Capital Nacional do Doce: Pelotas comemora o Dia da Doceira e anuncia nova data da 30ª Fenadoce

Conhecida como a terra do doce, Pelotas também se tornou oficialmente a Capital Nacional do Doce através de Lei Federal sancionada pelo presidente Lula (PT) no dia 28 de abril. A origem deste reconhecimento vem dos famosos “doces de Pelotas”, uma tradição que originou a Fenadoce. (Foto: Samantha Beduhn/JTR)

O Dia Nacional da Doceira foi co­memorado pela primeira vez na quin­ta-feira (6). A homenagem, que já era realizada a nível municipal, em 2023 se tornou nacional com a Lei 14.749.

Conhecida como a terra do doce, Pelotas também se tornou oficialmen­te a Capital Nacional do Doce através da Lei Federal 14.867/2024, sanciona­da pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 28 de abril. A origem deste reconhecimento vem dos famo­sos “doces de Pelotas”, uma tradição que originou a Fenadoce.

“Esse titulo é realmente muito im­portante para nós e ele marca mais uma parte da nossa história” diz a presidente da Associação dos Pro­dutores de Doces de Pelotas, Simo­ne Maciel Jara Bica, sobre o reco­nhecimento da cultura e trabalho do doceiro. Simone ressalta ainda que a certificação ajuda a prote­ger a cultura da produção de doces, que é também uma tradição passa­da a cada geração entre os doceiros pelotenses.

De acordo com dados da Asso­ciação dos Produtores de Doces de Pelotas, não se tem precisão do sur­gimento da tradição doceira no mu­nicípio. Entretanto, é possível afirmar que a origem está ligada a influência de Portugal. E também, na década de 1860, Pelotas era considerada a cidade mais aristocrática do Estado devido ao investimento no charque. Por conta disto e aos negócios com o exterior, a cultura europeia estava cada vez mais presente e os doces eram servidos nos saraus peloten­ses. A produção era caseira e feita por mulheres. O açúcar era o prin­cipal ingrediente para diversas recei­tas como os camafeus, bem-casados, fios-de-ovos, papos-de-anjo, ninhos, quindins e os pastéis de Santa Clara.

Outro fator que contribuiu para a popularização dos “Doces de Pelo­tas” foi o fim da escravidão, que le­vou ao declínio das charqueadas e o surgimento dos frigoríficos – o que forneceu subsídios para uma proje­ção nacional dos doces. Na década de 1920, os doces passaram a ser di­vulgados comercialmente em todo o país. No mesmo período, os imigran­tes alemães, pomeranos e franceses que residiam em Pelotas começaram a cultivar frutas de clima temperado – o que deu início a produção de do­ces coloniais, como geleias, conser­vas, pastas, entre outros.

A forte cultura do doce no municí­pio originou, em 1986, a Feira Nacio­nal do Doce – a Fenadoce. O even­to é um espaço para que as docerias possam comercializar e apresentar para os turistas os “doces de Pelo­tas”. Além disso, também são vendi­dos diversos outros produtos, como roupas, utensílios para casa, artesa­natos e assim por diante.

A Fenadoce potencializou o co­nhecimento popular sobre os do­ces. Além disso, no Centro da cidade está localizada a “Rua do Doce”, um espaço em que as docerias se uni­ram para comercializar e divulgar a tradição pelotense. Atualmente, os produtos possuem o selo de proce­dência, que permite a identificação geográfica para que o consumidor de outro Estado tenha certeza da origem do doce. E o título de Capital Nacional do Doce reafirma as recei­tas pelotenses.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento, Turismo e Inova­ção, Gilmar Bazanella, a lei de Capi­tal Nacional do Doce traz benefícios para Pelotas como um todo. “A lei vem para amparar quando a gente fizer algum pedido de investimento para a região e para um setor como este”, afirma. Bazanella também diz que o título é importante para a cida­de no intuito de evitar a apropriação dos produtos e usar a nomenclatura de “doces de Pelotas” sem ter essa procedência, além de promover o trabalho das doceiras.

A Rua do Doce está localizada na Sete de Setembro, entre Andrade Neves e General Osório, no centro da cidade. (Foto: Samantha Beduhn/JTR)

Museu do Doce homenageia as doceiras

A exposição “Cadernos de re­ceitas: narrativas da tradição do­ceira” foi inaugurada no Museu do Doce, no Casarão 8 da Praça Coronel Pedro Osório, na quinta-feira (6) para comemorar o Dia Nacional da Doceira. Os visitantes podem conhe­cer os cadernos de receitas doados ou emprestados ao museu até o dia 30 de agosto. O intuito é apresen­tar as mulheres envolvidas na tradi­ção doceira.

As receitas estarão expostas nos espaços “quarto das meninas” e “quarto do menino” na sede do Mu­seu. Os cadernos foram posiciona­dos de forma cronológica para me­lhor entendimento das questões culturais e sociais da época em que foram escritos. Durante a visita, tam­bém é realizada uma atividade na qual os visitantes podem comparti­lhar receitas de doces para a elabo­ração do “Caderno Participativo de Receitas do Museu do Doce”.

30ª Fenadoce tem nova data

A 30ª edição da Fenadoce, que aconteceria entre 29 de maio e 16 de junho, precisou ser adiada devido às enchentes que atingiram o Rio Gran­de do Sul ao longo do mês passado. O adiamento foi anunciado no dia 6 de maio. A presidente da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas rela­tou que as docerias já tinham inicia­do os preparativos para a feira, épo­ca de aumento na produção. A nova data foi anunciada na quarta-feira (5), e a Fenadoce será de 17 de julho a 4 de agosto. Dessa forma, a preparação para o período retoma do zero.

“O motivo dessa feira daqui para frente, ao meu ver, seria para reer­guer o Estado”, afirma Simone. Ela acrescenta que a categoria está com esperança de que o público se mo­tive a ir para feira como forma de ajudar tanto o Estado como também Pelotas que foi atingida pela eleva­ção das águas. “O momento não é fácil! A gente está com medo e vai com medo mesmo, mas o momento é de otimismo e de pensar que va­mos conseguir fazer um bom traba­lho,” finaliza Simone.

Bazanella também afirma que a feira irá auxiliar na economia e na reconstrução das áreas afetadas. “Eu considero [a 30ªFenadoce] importan­te para a retomada do turismo. É um momento oportuno para a cidade como um todo,” disse ele. O secre­tário destacou que existe uma ex­pectativa de turistas durante a feira devido aos voos para Florianópolis e São Paulo que estão acontecendo no Aeroporto de Pelotas por conta dos serviços suspensos no Aeroporto In­ternacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Portanto, a parada em Pelo­tas pode despertar a curiosidade dos turistas em relação à Fenadoce.

O quindim é um dos doces mais tradicionais e procurados durante a Fenadoce. (Foto: Samantha Beduhn/JTR)