
No início de 2024, o empresário catarinense Marciano Perondi (PL) não passava de um desconhecido para a população pelotense. Fora da comunidade ligada ao Colégio Praça XV – administrado por ele – quase ninguém sabia quem era. Na noite do domingo (27), no entanto, Perondi saiu da eleição com um capital de 86.474 votos que fazem dele a maior liderança do bolsonarismo no sul do Estado.
O feito de Perondi, apesar da derrota, não pode ser ignorado. A frente de um diretório municipal raquítico, dividido por uma dura disputa interna e com apenas 704 filiados, conseguiu montar e levar para a rua uma campanha para prefeito, tendo como principais adversários o candidato da atual gestão, Fernando Estima (PSDB), cuja campanha foi turbinada por centenas de cargos em comissão (CCs), um exército de candidatos a vereador e apoios gigantescos, como o do governador Eduardo Leite (PSDB), e a candidatura petista de Fernando Marroni (PT), um político histórico que costuma iniciar suas campanhas com o apoio de aproximadamente 30% do eleitorado.
Para travar essa luta desigual, Perondi contou com o apoio de Adriane Rodrigues (PL), uma vice-prefeita experiente e conhecida na periferia, cujo pai, Anselmo Rodrigues, governou a cidade duas vezes, e de uma militância aguerrida, que apesar de numericamente inferior, não mediu esforços para percorrer bairros e vilas em busca dos votos. E o resultado foi o mais surpreendente: dois vereadores eleitos e o candidato do PL no segundo turno. “Sou marinheiro de primeira viagem, entrei para a política em março e conseguir esse resultado foi muito importante”, disse.
Apoios de todos os lados no segundo turno
Ao contrário do que aconteceu no primeiro turno, na reta final, a campanha de Perondi foi inflada por apoios vindos de todos os lados e de todas as formas. Desde mais de 45 doações de recursos feitos por pessoas físicas até o desembarque de lideranças do PL estadual e regional para engrossar as fileiras.
Algumas delas questionadas, como o prefeito de Bagé, Divaldo Lara (PTB), investigado por fraudes e corrupção e cuja presença no comando da campanha causou mal-estar e afastou parte da militância que estava ao lado de Perondi no primeiro turno. Inclusive, a vice Adriane deixou de ser vista nas ruas e nos atos públicos ao lado do candidato até a última semana.
Outros como o deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB) reforçaram tanto o apelo popular da campanha quanto o antipetismo garantindo fôlego extra a Perondi.
“Foi minha primeira campanha, foi uma campanha muito longa, mas foi muito bonita e chegamos ao fim muito felizes com esse clamor popular de apoio a nossa candidatura. Não sei o que foi determinante para a derrota. Se houvesse menos abstenção, talvez o resultado poderia ser diferente. Por isso, apelamos para as pessoas irem votar e se fossem poderíamos ter revertido essa eleição, mas agora é desejar que o prefeito eleito faça um bom governo para todos”, afirmou.



