A falta de água que castiga quem produz alimentos na zona rural e pode causar racionamento em Piratini ainda mês, é responsável pela perda de 90% das lavouras de milho e feijão.
Sem chuvas significativas desde novembro, também na soja, carro-chefe do Produto Interno Bruto (PIB) do município, quase nada há a fazer, pois 90% das lavouras estão perdidas, o que deve ter consequências graves na economia da cidade.
Segundo a médica veterinária Marina Sinotti, chefe do escritório da Emater, o quadro se agrava a cada dia em que não há precipitação pluviométrica significativa, assim há pouco a ser salvo em várias culturas.
“Só não há perdas nas lavouras de arroz que tem apenas 650 hectares plantados. Na pecuária de corte as perdas atingem 40%, e isso vai se estender pelo restante do ano e próximas estações, pois o gado vai entrar no inverno muito magro e as vacas vão parir magras, o que ocasionará uma grande mortalidade de terneiros e o aparecimento de doenças”, explica Sinotti.
Ela disse que na ausência de alimentos produzidos na propriedade para alimentar os animais, como o milho, o produtor precisará comprar ração para suprir esta falta, e os preços devem ser bem mais elevados em virtude da estiagem.
Ainda, o cenário poderá ser pior: “Há um agravante, pois conforme os meteorologistas, teremos o fenômeno que chamamos de ‘geada no cedo’, que é a grada preta, que deverá se formar já em abril, e ocorrendo isso, nós não teremos a recuperação do campo nativo. Esse tipo de geada em 2011 matou árvores frutíferas e até eucalipto, espécie muito resistente, portanto o prognóstico para os meses a seguir é bem desfavorável a quem cria e produz”, prevê.
Além das culturas citadas, outras foram afetadas pela estiagem, entre elas melancia, abóbora, morango, pêssego e hortaliças em geral com perdas consideráveis. Destaca-se também as perdas nas hortas cultivadas para autoconsumo e subsistência, normalmente irrigadas pelos poços rasos (cacimbas) que também abastecem a maioria das residências no interior do município, sendo que estes se encontram secos ou tem seu uso racionado para que não falte água para consumo humano, o que já é realidade em centenas de residências nos cinco distritos de Piratini.




