De Camaquã a Pelotas, motorista relata a rotina no transporte universitário e de turismo

Robson Ribeiro é responsável pelo transporte de universitários de Camaquã a Pelotas durante a semana. (Foto: Arquivo Pessoal)

Há 15 anos o camaquense Robson Ribeiro fez das rodovias sua segunda casa. É nas viagens diárias que ele transporta universitários de Camaquã para Pelotas, dedicando boa parte do dia ao trajeto.

De segunda a sexta, ao longo das noites da última década, o motorista leva estudantes às principais universidades da Princesa do Sul em uma rotina que inicia ainda de manhã. “A rotina é basicamente de manhã fazer revisão nos carros, limpar, às 16h45 a gente começa a recolher os alunos de Camaquã e vamos até Pelotas, lá a gente vai largando nas faculdades e até umas 19h15 por aí eu largo no último ponto, que é o Anglo, lá no Porto”, conta.

Após deixar os estudantes nas instituições de ensino, ele precisa esperar até o horário do fim das aulas para recomeçar tudo novamente. “Depois, às 22h começo a recolher os alunos de novo para retornar para Camaquã, em torno de 22h30 já estou saindo na BR 116, chego a Camaquã por volta de 00h30 e até largar todo mundo nas avenidas principais da cidade chego em torno de 1h em casa”, completa.

Além de todo esse trajeto durante a semana, Rodrigues também realiza viagens aos fins de semana. “A gente vai para todo lugar, Serra Gaúcha, litoral, Porto Alegre, Pelotas, enfim, onde solicitarem a gente vai”, garante. Para aplacar a saudade diária da família, ele revela que, quando possível, sua esposa e filha o acompanham nas excursões turísticas.

Mas esse tempo de estrada também foi marcado por desafios. “Passamos por algumas dificuldades na pandemia, foram praticamente dois anos parados e antes a gente tinha três carros, sendo uma van, um ônibus e um micro-ônibus. Vendemos o micro-ônibus e ficamos só com os outros dois para recomeçar de novo. Veio a pandemia e deu uma zerada no faturamento, tivemos praticamente faturamento zero nesses dois anos, só com despesas de documentação dos ônibus e da empresa”, detalha.

Mesmo com o fim do período de restrição e retorno das atividades escolares, a volta ao trabalho ocorreu em ritmo reduzido. “Conseguimos reiniciar o trabalho, mas com um movimento muito fraco, antes de parar nós estávamos com 85 alunos, quando recomeçamos novamente com 20 alunos, mas estamos indo, diariamente vai aumentando, aos poucos”, enfatiza.

O retorno à normalidade, no entanto, não eliminou as dificuldades e Ribeiro ainda se depara com obstáculos em sua jornada, desafios que encontra na calculadora. “As dificuldades que a gente tem é com o custo do transporte, que é muito alto, a gente paga nesse transporte de Pelotas diariamente em torno de R$ 125 por dia de pedágio. Nós temos aqui na metade Sul o pedágio mais caro do estado, e isso gera um custo alto no valor da passagem diária e no valor da mensalidade do transporte universitário”, diz.

Motorista também realiza viagens para outros pontos do estado, que também tornam-se oportunidades para estar junto da família. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele reforça que, junto aos custos de manutenção e combustível, o valor de cada viagem se torna um desafio. “Essa é a maior dificuldade, porque a gente tem que repassar esse custo, infelizmente quem acaba pagando são os clientes”, lamenta.

O dia a dia, intenso, por outro lado, já é algo que lhe é comum, sendo parte integral de sua rotina. “Eu passo viajando em torno de duas horas e meia na ida e duas e meia no retorno, então dá umas cinco horas diárias atrás do volante. Eu acho tranquilo, não é uma carga horária muito pesada, mas às vezes é cansativo, porque é à noite então tu já tem aquela rotina de quando tu acorda de manhã já vai trabalhar”, comenta. Rodrigues também é proprietário e motorista da empresa RCR Turismo e como tantos outros condutores passa horas de seu dia pelas rodovias do país.