Disputam o segundo turno em Pelotas Fernando Marroni (PT) e Marciano Perondi (PL)

O ex-prefeito Fernando Marroni (PT) foi o mais votado no primeiro turno com 68,4 mil votos e agora busca reforçar alianças para garantir a eleição, enquanto Marciano Perondi (PL) conseguiu 54,7 mil votos em sua primeira participação em um pleito e diz que a aliança primordial será com o povo para reconstruir o município, mas também não descarta apoio de demais partidos. (Foto: Reprodução/JTR)

Fernando Marroni, do Partido dos Tra­balhadores (PT), e Marciano Perondi, do Partido Liberal (PL), vão disputar o segun­do turno das eleições municipais em Pelo­tas. O pleito acontece no domingo, 27 de outubro, das 8h às 17h.

No primeiro turno, realizado no dia 6, Marroni conquistou 68.443 votos, 39,60% dos votos válidos (dados a todos os can­didatos). Já Perondi obteve 54.736 votos, 31,67%. Na terceira colocação vem Fer­nando Estima (PSDB), com 36.122 votos (20,90% dos votos válidos). O quarto co­locado foi Irajá Rodrigues (MDB), que ob­teve 6.785 votos (3,93% dos votos válidos). Na sequência, Reginaldo Bacci (PDT), com 6.514 votos, 3,77% dos votos válidos; e João Bourscheid (PCO), com 245 votos, 0,14% dos votos válidos.

A eleição no município contabilizou 188.131 votos totais, o que inclui 8.139 votos brancos, 4,33% dos votos totais, e 7.147 votos nulos, 3,80%. A abstenção foi de 60.500 eleitores, 24,33% do total de ap­tos a votar nas eleições 2024 na cidade.

Marroni defende a consolidação de uma frente ampla para mudar Pelotas

Menos de 48 horas depois de vencer o primeiro turno das eleições, Marroni re­cebeu o apoio de Bacci para a disputa do segundo turno. O gesto foi o primeiro de uma sequência de movimentos iniciados pelo petista para formar o que chama de uma “grande frente para fazer uma mu­dança segura”.

“Os apoios no segundo turno são mui­to bem-vindos, independente das ideolo­gias, pois queremos formar uma grande frente neste para fazer uma mudança se­gura e ter a nossa cidade como uma re­ferência de democracia e de um projeto republicano que temos no país, para es­tarmos ligados ao governo do Estado e ao governo do Brasil para resolver os proble­mas da cidade”, declarou.

O discurso de Marroni parece ter en­contrado eco exatamente onde não se esperava: no ninho tucano. Na quarta-feira (9), surgiram informações sobre di­vergências no diretório do PSDB com re­lação a qual candidato apoiar no segundo turno. A prefeita Paula Mascarenhas teria defendido o apoio a Marroni, enquanto o deputado federal Daniel Trzeciak diz pre­ferir estar ao lado de Perondi. Oficialmen­te, o partido não declarou sua posição e o presidente Gilmar Bazanella afirmou que “as lideranças estão amadurecendo a discussão”.

Enquanto os tucanos pensam por qual lado do muro irão descer, Marroni parte para a campanha e anunciou o lança­mento do Comitê Suprapartidário, nesta sexta-feira (11), para o qual convoca mili­tantes de todos os demais partidos a se juntarem à sua campanha.

“Todo apoio é bem-vindo, inclusive aqueles que têm outra opinião política, e a nossa mensagem é para resolver os pro­blemas de Pelotas e vamos aceitar ajuda de todos que querem, junto com a gente, com experiência, aliado com os progra­mas do presidente Lula, com o governo do Estado, para que nossa cidade possa se desenvolver”, disse.

Paralelo a isso, a campanha de Marro­ni aposta em atividades de rua e no apoio de nomes de peso da esquerda na cidade como a vereadora mais votada pela ter­ceira eleição consecutiva, Fernanda Mi­randa (PSOL); a vereadora reeleita e es­posa do candidato, Miriam Marroni (PT); o vereador reeleito, Jurandir Silva (PSOL); e o agora eleito, Ivan Duarte (PT).

Os prefeitos eleitos pelo PT na região, como Darlene Pereira, de Rio Grande; Zel­mute Marten, de São Lourenço do Sul; e Luiz Mainardi, de Bagé, também devem aparecer por Pelotas nas próximas sema­nas para reforçar as caminhadas da Nova Frente Popular.

Ex-prefeito Marroni (PT) foi o mais votado no primeiro turno com 68,4 mil votos e agora busca reforçar alianças para garantir a eleição. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Perondi diz que aliança primordial será com o povo para reconstruir o município

Prometendo manter-se fiel à promes­sa de estabelecer uma aliança somente com o povo para governar Pelotas, Mar­ciano Perondi tenta ganhar a simpatia dos eleitores e ampliar os 54,7 mil votos que o colocaram no segundo turno das eleições.

