
Há 13 anos, o Piquete Mulher Gaúcha fundado no dia 3 de abril em São Lourenço do Sul por Taila Jacobsen Serpa, com a união de esforços entre integrantes desmembradas de outro piquete, tem a missão de enaltecer e valorizar a figura feminina do Rio Grande do Sul através da dança, contribuindo para a preservação da cultura do estado.
“Nosso foco principal é valorizar a mulher gaúcha – mulher brava, valente, corajosa, tanto as que fizeram parte da nossa história como as da atualidade, do nosso cotidiano, como nós mesmas, nossas mães, filhas, avós, entre outras. Desta forma, trazemos nas nossas apresentações, entre outros, este tema relevante para que quem nos assista possa refletir sobre como a mulher foi e é importante para a construção do nosso Rio Grande”, destaca Caroline Cabaldi Pereira, de 38 anos, advogada e tesoureira do “Mulher Gaúcha”.
Entre as atividades que estão sendo preparadas para a festividade do Mês Farroupilha estão as apresentações do grupo de danças do piquete, que se encontra na etapa de ensaios e na produção de cenário. As apresentações vão percorrer algumas cidades da região como Arambaré, Cristal, Pelotas e Turuçu.
Atualmente, o piquete conta com 30 integrantes com idades entre nove e 60 anos. Mulheres reais que conciliam o cotidiano da vida, como casa, filhos, faculdade, com os ensaios e reuniões do piquete que acontecem ao longo do ano.
Por meio da música gaúcha, da dança e das tradições incluídas nas atividades do piquete, as integrantes conseguem traduzir seus anseios e memórias, sentindo a força da mulher gaúcha, que é transmitida, entendida e parabenizada pela comunidade.
“Somos muito bem acolhidas pela comunidade lourenciana que sempre nos apoia em nossas promoções como almoços, rifas, patrocínios, entre outros. Além de termos o apoio de nossos familiares que sempre nos enaltecem e nos apoiam em nossas peleias”, disse Caroline.
Desde a fundação do piquete, as coreografias são criadas pelo instrutor Diego Barreto, sendo a única exceção masculina no grupo das mulheres. Sem ele, o trabalho das integrantes do piquete não seria o mesmo, como relata a tesoureira.
“Brincamos em dizer que ele é a única exceção que abrimos, e que ele é sim uma ‘mulher gaúcha’. Ele é um profissional da mais altíssima qualidade, que hoje leva seu conhecimento para o estado do Paraná, onde reside e trabalha na cidade de Toledo como instrutor e coreógrafo no CTG Chama Crioula”.
A força das mulheres
Ainda no século XXI, as mulheres enfrentam alguns obstáculos relacionados ao machismo no tradicionalismo. Ao falar sobre o papel que as integrantes desempenham no piquete e na cultura gaúcha, Caroline frisa que o machismo continua presente nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), embora as mulheres exerçam a função de patroa na realidade local. “Quando lemos histórias gaúchas, a figura do homem vem como principal, como aquele que lutou e construiu o Rio Grande. Mas não podemos esquecer que, para que esta conquista acontecesse, ele tinha a figura da mulher na estância, que muitas vezes lutava ao seu lado, e outras tantas ficavam cuidando do campo, do gado, da casa e dos filhos. Foi a mulher quem deu condições para que o homem pudesse partir com a certeza de que, ao voltar, seria ela quem o receberia”, destaca.
O piquete valoriza o respeito, e é por ele também que elas dançam e se unem, visando encorajar e mostrar a todas as mulheres que elas podem e merecem mais do que exercer a figura de “dona de casa”. “Desejo que as mensagens, que levamos através da dança e da própria existência do Piquete, cheguem em cada um de uma forma que possam entender que a mulher teve e tem um papel importante na construção da nossa sociedade, na formação histórica, social e cultural do Rio Grande do Sul”, conclui.
Agenda de apresentações
17/09: Comunidade Fátima
17/09: Parque de Eventos Arambaré
18/09: CTG Farrapos (Pelotas)
18/09: CTG Turuçu
19/09: Integração do Piquete Mulher Gaúcha
20/09: Desfile tradicional
23/09: Escola São João (Reserva)



