Pelotenses iniciam viagem de moto rumo ao Alasca

Da esquerda para a direita, o grupo de amigos Valter Poetsch, Noredin Muhammad, Álvaro Grill e Renato Valli Sole. (Foto: Roberto Ribeiro/JTR)

Foi na manhã fria e ensolarada deste domingo (28) de final de outono no extremo Sul do país que quatro pelotenses roncaram os motores para uma viagem de moto de milhares de quilômetros somente na ida. O destino será Anchorage, maior cidade do Alasca, 49º estado americano. Até lá passarão por dez países das Américas do Sul, Central e Norte, enfrentarão desde temperaturas negativas nas proximidades da Cordilheira dos Andes a quase 50 graus no deserto de Nevada, nos Estados Unidos. Vão subir montanhas, cruzar desertos e empilhar na bagagem imprevistos e desafios que enriquecerão mais uma boa e nova história para contar sobre duas rodas. O retorno está previsto para fim de setembro, começo de outubro, início da primavera no hemisfério Sul.

Tanta estrada e tanto tempo longe de casa não assustam ou desanimam Valter Poetsch, Álvaro Grill, Noredin Muhammad e Renato Valli Sole. Nenhum deles, todos na faixa dos 60 anos, é motoqueiro de primeira viagem. Juntos, somam centenas de milhares de quilômetros sobre duas rodas, desde o Sul da Argentina, na Terra do Fogo, ao Equador, no Pacífico. Também já venceram outros milhares de quilômetros em território nacional – caso de Sole, que já fez a rota Pelotas-Porto de Galinhas (PE), ida e volta, com a esposa Roberta, ela também uma aficionada por motociclismo.

Aficionados, aliás, não faltaram nesta manhã. Havia às dezenas na garagem do hotel Marrocos, avenida Duque de Caxias, Fragata, ponto de partida do grupo Motoqueiros Selvagens – alusão ao filme homônimo de 2007, que começou despretensiosamente em 2014 no WhatsApp com poucos integrantes. Outros foram sendo incluídos e hoje são dezenas. “Havíamos marcado com apenas oito amigos e tem mais de 30 aqui para acompanhar nossa saída e nos desejar boa viagem, é a boa, velha e típica camaradagem do universo do motociclismo”, disse, entre um abraço e outro, o empresário Valter Poetsch.
Viagem

De acordo com Muhammad a ideia de reunir amigos dispostos a cruzar o continente rumo ao Alasca surgiu há quatro anos, em sua casa, no dia em que completava 56 primaveras. Foi quando lançou a proposta de uma grande viagem para celebrar os 60 anos, não apenas dele, mas também de Poetsch, que comemora aniversário dia 29 de dezembro, um dia após Muhammad. Na mesma faixa etária, Grill e Sole encamparam a ideia posta em movimento nesta manhã.

O roteiro prevê pernoite neste domingo na Argentina, onde entrarão via Uruguaiana. Na terça dormem em Salta, maior cidade do Noroeste montanhoso do país vizinho, e na quarta cruzam a fronteira do Chile. Depois tem Peru, Equador e Colômbia, onde acaba a estrada. Daí motos e motoqueiros serão obrigados a se dividirem. O reencontro será no Panamá, para onde as máquinas serão embarcadas em navio e o grupo de pelotenses segue de avião.

Daí em diante a viagem sobe a América Central. Passa por Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala e Belize, antes de chegar ao México. Aí vem Costa Oeste dos Estados Unidos, Canadá e, completando o trajeto de 21 mil quilômetros, Estados Unidos novamente, agora em Anchorage.

O retorno, sobre moto, será mais curto, mas não menos convidativo. O grupo pretende descer as cadeias montanhosas canadenses, retornar aos Estados Unidos pelo estado do Colorado e seguir em direção da Costa Leste, onde vai passar pela região dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá, o que os obrigará a incluir no roteiro cidades como Detroit, que durante décadas foi considerada a capital mundial das montadoras, Chicago, Boston, a capital Washington e Nova Iorque. O destino final em terras norte-americanas será Miami, na Flórida, última parada antes de voltar ao Brasil – agora por via aérea. No entanto, o primeiro destino foi Bagé, onde um grupo de amigos motociclistas os esperava para um almoço de confraternização neste domingo.

