
“Após receber a notícia, me sentei em frente ao médico que estava tão comovido que falava comigo de cabeça baixa, pedi que me olhasse nos olhos e perguntei: doutor, o senhor está me dizendo que meu filho está morto?”. As palavras são de Grasiele Boaro Navarini. Para a maioria, o momento significaria o fim da jornada de um ente querido nesse plano. Não foi o caso dela que, após visualizar o doutor apenas balançar positivamente a cabeça ao não conseguir verbalizar a resposta, foi o momento de tomar a decisão que traduz um gesto de amor ao próximo: a doação de órgãos.
O drama da família Boaro Navarini, residente em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, teve início em 26 de dezembro de 2023. Os empresários Grasiele, de 32 anos, e Davi Navarini, de 37, eram pais de Luís Miguel, de 8.
Nos últimos dias de 2023, Miguel, uma criança até então saudável e cheia de vida, começou a sentir-se mal, inclusive, com sangramento pelo nariz e boca. Ao buscar ajuda médica, o casal foi informado, a partir dos exames realizados, que o único filho tinha Púrpura, doença autoimune que provoca, principalmente, a queda das plaquetas, fragmentos de células no sangue fundamentais para a coagulação, evitando hemorragias. O diagnóstico ocasionou a internação da criança por 17 dias, período necessário para o tratamento.
Após a alta, recomendações que incluíam repouso e a busca por um hematologista. O descanso foi em uma propriedade rural situada em Muçum, município onde os avós maternos de Miguel residiam. O local era o preferido do pequeno, que adorava ajudar o avô, Neuro, na lida comum à rotina do campo.
Duas semanas se passaram e, quando os pais decidiram retornar à sua atividade de lavagem de carros, Miguel resistiu ao retorno, sendo convincente: “Quando eu disse que teríamos que retornar para casa, ele falou: mãe, fica tranquila, renovei o contrato com meu avô por mais uma semana. Nesse momento senti dentro de mim que precisávamos ficar mais um pouco, pois ele estava feliz, brincando, fazendo o que queria, no lugar que amava e cercado das pessoas que ele gostava e que também o amavam”, recorda Graciela, sem ter ideia de que outra viagem com a família completa nunca mais aconteceria.
Ao final do descanso em meio à paz e a natureza do campo, no dia 1º de fevereiro o menino passou a ter mal-estar, cansaço, vômito, mas nenhuma dor. Só que naquela madrugada, ao ser acompanhado pela mãe até o banheiro, a face, em específico os lábios, começaram a se alterar, ficarem com certa deformação. Minutos depois, vieram a paralisia de todo lado direito do corpo e a fala confusa, o que levou à busca rápida por socorro que veio com uma ambulância equipada com Unidade de Terapia Intensiva (UTI), devido à gravidade do caso.
“No meio do caminho para o Hospital Tachinne, ele convulsionou, tornou a ter sangramento pela boca e nariz, e o médico que acompanhava o deslocamento, então me disse: mãe, seja forte, acho que vamos perder teu menino”, relembrou a professora, que decidiu abrir mão da carreira, mesmo sendo concursada, para viver todas as fases da vida do único filho.
Mesmo em estado gravíssimo, Miguel resistiu e chegou ao hospital. Não falava, estava inerte no leito, e veio a constatação: o goleiro de uma das categorias de base do Juventude havia tido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, mais grave.
Ele foi levado para a UTI, entubado, resistiu por cinco dias e, em 6 de fevereiro, o cabisbaixo médico, demonstrando estar abalado dado à situação que já desconfiava ser irreversível, chamou os pais do pequeno, momento em que informou sobre as providências a seguir para constatar ou não a morte encefálica.
“Os exames foram realizados e os resultados atestaram que, daquele momento em diante, caberia a nós a decisão de mantê-lo vegetando ou autorizar o desligamento dos aparelhos que o mantinham respirando. Entendi que isso não seria justo também conosco, mas principalmente, com ele, uma criança até então, cheia de vida”, relata a mãe.
Ela recorda que, no momento, não teve tempo para chorar, apenas para pensar “a vida do nosso filho não pode terminar assim”. “Rapidamente decidimos pela doação de todos os seus órgãos pois, desta forma, haveriam pedacinhos dele espalhados por aí, como, por exemplo, suas córneas implantadas em outros olhos, o que permitiria a outra criança voltar a enxergar esse mundo maravilhoso o qual vivemos, bem como, o seu coraçãozinho, que tornaria a bater em outro peito”, afirma.
