de doce ou salgado, após ralado, seco ao sol, cozido, enfim, seja lá qual for o preparo, o resultado é sempre algo muito delicioso. O queridinho é o sorvete de melancia, feito com a polpa vermelha e que faz o maior sucesso na Festa, não só pelo calor da época, mas pelo sabor natural e refrescante da fruta. Neste ano, elas pretendem testar a produção de quindim com a famosa melancia de polpa amarela.

Segundo Neli, da fruta se aproveita tudo, desde a água para o suco, a casca para os cristalizados e até a semente, que após torrada e moída, dá origem a uma farinha muito especial. Rica em Ômega-6, vitaminas do complexo B, aminoácidos, minerais e antioxidantes, há quem diga que tem, inclusive, poderes afrodisíacos. A Prefeitura fornece em média de 30 a 40 unidades da fruta para a produção dos quitutes da Festa, sendo que as melancias devem ser obrigatoriamente cultivadas no município porque são mais doces.

A tradição doceira familiar das irmãs Lemos começou com a irmã mais velha, Noeli, falecida há dois anos, e continuou com Neli e as outras duas irmãs, que impactadas pela doença e posterior morte da irmã, resistiram por um tempo em continuar com a produção. Diante da insistência de amigos e familiares, elas retomaram as atividades com as velhas receitas e criação de novas. A presença na Festa da Melancia se dá desde as primeiras edições e se tornou obrigatória diante do sucesso e exclusividade de suas iguarias.

Confira algumas das delícias produzidas pelas irmãs Lemos:

Sorvete;
Sacolé;
Cristalizados;
Palitos de melancia;
Rosquete;
Conservas com sal;
Rapadurão;
Licor;
Doces banhados de chocolate;
Quindim;
Panelinha (também sem glúten);
Ninho;
Trufas;
Brigadeiro de semente;
Docinho Pedro Osório (massa de bem-casado recheada com geleia e melancia ralada);
Rapadura vermelha;
Rapadura branca;
Cocada ralada com melancia e coco;
Doce ralado;
Doce em calda;
Geleia;
Chimia;
Cuca recheada;
Pastéis suíços;
Molho de melancia com sal;
Roscas com calda de melancia;
Brigadeiro diet zero açúcar;
Melanciada;
Palitos com cobertura de chocolate;
Molho com sal para tempero;
Empadinha temperada;
Bombons no palito;
Crocante de melancia.