Por lá havia uma cancha de carreiras do tio Valdo Pires, pessoa conhecidíssima mundo afora. Domingo de sol, como de costume, uma multidão presente, correram dois ternos. No primeiro, ganhou um zaino dum alemão da Trapeira. No outro, deu o Lagartixa do Dr. Airton Corral. Partiram pros remates e se foram ao partidor. Quem dava bandeira era o Zé Guaraná, sujeito sério e competente, de julgador do Zaino, um magrela desconhecido, e do outro o tio Gerson Pires, já de tanque cheio e louco por um entrevero. Se ajustaram os parelheiros, baixou a bandeira e foi um griteiro.
Foi uma laúza bárbara, a tala comendo frouxa, vinham enredados como cascudos pretos em rede feiticeira. Passaram a linha de chegada com o Zaino de meio pescoço à frente. O tio Gerson só viu a poeira, o Dr. Airton cutucou o tio, o juiz colocou os dois frente a frente e perguntou: “como foi?”. Tio Gerson, encarando eles e com a mão de semear no cabo do pau de fogo, berrou: “Ganhou o Lagartixa de meia venta. O magricela tremeu nas bases e confirmou.
Periquito famoso locutor e Alemão
O meu amigo Periquito tinha um programa na Rádio Liberdade, de Canguçu, sucesso absoluto de audiência pela simplicidade e folclórico pelos foras. Ele comprou um cavalo, tido e havido como flor de bom lá pelas bandas de Santa Vitória do Palmar, e assinou o dito numa penca no Pantanoso, ficando pro desempate o Chamego, nome do parelheiro, e uma égua de Santaninha, que tinha uma certa fama, no grito de vieram foi um alarido só. Vinham parelhos cabeça com cabeça, mas o Chamego venceu por meio focinho. Na segunda-feira, programa no ar e ele narra o fato a sua maneira: “Xente, o careira foi braba, eu achava um barbada, mais o eguinha vinha no frente de cola em pé. O Chamego só foi come ela no chegada”.
Olhar
Às vezes, os olhos
São como estrelas pirilampas
Iluminando meu viver
Cá no fundo dessa pampa
Eu senti o que seria
Talvez um cometa perdido
Um risco na escuridão
Por isso prefiro um pealo
Tipo alma e coração
Te quero nos meus pelegos
Quietita cabelos revoltos
Preguiça de mulher amada
E o sabia nas laranjeiras acordando feliz em alvorada
Quero um mate tomado a dois
Com dedos se entrelaçando
E quando a noite chegar, esquecer o mundo te amando
Autores: Jotace x Marcelo




