Turuçu: Produção municipal chega a 200 toneladas de morango e 20 variedades de pimenta

Pimenta também possui espaço, especialmente pela grande variedade disponível. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Não é por acaso que morango e pimenta merecem festa em Turuçu. O município atravessado pela BR 116 no trecho entre São Lourenço do Sul e Pelotas tem na agricultura familiar seu principal pilar econômico. E é justamente no morango e na diversidade da sua produção de pimenta, que turbina as atividades de pelo menos dez agroindústrias localizadas na área rural, que o setor tem seu maior impulso.

Entre tantos produtos que estarão no pavilhão de 600 metros quadrados destinado à agricultura familiar na Festa, incluindo artesanato e floricultura, o que não irá faltar são derivados de pimenta. De uma infinidade de geleias, passando por outros tipos de doces, como ambrosia, também vai ter cuca, queijo, molhos, panificados e até sorvete. Sim, sorvete. A variedade impressiona até quem é do ramo e trabalha junto aos produtores, como a veterinária Alessandra Storch, chefe do escritório municipal da Emater. “Não sei se tem algo parecido no Brasil”, especula.

Mas nem sempre foi assim, embora a tradição no cultivo da pimenta remonte aos tempos em que Turuçu era um distrito de Pelotas, então chamado Vila Lange – devido ao curtume que funcionava em uma ampla instalação hoje abandonada no lado direito da BR-116, sentido São Lourenço. Época em que Pelotas e arredores concentravam plantas industriais do setor de conservas – entre as décadas de 1960 e 1980 do século passado, e a região era reconhecida como polo produtor de alimentos.

No entanto, diferentemente de hoje, a pimenta era uma espécie de monocultura – cultivada em grandes áreas somadas de pequenas propriedades e apenas uma variedade – a dedo de moça.

Atualmente, o cultivo da pimenta no município não ocupa mais que um total dez hectares. Pouco? Pode parecer. Mas o suficiente para alavancar as dez agroindústrias em atividade no município. Detalhe: nove delas administradas por mulheres. “A única que está em nome de um homem tem a produção comandada por uma mulher”, diz Alessandra, com orgulho.
Foi por meio das geleias que se começou a agregar valor à produção de pimenta em Turuçu – o que Alessandra Storch chama de primeiro estímulo.

Geleias serviram para agregar valor à produção de pimentas no município, impulsionando as vendas e as agroindústrias. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

E, aqui, o componente cultural teve papel importante. Com apoio da Emater/RS-Ascar e a participação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), receitas familiares de chimias (do alemão schmiers – espalhar) à base de pimenta começaram ser feitas em maior escala, impulsionando o comércio dos produtos. Logo, foi necessário estabelecer um ponto comercial para oferecer a produção artesanal. Com recursos públicos foi criada a Casa da Pimenta, espécie de pórtico turístico do município, na beira da BR-116. “Era só uma pecinha, diferentemente de hoje”, lembra Alessandra.

O negócio cresceu (a Casa da Pimenta também) e daí surgiram as agroindústrias, promovendo sucessão familiar, inserindo novas gerações de produtores, agregando valor e abrindo possibilidades. Alessandra discorre as vantagens: “É uma experiência que tem demonstrado que ficar [na zona rural] pode ser alternativa, garante vida com bem-estar e qualidade, há acesso à internet, as estradas são boas, se chega rápido na área urbana e em cidades vizinhas”, aponta.

Produção de morangos no município chega a 200 toneladas e estará disponível no Pavilhão da Agricultura Familiar. (Foto: Adilson Kems/JTR)

Sua colega na Emater em Turuçu, a agrônoma Janaína Silva da Rosa, acrescenta um outro ponto importante na consolidação da agricultura familiar no município: o perfil do produtor. “Em Turuçu é diferente de qualquer outro município onde já trabalhei”, diz. Segundo ela, os produtores “não têm restrição”. “Tanto no morango como na pimenta, a maioria compra a ideia, não tem medo de novidade, a tendência sempre é de aceitar o desafio do novo”, elogia.