O desempenho obtido na primeira eleição que disputou em sua vida ani­ma o candidato, que puxa para si a res­ponsabilidade de ser o representante do bolsonarismo na maior cidade do sul do Estado. “Sou um marinheiro de primeira viagem, entrei na campanha para ganhar a Prefeitura de Pelotas e a primeira mis­são está cumprida. Agora, vamos melho­rar cada vez mais, porque aprendemos com os erros do primeiro turno e vamos vencer”, disse.

Ciente de ser necessário buscar uma ampliação da sua base de apoio, Perondi deixou claro estar aberto a conversas com todos partidos do espectro centro-direi­ta. “Vou conversar com todos eles e temos que eleger para governar Pelotas, mas quem quiser me apoiar tem que saber que minha aliança é com o povo”, afirmou.

Enquanto espera por uma posição ofi­cial do PSDB, Perondi já conta com o apoio do deputado Daniel Trzeciak, a quem elo­giou várias vezes em entrevistas durante a campanha do primeiro turno, e flerta com o Partido Progressistas (PP).

Ainda enquanto festejava a passagem para o segundo turno no Altar da Pátria, o candidato recebeu e conversou com o ex­-prefeito Adolfo Fetter Júnior (PP), que fez questão de ir até a avenida para abraçá-lo. Na quarta-feira, Perondi visitou a Expofei­ra de Pelotas acompanhado do ex-vice­-prefeito Fabrício Tavares (PP).

Apesar dos movimentos públicos de aproximação do PP com o PL, o presiden­te do Progressistas, Paulo Gastal, afirmou que a sigla que elegeu três vereadores – Arthur Hallal, Michel Promove e Rafael Amaral – ainda não foi procurado por ne­nhuma das candidaturas.

Enquanto os apoios locais não se defi­nem, Perondi alinhava a participação efe­tiva de lideranças estaduais do PL na cam­panha, com os pesados da direita gaúcha, os deputados estaduais Rodrigo Lorenzo­ni e Kelly Moraes e os deputados federais Luciano Zucco, Ubiratan Sanderson e Gio­vani Cherini.

Candidato do PL, Marciano Perondi, conseguiu 54,7 mil votos em sua primeira participação em uma eleição. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Tucanos se dividem e tentam superar derrota

Divididos com relação a quem apoiar no segundo turno das eleições munici­pais de Pelotas, as principais lideranças do PSDB no município ainda tentam en­tender os motivos da derrota do proje­to político que governou a cidade nos últimos 12 anos.

Ainda na noite do dia 6, Fernando Es­tima postou um vídeo nas redes sociais no qual aparece ao lado de Michele Alsi­na (União), que concorreu a vice na sua chapa. Em pouco mais de dois minutos, agradeceu a votação obtida e garantiu que permanecerá na cidade disposto a colaborar com o crescimento local e, mais uma vez, se colocou como uma alternativa à polarização política. “Que­ríamos entregar uma outra opção que não fosse a polarização política que está posta no Brasil, temos propostas muito claras, mas, enfim, a política é mais forte às vezes, e as pessoas gostam dessa po­larização, deste BraPel ou deste GreNal, e a gente compreende e respeita, e as urnas são soberanas”, declarou.

Evitando tomar partido a favor de um ou outro candidato, Estima argu­mentou que o PSDB deve conversar com todos os integrantes da base de apoio do governo Paula antes de se po­sicionar sobre o segundo turno.

Por outro lado, o deputado federal Daniel Trzeciak – apesar de não fazer declarações públicas – não deixa muitas dúvidas para que lado irá seguir. O par­lamentar, que é um crítico contumaz e ferrenho do governo do presidente Lula, tem sido elogiado por Marciano Peron­di ao longo do primeiro turno e, na car­reata final da campanha de Estima, fez questão de aparecer vestido com uma camiseta amarela da Seleção Brasileira, que desde 2018 tornou-se símbolo do movimento bolsonarista.

A prefeita Paula Mascarenhas, que por sua vez, sempre se posicionou con­tra o bolsonarismo e seus radicalismos, preferindo adotar uma postura conci­liadora e republicana teria defendido que o partido deveria apoiar Fernando Marroni. Nas aparições públicas pós­-eleição, como no lançamento da 50ª Feira do Livro e do projeto Arte na Rural da 98ª Expofeira, Paula não escondeu o desapontamento com o resultado das eleições, mas evitou tecer maiores co­mentários sobre o resultado, preferindo adotar um tom mais emotivo em seus discursos nos quais abordou algumas das conquistas de seus oito anos à fren­te da Prefeitura.

Fernando Estima, do PSDB, rompeu com o legado de 12 anos da sigla tucana à frente do Executivo pelotense ao ser o terceiro colocado no primeiro turno das eleições. (Foto: Adilson Cruz/JTR)