Poetsch não tem dúvidas de que vai valer a pena. “Todos nós estamos chegando aos 60 [anos] – é agora ou nunca mais.” Ele e os demais companheiros de estrada preveem uma viagem rápida até o Equador, apesar de não ser incomum se deparar com estradas bloqueadas, especialmente no Peru, onde comunidades indígenas recorrem ao expediente em forma de protesto para verem atendidas suas reivindicações. Até aí, nada que os preocupe. “Perrengue” mesmo não está descartado na Nicarágua, devido à instabilidade política, e México, estados da Baixa Califórnia, região que sofre com o narcotráfico. Por isso, no país, o grupo pretende rodar apenas de dia e pelas principais rodovias, conhecidas pelos pedágios caros. “Depois vira turismo”, diz ele. “Em termos de infraestrutura, Estados Unidos é superseguro, Canadá menos – e chato para entrar”, critica.

O que não é, de novo, motivo para preocupação. Com dezenas de milhares de quilômetros, diz estar pronto para sua “maior aventura” a bordo da BMW big trail, motor 1250. “Prontos” é resposta comum no grupo. Muhammad, que pilota uma moto do mesmo modelo, reconhecia um certo “frio na barriga” antes de pegar a estrada rumo ao destino escolhido. Mas confia na experiência de quem já foi e voltou de moto até a Terra do Fogo, no Sul da Argentina, e percorreu a carretera astral, no Chile, até o deserto do Atacama, entre outras viagens.

Experiência, por sinal, ali todos têm. Em apenas um ano, Grill já rodou 28 mil quilômetros em sua Adventure 1250. Já fez com ela, cujo modelo escolheu por conforto e segurança, a rota Pelotas-Machu Picchu, no Peru – trajeto que durou 36 dias. Ao deserto de Atacama, no Chile, já foi duas vezes. Com 64 anos de idade, repete o discurso dos demais companheiros: “Não posso mais adiar, tem que ser agora”.

Único xavante do quarteto, Sole não podia estar mais tranquilo antes da partida para “a última fronteira”. Garante que a big trail BMW 1200, ano 2014, está pronta para qualquer empreitada que porventura surgir no caminho. Por isso, entre outros motivos, não pensa em dificuldades. “Viagem de moto é muito saborosa, numa velocidade média tranquila a gente vai só apreciando a paisagem, chegar é um detalhe, o que conta é o caminho”.

A viagem do grupo pode ser acompanhada em instagram.com/selvagensnoalaska/  e youtube.com/@SelvagensNoAlaskaOficial

6 comentários

  1. Boa tarde!
    Se me permitem uma correção, neste trecho:
    “Também já venceram outros milhares de quilômetros em território nacional – caso de Muhammad, que já fez a rota Pelotas-Porto de Galinhas (PE), ida e volta, com a esposa Roberta, ela também uma aficionada por motociclismo”, o casal certo é Renato Valli Solé e Roberta, não Mohammad, como mencionado.

    Meu nome é Roberta Dias Tomaschewski e sou a esposa do Renato Valli Solé.

  2. Olá.
    Caramba, que história inspiradora.
    Eu também pretendo fazer das viagens de moto uma rotina.
    Parabéns ao quarteto!
    Aguardamos as imagens!

    • Olá, que maravilha, que esse quarteto vai fazer. Desejo uma boa viagem pra eles, que tenham uma boa viagem, que aproveitem muito a viagem. Abraços aos viajantes, em especial ao Álvaro Grill, meu colega.

  3. Que aproveitem muito essa viagem maravilhosa. Boa viagem a todos, especialmente ao Álvaro Grill, meu colega.

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