
Nos últimos anos, os agricultores enfrentaram uma série de desafios, desde as adversidades climáticas até as mudanças no mercado. Neste contexto, o Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de São Lourenço do Sul desempenha um papel crucial há 58 anos, fornecendo suporte e serviços essenciais para esse público.
Atualmente, um dos principais obstáculos que ameaçam a produção agrícola no município é a recorrência das estiagens, além de chuvas abaixo do esperado. “Estamos perdendo produções bastante importantes devido à estiagem. Tivemos no mês de março mais um foco deste ano bem severo, que deixou marcas bastante pesadas na nossa agricultura”, destacou Valnei Bröse, presidente do Sindicato.
Com exceção da fumicultura, que enfrenta os desafios facilmente por conta das características do cultivo e o uso de sistemas de irrigação em algumas propriedades, outras culturas passam por constantes dificuldades. Além da estiagem persistente, o aumento dos custos de produção causam obstáculos significativos para os agricultores, que precisam adaptar algumas ações.
“A gente tem acompanhado, olhando a agricultura familiar, a migração de algumas atividades para outras. Alguns produtores estão diminuindo a produção de soja e de milho na propriedade e plantando pés de fumo a mais para poder administrar essa situação. As médias propriedades e as propriedades que já vêm desenvolvendo uma área um pouco maior de soja estão tentando administrar a prorrogação de alguns empréstimos para poder fazer esse movimento de recuperar o equilíbrio”, completou.
Para Bröse, as principais demandas da agricultura obrigatoriamente precisam ser também as prioridades do Sindicato. Nos últimos anos, a dinâmica de mercado mudou consideravelmente, com os produtores enfrentando desafios como a escassez de espaços para negócios de menor escala. Essa mudança trouxe novos obstáculos, como a complexidade burocrática associada à implementação de sistemas como o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) Fiscal e a nota fiscal eletrônica, por exemplo.
“Hoje, esse é o maior desafio para quem está na propriedade e com certeza será superado. Nosso agricultor é persistente. Mas, além de ser superado, o agricultor precisa adequar sua propriedade a essa nova realidade. Isso é uma demanda bem importante”, disse.
De acordo com o presidente, a agricultura familiar responde por cerca de 75% a 80% da economia do município, tendo a metade diretamente ligada à fumicultura.
Os agricultores estão constantemente buscando inovações, experimentando novas técnicas de manejo e aprimorando suas práticas agrícolas para enfrentar os desafios impostos pelo clima e pelo mercado.
“A maior economia hoje está dentro do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de São Lourenço do Sul. Olhando a economia do município, então não temos como descrever a importância, porque ela é a engrenagem mãe de todo o processo. As condições climáticas e as estratégias, o produtor sempre busca inovar, fazer experimento e novos manejos, aprimorando manejo versus resultado. E tem várias situações que o produtor tem adotado”, completou.
Ainda existem dificuldades que impactam diretamente nas decisões e no desenvolvimento das propriedades. Uma das principais limitações é a disponibilidade de energia elétrica, especialmente em regiões rurais, onde a infraestrutura nem sempre é adequada para atender às exigências normativas, como a refrigeração do leite conforme as portarias vigentes.
Diante deste cenário, muitos produtores têm dificuldades em cumprir as exigências em razão da falta de capacidade energética nas propriedades, o que acaba afetando a qualidade e a segurança do produto final. Por outro lado, existe uma crescente busca por inovação e tecnologia por parte dos agricultores, com investimentos em novos equipamentos e técnicas de produção.
“Nenhum campo cresceu tanto quanto a agricultura. Somente cresceu os campos vinculados à agricultura devido a grande demanda, mas ao mesmo tempo um setor que cresce, ele sofre pressão também de ajustes. Então, é o que nós estamos vivendo dentro desta conjuntura agrícola e meios ambientais, querendo criar limitadores em todos os sentidos. É o mercado se impondo e a pressão de atualização documental dentro das propriedades. No momento em que a propriedade cresce, tu cria outras obrigações. Então, o produtor está precisando se atualizar muito rápido dentro dessa conjuntura”, pontua Bröse.

Plano Safra
O Plano Safra, vital para o setor agrícola, também passa por turbulências em meio a um cenário econômico delicado, marcado por altas taxas de juros.
Nos últimos tempos, o Sindicato observou uma tendência preocupante de retrocesso nos incentivos e no apoio à agricultura por meio do Plano Safra. Este ano, mais uma vez, as perspectivas não são animadoras, com a previsão de um plano que se mostra difícil de ser executado e discutido.
A situação é agravada pelo anúncio de portarias que tendem a impor limitações ao setor agrícola. Além disso, existe o percalço para lidar com um conjunto de regras e complicações adicionais, sem perspectivas de grandes mudanças nas taxas de juros ou na simplificação dos financiamentos.
“Então, a discussão do Plano Safra é muito intensa e já estivemos reunidos em algumas oportunidades nos últimos dias para poder discutir algumas linhas no Plano Safra, mas com certeza muito trabalho ainda nos aguarda até o final do mês de maio para o fechamento do Plano Safra, que é com certeza uma expectativa muito grande por parte dos nossos produtores”, contou Bröse.
Outras situações do Sindicato
Além de representar os agricultores, o Sindicato também se estabeleceu como uma importante instituição de prestação de serviços, oferecendo assistência em áreas como aposentadoria rural, assistência social e acesso a programas governamentais, como o Crédito Fundiário. Sua atuação tem sido fundamental na obtenção de financiamentos para aquisição de terras, possibilitando a permanência e a sucessão de jovens na agricultura familiar. No último ano, o Sindicato



