Prefeitura de Pelotas destrói todos os preceitos que criaram as Unidades Básicas de Saúde no Brasil

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

Aqueles que têm mais de 50 anos provavelmente devem lembrar que a população pelotense quando acometida de um problema de saúde que, consequentemente, se constituía como urgência ou emergência, o cidadão recebia atendimento em um dos 4 prontos-socorros que dispúnhamos no município.

Na Santa Casa de Misericórdia de Pelotas tínhamos um, com entrada pela rampa da Rua General Neto e prestava atendimento geral e fraturas. Na Sociedade Portuguesa de Beneficência de Pelotas, com entrada pela Rua General Osório quase esquina da Rua Gomes Carneiro, prestava atendimento geral e fraturas. No Hospital Miguel Piltcher a entrada era pela Rua Andrade Neves e prestava atendimento geral e fraturas, por fim, até onde minha memória permitiu, lembro do antigo Hospital de Clínicas, hoje São Francisco de Paula, o qual prestava atendimento pediátrico e odontológico, com entrada pela Rua Marechal Deodoro.

Nesta época, no Centro de Saúde, algumas consultas em áreas específicas, assim como, procedimentos ambulatoriais eram realizados. Contudo, a maioria das consultas ofertadas à população eram realizadas nos consultórios dentro do prédio do antigo INPS hoje INSS com entrada pela Rua Almirante Barroso.

A implantação das UBSs no Brasil foi iniciada na década de 1980, com a criação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), que tinha como objetivo levar o atendimento de saúde para mais perto da população, por meio de agentes comunitários que visitavam as casas das pessoas e identificavam problemas de saúde.

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) chamadas tradicionalmente de postinhos pela população dos bairros, também tinham como objetivo atender até 80% dos problemas de saúde da população, sem que houvesse a necessidade de encaminhamento para outros serviços, como emergências e hospitais.

Em Pelotas 40 anos depois, a falta de médicos, a pouca eficiência e resolutividade das farmácias distritais, a remoção de assistentes sociais, a falta de insumos para verificação do índice glicêmico em diabéticos, são algumas, dentre tantas outras situações recorrentes nas Unidades Básicas de Saúde do município. Não bastasse tudo isso, nos últimos dias, o Executivo pelotense determinou mudanças que provocou indignação na população pelotense.

Esse colunista recebeu diversas reclamações sobre mudanças no local de atendimento. Uma das reclamações provêm de uma família que reside ao lado do pronto-socorro, e, desde a construção e criação da UBS Sansca, na Rua Doutor Amarante, 919 logo na entrada da Vila Castilhos, consultavam e eram atendidos na referida unidade, distante 600 metros da residência da família.

Foi para estar próximo da população que as UBSs foram concebidas e construídas, no entanto, agora, Eduardo Lobão e sua família foram informados que não serão mais atendidos na UBS Sansca, volto a dizer, 600 metros distante da sua casa, e obrigatoriamente, serão atendidos na UBS Cruzeiro, 3 quilômetros de distância ou seja, ida e volta, são 6 quilômetros que a esposa do Lobão percorreu para ser atendida.

Além do Eduardo Lobão, recebi no Programa Hora Marcada na Rádio Tupanci, ligações de outros ouvintes. Um deles relatou que ele e a família sempre foram atendidos e consultavam na UBS Cruzeiro, pois moram a 500 metros da unidade, agora não podem consultar mais no local, são obrigados a consultar na UBS Navegantes 1,6 quilômetros de distância da sua casa, lembremo-nos, ida e volta 3,2 quilômetros.

Outro ouvinte declara que reside no Sitio Floresta e sempre levou seu filho pequeno para consultar na UBS Sítio Floresta e que, agora, é obrigado a levar o menino na UBS Jardim de Allah, 4 quilômetros distante, sendo que ida e volta perfaz um trajeto de 8 quilômetros.
São muitos os relatos que refletem a insatisfação com a mudança do local de atendimento nas UBSs. A prefeitura de Pelotas parece estar na contramão de todos os preceitos e motivos que criaram as Unidades Básicas de Saúde no Brasil.

O programa Hora Marcada e a Coluna Ponto e Vírgula esperam que algum servidor público ou até mesmo a prefeita responda as razões de tais mudanças. O silêncio ou a omissão sobre as razões técnicas que levaram a essas mudanças que pioraram o atendimento para a população será mais um desrespeito com a população pelotense.

A coluna aguarda resposta, para que todos saibam. A prefeitura recebe o exemplar físico do Jornal Tradição Regional, e faz a clipagem (processo contínuo de monitoramento, análise e arquivamento de menções feitas na mídia a uma determinada marca, instituição, evento e etc…) então, eles leem a coluna.