Assalto na Arrozeira Pelotas gera prejuízo de milhões

Quadrilha invadiu unidade da Cascata e manteve trabalhadores reféns por cinco horas para roubar fios e cabos elétricos. (Foto: Divulgação)

O ataque de uma quadrilha especializada em furtos e roubos de fios e cabos de energia paralisou uma das unidades da Arrozeira Pelotas, espalhou pânico entre os trabalhadores e gerou um prejuízo de milhões de reais para a empresa. O crime, que aconteceu na madrugada de domingo (24), está sendo investigado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Pelotas. De acordo com dados da Brigada Militar (BM), desde o início do ano, aconteceram seis casos semelhantes em diferentes indústrias da cidade.

“O sentimento que fica é de completa insegurança. Hoje, tu não podes depender em nenhum momento do Poder Público. Aconteceu esse incidente e a gente percebe uma morosidade das forças de segurança. Ontem parecia que nada tinha acontecido. Então, a gente se sente totalmente desprotegido e vamos ter que gerar nossa própria proteção, vamos ter que botar vigilância armada, câmera de sensor de presença, com reconhecimento facial, muro de quatro metros de altura para tentar de alguma maneira criar alguma segurança para nós e, principalmente, para os nossos colaboradores. O nosso maior problema hoje não vai ser o prejuízo material, mas sim o prejuízo com o nosso pessoal, que está traumatizado e com medo”, declarou o empresário Éverton Portantiolo.

Empresário Éverton Portantiolo expõe a sensação de insegurança. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

A direção da Arrozeira Pelotas ainda calcula os prejuízos com os danos causados em estruturas elétricas, rede lógica, equipamentos e carros danificados pelos ladrões que invadiram, armados, a planta industrial por volta da 1h de domingo, renderam o vigia e funcionários, trancaram todos dentro de um contêiner e por aproximadamente 4h roubaram quilômetros de fios e cabos elétricos para extrair o cobre.

Além dos danos dentro da fábrica, os criminosos afetaram as operações da empresa, que é a quarta maior beneficiadora de arroz do Brasil e ficará com a unidade paralisada por, pelo menos, sete dias. Por causa do ataque, a firma também não vai conseguir cumprir com o prazo de entrega de uma carga de 765 toneladas de arroz vendida para os Estados Unidos e que deveria começar a ser embarcada nesta semana no Porto de Rio Grande.

O ataque

Conforme o relato dos trabalhadores, por volta da 1h de domingo, um grupo de sete homens encapuzados e armados invadiu a fábrica localizada às margens da BR-392 pelos fundos, rendeu o vigia e os outros 10 funcionários. Os empregados tiveram os celulares tomados pelos bandidos e foram trancados em um contêiner, enquanto um eletricista – sob a mira das armas e ameaças de morte – foi obrigado a indicar os pontos de acesso à rede elétrica subterrânea.

Os assaltantes usaram os carros dos próprios trabalhadores para arrancar os fios debaixo do concreto. Todos os veículos que estavam no pátio foram danificados pelos assaltantes para evitar que alguém pudesse persegui-los.

Quando o dia começou a clarear, por volta das 5h, a quadrilha fugiu levando a carga de quilômetros de cabos e fios. Algum tempo depois, os trabalhadores conseguiram abrir o contêiner e comunicar o assalto à polícia e proprietários da empresa.

(Foto: Divulgação)
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Outros casos

Segundo a BM, teriam sido relatados, desde o início deste ano, pelo menos, outros seis casos semelhantes por outros empresários da cidade. Os roubos aconteceram em indústrias de diferentes ramos de atividade, como frigoríficos, cerealistas, medicamentos e fábricas de fertilizantes.

A situação preocupa os empresários, que devem dar início a uma mobilização em busca de mais segurança. “Vamos nos reunir essa semana para conversar sobre o assunto, pois os empresários estão sempre prontos para colaborar com as instituições de segurança para ajudar a melhorar as condições de segurança na cidade, só que isso não está acontecendo e quando ocorre uma situação como essa, não se vê nenhum tipo de mobilização de ninguém”, declarou Portantiolo.

O que dizem as autoridades

O delegado Rafael Lopes, responsável pela Draco, diz que tanto o caso da Arrozeira Pelotas quanto outros semelhantes estão sendo investigados por sua equipe e que suspeitos já foram identificados. “Nós temos suspeitos e estamos com as investigações em andamento, mas não repassamos detalhes sobre investigações antes de fechar o inquérito”, afirmou.

O comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Paulo Renato Scherdien, disse que a BM atua de forma preventiva, através do patrulhamento ostensivo com base nos indicadores criminais. “Saturamos e intensificamos locais que apresentam um maior índice de delitos e ocorrido algum fato atuamos com nosso serviço de inteligência para análise da situação e antecipação a algum outro delito semelhante, com análise de imagens das câmeras, informações das vítimas além de outros dados colhidos no local”, afirmou.

Conforme Scherdien, logo após a comunicação do crime para a BM, foram feitas buscas nas imediações, com abordagens e patrulhamentos com a finalidade de localizar os autores.

O comandante afirmou, ainda, que no combate a venda de cabos e fios, a Secretaria Estadual de Segurança tem realizado, em todo o Estado, ações integradas de fiscalização de locais, que comercializam esse tipo de material usado e que, Pelotas, já recebeu edições desta operação.

1 comentário

  1. Deixar a segurança de uma empresa desse porte, para o poder público, é brincadeira.

    Claro que a empresa deve ter segurança privada.

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