Ao todo, oito crianças receberam os órgãos de Luís Miguel. Além das córneas e do coração, também foram retirados os rins, o fígado, pâncreas e os pulmões, e, em meio à perda trágica que oportunizou o gesto de amor, outra decisão foi tomada. “Sempre fui a favor da doação de órgãos, mas confesso que tudo o que passamos contribuiu para que eu e meu marido decidíssemos também nos declarar doadores”, revelou Grasiele.
Grasiele pontua que, mesmo conhecendo o prazer e a felicidade de ser mãe, não pretende ter outro filho.
“O tempo pode até me fazer mudar de ideia, mas acho que não quero engravidar outra vez, pois minha dor, aliviada por saber que, de certa forma, o Luís Miguel está vivo, será, acredito, intensa por muitos anos. Isso me faz ter medo de passar, caso tenha outro filho, por tudo de novo. Então, não, não quero me tornar mãe novamente”.
Ela lembra com carinho do filho e das atividades que realizavam juntos e que o filho irá permanecer, pelo menos em parte, nas crianças que receberam os órgãos.
“Meu filho era um ser feliz, gostava de ajudar o seu semelhante. Era disposto, cheio de vida, acordava todos os dias, sorridente, era carinhoso e viveu sua curta vida de forma intensa. O Miguel foi meu companheiro de vida, vivíamos um pelo outro, então, mesmo ciente de que isso é quase impossível dado às regras que integram a doação de órgãos, sim, eu gostaria de conhecer a todos que carregam um pedaço dele, principalmente, aquele ou aquela que recebeu o seu coração”.




Linda, a atitude desse casal que perdeu o Miguel, mas o ganhou em outras vidas que foram salvas graças a doação de órgãos.
Pode ser muito cedo, mas, com o tempo Deus presenteará esse casal quem sabe até com gêmeos e serão muito felizes e saudáveis, pra Deus nada é impossível.
A Missão do Miguel aqui na terra foi feita, e a de seus pais também. Deus sabe de tudo e de todos, irá confortar o coração desse nobre casal e seus familiares.
Um gesto dessa magnitude não tem palavras, o Miguel está vivo em algum lugar seu espírito é imortal.
Impossível não debulhar em lágrimas vendo uma história dessa, meu Deus, meu filho tem 8 anos, que Deus o proteja, nenhuma mãe está pronta pra perder o ser que mais ama aqui já terra.
Não sei como suportaria tanta dor
MEU DEUS QUE ESTORIA UFA
DEUS CONTINUE ABENÇOANDO ESSE CASAL ESSA FAMÍLIA.
LUIZ ESTA COM JESUS.
Estou em lágrimas aos meus 70 anos ,nunca vi uma mãe com tanto amor pra dar e ao mesmo tempo com seu coração sangrando de dor,só virgem Maria mãe de Jesus teve sssa atitude ,de dar amor ao próximo, e aumesmo tempo sofrendo sentindo a dor da perda de um filho,Jesus Abençoe essa família, e sabe mãe o seu Miguel está no reino de Deus juntos aos anjos dando Glória ao Senhor Deus .
Linda atitude, estou aqui chorando 😭 e lembrando da minha única filha Amanda, ela tinha acabado de completar 18 anos cheia de vida e dona de coração imerso, sem nenhuma comorbidade, no dia 16 de Agosto de 2023, ela deve um AVC, ainda ficou dois dias na UTI mas veio a óbito, fizemos o desejo dela fizemos a doação dos órgãos. Cinco vidas foram salvas. A dor e a saudade e muito grande Deus está cuidando de nós. Um dia iremos conhecer as crianças que receberam. Todos os dias oro pelas recuperação deles. Moro em São Luís – Maranhão
Sou muito favorável à doação de órgãos e imagino a dor desses pais,pois hoje faz 3 meses que perdemos nosso filho,em outra situação,ele morreu dormindo,tinha 54 anos e teve um infarto , perdemos nosso suporte!!! Mas muita força prá esses pais por terem salvado muitas crianças que aguardavam um órgão!!
Um gesto dessa magnitude não tem palavras, o Miguel está vivo em algum lugar seu espírito é imortal.
Em lágrimas por essa família e com o coração apertado meu neto tem essa doença se manifestou qdo ele tinha três anos quase o perdemos tbm graças a Deus foi atendido rápido no hospital pequeno príncipe em Curitiba. Hoje ele tem 12 anos faz acompanhamento com um médico hematologista com exames periódico não vi podendo descuidar nunca.
Graças a Deus ele está bem.
DEUS É BOM O TEMPO TODO!! O ESPÍRITO DESSE MENINO QUE É
AMADO E LINDO PARA SUA FAMÍLIA, E TODOS OS QUE O CONHECERAM, AGORA É UM DOS ANJOS DO SENHOR. PAZ E LUZ A TODOS!!