
Nos dias 22 e 23 de novembro, o município realiza a 7ª edição do FestQuilombola, evento dedicado à valorização da cultura negra e à promoção da diversidade de etnias de Canguçu. Com o objetivo de celebrar e fortalecer a contribuição histórica do povo negro, o festival, realizado desde 2014, é um marco de representatividade cultural na região, atraindo comunidades quilombolas, estudantes e a população no geral.
Canguçu, repleto de riqueza cultural, apresenta influências significativas das imigrações alemã, italiana e africana. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município está entre os três no Rio Grande do Sul com o maior número de quilombos. Atualmente, são 16 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares, distribuídas pelos cinco distritos.
No entanto, até o surgimento do FestQuilombola, não havia um evento que contemplasse especificamente a cultura negra e suas contribuições. Em 2014, a historiadora e ativista do movimento negro, Ledeci Lessa Coutinho, então secretária de Educação, idealizou o Festival da Cultura Quilombola como forma de suprir essa lacuna. O objetivo inicial era ampliar o conhecimento sobre a cultura afrodescendente nas escolas, oferecendo oficinas de contação de histórias, danças e capoeira. Em pouco tempo, o festival se expandiu, ganhou visibilidade e adesão dos canguçuenses.
O FestQuilombola destaca-se não apenas como um evento cultural, mas também como um palco de representatividade para as crianças afrodescendentes. Através das tradições, vestimentas, pratos típicos e danças, o evento proporciona uma identificação positiva e reforça o orgulho da ancestralidade negra. Atualmente, o festival é realizado no Ginásio Municipal de Esportes Conrado Ernani Bento e conta com apresentações artísticas e culturais de ampla participação das comunidades quilombolas, que são fundamentais para a preservação e difusão desse conhecimento.
Com o FestQuilombola e outras iniciativas, como o projeto “Novembro o Ano Inteiro”, que promove atividades de conscientização ao longo do ano, o município cumpre a Lei 10.639/2003, estabelecendo a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. As comunidades quilombolas locais são protagonistas no festival e na preparação de atividades escolares, contribuindo com oficinas e ações educativas que fortalecem uma educação inclusiva.
Para que o evento reflita fielmente as tradições e demandas das comunidades, as modalidades, a organização e o regulamento do FestQuilombola são discutidos em conjunto com a Ong Ciem, entidade responsável pela integração das comunidades locais. O Centro de Integração das Entidades da Metade Sul (Ciem) mantém-se ativo neste processo, colaborando nas escolhas e modalidades do festival. Junto ao Núcleo de Etnias, que participa da mesa de avaliação do evento, o Ciem garante que a programação e as atividades do FestQuilombola representam a riqueza e diversidade cultural das comunidades quilombolas e afrodescendentes da região.
O evento, além de educar e entreter, contribui para a conscientização sobre a diversidade cultural e para a valorização da identidade negra em Canguçu. De acordo com Helen Gomes, uma das organizadoras do evento, as comunidades quilombolas do município têm uma presença ativa, especialmente na área rural, onde cada escola está inserida em territórios que envolvem uma ou mais dessas comunidades. “As escolas conseguem sensibilizar as lideranças quilombolas, que estão sempre presentes e ativas. As lideranças querem ser chamadas e incluídas em atividades e ações dentro das escolas, buscando um maior estreitamento das relações”, destaca.
A pedagoga também comenta sobre o crescimento no número de inscrições para o FestQuilombola, com expectativa de alcançar um recorde de participantes neste ano. “Estamos vendo um número crescente de inscritos para o evento, e, se essa tendência se mantiver, teremos um registro de inscrições”, afirma, reforçando o impacto positivo e o alcance ampliado do festival na comunidade local.



