Começa a auditoria do SUS na Santa Casa de São Lourenço do Sul

Crise no hospital obrigou município a decretar situação de emergência. (Foto: Tatiane Klumb)

Auditores do Departamento Nacional do Sistema Único de Saúde (Denasus) chegaram na quinta-feira (26) a São Lourenço do Sul para iniciar uma auditoria na Santa Casa de Misericórdia. O trabalho deve durar aproximadamente 15 dias. Na quarta-feira (25), o prefeito Zelmute Marten (PT) decretou situação de emergência em saúde por causa da crise instalada no hospital. De acordo com o prefeito as justificativas para a medida são o desatendimento da população e informações que demonstram a falência do atual modelo de gestão do hospital. Entre as medidas buscadas pela Prefeitura está a escolha de uma nova diretoria para gerir a Santa Casa.

“Nossa expectativa é de que a auditoria identifique os problemas da gestão, especialmente com relação a cobrança dos serviços que vêm sendo feita ao governo estadual e sobre a aplicação dos recursos, pois desde janeiro do ano passado o Ministério da Saúde repassou, através do Estado, R$ 15 milhões para o hospital”, disse o prefeito.

Durante as próximas duas semanas a equipe do Denasus irá acompanhar as rotinas e procedimentos da Santa Casa para fazer um diagnóstico da situação da instituição.
A Prefeitura, por sua vez, mantém ativo um plano de contingências que prevê o reforço das equipes de outros serviços para absorver a demanda que não tem sido atendida pelo hospital.

Crise e denúncia
No final da semana anterior, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), apresentou à Prefeitura uma série de denúncias com relação a gestão do hospital. De acordo com o Simers os salários dos médicos estão atrasados e alguns estariam sendo convidados a prescrever tratamentos e medicamentos sem a realização do atendimento integral dos pacientes. Para isso iriam receber 45% do valor da hora trabalhada.

“O Simers acompanha com grande preocupação a grave crise vivida pela Santa Casa de São Lourenço do Sul. A atual gestão da instituição tem se mostrado absolutamente incapaz de garantir o mínimo de organização, previsibilidade e responsabilidade com os médicos e com a população. O rompimento do contrato por parte da empresa terceirizada, por falta de pagamento, somado aos salários atrasados dos médicos e à iminência de furos nas escalas de plantão, escancara uma administração desastrosa, que compromete diretamente a assistência à comunidade lourenciana”, declarou, em nota, a delegada regional do Simers na região, Renata Jaccottet.

Direção da Santa Casa não se manifestou
O JTR procurou o provedor da Santa Casa, Cristiano Altenburg e o diretor financeiro Valnei Brose para que apresentassem a versão da direção do hospital para as denúncias feitas pelo Simers. Apesar de informarem que uma nota seria divulgada sobre o assunto, até o fechamento desta edição, não a recebemos.