
Durante a 98ª Expofeira Pelotas, o turismo rural e as rotas turísticas locais estiveram em evidência durante o 15º Seminário de Turismo Rural, evento que teve como tema “Do campo para o mundo, turismo conectado” e integrou a programação da Conferência Rural. Durante todo o dia, empreendedores, operadores turísticos e demais envolvidos com o segmento abordaram as principais lacunas encontradas no setor, apontaram soluções e apresentaram relatos de empreendedores que alcançaram seu posicionamento no mercado regional.
Entre eles, a empreendedora Marina Costa Alves, da Dom Feliciano Azeites, uma empresa familiar, fabricante do primeiro azeite extravirgem de Pelotas. Integrante do roteiro Doces Caminhos Rurais, na rota Caminho dos Imigrantes, o olival Dom Feliciano está localizado a 30 minutos do centro de Pelotas, na região da Cascata. Possui 15 hectares de área plantada e a extração do azeite é realizada na Fazenda Serra dos Tapes, em Canguçu. “Atualmente, a produção – que chegou a dois mil litros de azeite extravirgem na safra 2022/2023 – não justifica o investimento em um lagar, pelo custo elevado do produto”, explicou Marina Alves.
Atualmente, além da produção, o empreendimento investe também no turismo rural, uma diversificação da atividade em que são oferecidos aos visitantes hospedagem para até uma família por vez, visitação ao olival para quem deseja entender um pouco mais sobre como é produzido o azeite, degustação, piquenique e trilhas. Também recebe eventos festivos e técnicos na propriedade.
Outra palestrante foi a proprietária da agroindústria Casa Amarela, Denise Igansi, que se diz uma apaixonada pelo turismo rural. “Além da agroindústria, temos um quiosque para venda dos produtos próprios, que são derivados de leite como queijos, doces de leite, ambrosia, pão de queijo, rapadurinhas, manteiga e também de parceiros”, salienta a proprietária. O empreendimento está localizado no Cerrito Alegre, no interior de Pelotas.
Luana Schiavon, filha do produtor agroecológico Nilo Schiavon, abordou a trajetória e vivências da família na construção do conhecimento em agroecologia desde 1995. Há cinco anos, a propriedade foi aberta para o turismo rural a fim de apresentar aos visitantes de onde vem o alimento produzido ali. “Tudo o que temos na propriedade hoje é fruto do que foi feito ao longo desses 30 anos”, ressalta.
No local, podem ser encontrados desde o cultivo de sementes crioulas, produção de uvas em consórcio com citros, armazenamento de água, sistemas agroflorestais, pitaias, flores, piscicultura, bem-estar animal, consórcios com porcos e galinhas, entre outros. “A diversificação da propriedade se dá dentro de uma pequena área, onde se pode ter inúmeras produções”, garante Luana.
O local serve ainda como espaço pedagógico de Educação do Campo para escolas e também recebe mutirões para manejo de palhada e roçadas, e cicloturismo ecológico. Além disso, possui agroindústria de frutas e inventos para a Agricultura Familiar. “Tudo vira aprendizado e a intenção é passar este aprendizado para outras pessoas”, destaca. A propriedade fica na Colônia São Manoel, 8º distrito de Pelotas.
Também falou sobre sua experiência o vinhateiro Divino Azevedo, que lançou a linha de vinhos finos D’Vinus. O desejo de ter sua própria cantina de vinhos começou a se concretizar a partir de 2017, quando iniciou a construção de um pequeno prédio em sua propriedade, na estrada Corredor da Gama, na Cascata, onde abriga atualmente a agroindústria D’Vinus. A produção é familiar e tem a participação dos pais, filhos, noras, genros e netos, sendo feita a transformação das uvas de qualidade em vinhos.

Em junho deste ano, a família passou a abrir a cantina nos finais de semana para venda direta ao público. O empreendimento também integra o roteiro Doces Caminhos Rurais, no Caminho das Memórias.



