Centro de Atendimento ao Autista de Pelotas celebra Natal com brinquedos e doces arrecadados para as crianças

O momento foi de confraternização entre os funcionários, pais e alunos do Centro (Foto: Divulgação)

Um piquenique natalino alegrou o fim de ano de mais de 550 assistidos do Centro de Atendimento ao Autista Dr. Danilo Rolim de Moura (CAA), em Pelotas. Durante a confraternização, as crianças e jovens receberam brinquedos e doces que foram arrecadados pela comunidade. O Centro recebeu doações para o brechó e o vereador Paulo Coitinho (Cidadania) doou pipoca para a festa. O momento foi de confraternização entre os funcionários, pais e alunos.

No pátio do CAA foi montada uma área recreativa para que as crianças pudessem brincar com cama elástica, pracinha, goleiras de futebol, entre outras atividades (Foto: Divulgação)

No pátio do CAA foi montada uma área recreativa para que as crianças pudessem brincar com cama elástica, pracinha, goleiras de futebol, entre outras atividades. A comida ficou por conta de cada um que contribuiu levando um prato com guloseimas. O momento também contou com música ao vivo.

Durante a confraternização, as crianças e jovens receberam brinquedos e doces que foram arrecadados pela comunidade (Foto: Divulgação)

“A festa estava muito boa, a Duda adorou não queria nem vir embora. Mas acho que eles poderiam receber mais ajuda! O pessoal de lá se vira pra fazer o melhor com o que tem. Acho que eles poderiam receber mais ajuda, tanto da Prefeitura como dos vereadores e empresas de Pelotas”, relatou Michele Gouvea, mãe da Maria Eduarda, de 13 anos, que é portadora do transtorno do espectro autista (TEA). Segundo ela, as pessoas têm uma pré concepção de que o Centro não precisa de ajuda por ser ligado à Prefeitura, mas a verdade é que as doações fazem muita diferença para o crescimento do CAA e também para os assistidos e familiares.

Michele reforça ainda a importância de confraternizações como essa para os portadores de TEA, sendo considerado um momento de liberdade no qual todos se sentem confortáveis e respeitados, sem o preconceito de quem não entende ou não conhece o transtorno. “Lá, ninguém olha pra eles com cara feia quando querem furar a fila dos brinquedos, ou ficam todo tempo perto da mesa da comida, ou pegam algo pra comer da mesa quando ainda não é a hora, ou dizem que não gostam de alguém, ou brigam e gritam… Lá, eles podem ser quem realmente são!”, garantiu a mãe.

Projeções para 2025

Conforme a diretora, Débora Jacks, a expectativa para o novo ano é a ampliação da equipe para que o Centro possa também expandir os atendimentos. Apesar de o número de assistidos ser de 550 atualmente, o CAA realiza semanalmente 854 atendimentos.

Somente em 2024, foram um total de 34.160. Isso porque há alunos que fazem mais de um tipo de atendimento no Centro. “Então, a nossa expectativa é que a gente consiga ampliar a equipe para conseguir garantir o atendimento de quem já está aqui e poder ainda ampliar esse atendimento. Porque uma questão é certa: sempre terão filas de espera porque sempre novos diagnósticos vão chegar, né? Então, essa necessidade a gente tem”, explicou Débora.

A equipe que trabalha no CAA conta com profissionais com pós-graduação e mestrado focados no TEA. A diretora afirma que o estudo é continuado no Centro o ano inteiro. “A gente tem um investimento grande em quem vem pra cá e instiga também ao estudo, a sempre evoluir, a sempre melhorar. E a nossa ansiedade é que, no próximo ano, a gente possa contar com uma equipe completa. E fizemos todo o nosso planejamento aqui, já encaminhamos, que é o que a gente deseja”.

“Acho que nosso Centro está esquecido pelo poder público e nossas crianças nem se fala! Acho que eles poderiam dar mais profissionais para atender lá, uma estrutura maior para que se possa chamar mais crianças da fila de espera e, para que isso aconteça, as que já estão sendo atendidas não podem perder as terapias”, apontou Michele. Ela também falou que poderiam ter profissionais da saúde como neuropediatras, psicólogos e mais fonoaudiólogos disponíveis no Centro.

Sobre o Centro de Atendimento ao Autista

O Centro de Atendimento ao Autista Dr. Danilo Rolim de Moura completou 10 anos em 2024 e foi primeiro a ser vinculado à educação no Brasil. Ao todo, a estrutura conta com 32 salas de atendimentos para crianças e jovens adultos com TEA. O Centro oferece assistência desde a intervenção precoce durante a idade escolar e também para os assistidos que não frequentam a escola regular.

São ofertados psicomotricidade, ludoterapia, educação física, arteterapia, tecnologia assistiva, terapia ocupacional e fonoaudiólogo. Em conjunto com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os alunos têm consultas com nutricionistas. As famílias dos alunos com TEA também recebem atendimento psicológico parental.

“Às vezes, também as pessoas não têm muita noção do nosso trabalho, elas vinculam somente ao atendimento. Quanto aqui, também a gente faz formação continuada direta, não só para professores, não só para dar assistência social, mas a gente faz para a comunidade de uma forma geral”, pontuou Débora. A diretora afirmou que o CAA já foi procurado por igrejas para pensar em atividades voltadas às crianças com autismo que frequentam o local.

Michele contou que o Centro do Autismo é de suma importância para ela e para a filha, que começou a ser assistida aos três anos. Ela disse que se não existisse o CAA, Maria Eduarda não teria as terapias que faz hoje em dia e que ainda está na fila da Secretaria de Saúde para os atendimentos que ela precisa, mas não estão disponíveis na instituição. “O pessoal do Centro é nota mil, nos ajudam em tudo. Ajudam muito com as escolas, dando ajuda aos profissionais que atendem as crianças na sala de aula, fazendo planejamento com o pessoal das escolas para que os autistas fiquem mais confortáveis. Eu costumo dizer que a Débora e a professora Mariana conhecem mais a Duda do que eu”, ressaltou Michele.

“A gente faz porque entende também que o nosso papel social é isso da inclusão, não só nos espaços de escola, mas em todos os espaços. Aqui [no CAA] é um espaço de pesquisa, que a gente tem retorno dela, tem publicações dela e que a gente faz todo um trabalho com as escolas de apoio de estudo de caso, de documento orientador”, finalizou Débora.