São Lourenço do Sul: A solidariedade que transforma vidas

Cleusa em uma das arrecadações. (Foto: Arquivo Pessoal)

No dia 8 de março foi comemorado o Dia Internacional da Mulher – data histórica que há mais de um século é celebrada em razão dos direitos econômicos, políticos e sociais conquistados ao longo dos anos. Neste contexto, a história da lourenciana Cleusa Maria Pereira Cardoso, de 55 anos, pode ser um dos exemplos que destacam a força feminina e da ajuda ao próximo.

Mãe de dois filhos e funcionária pública, desde 2018 realiza trabalhos voluntários em São Lourenço do Sul, com o objetivo de ajudar pessoas em vulnerabilidade social e econômica.
Ela conta que o início ocorreu ao encontrar uma amiga no Centro de São Lourenço do Sul, em 2018, recebeu um pedido de ajuda para arrecadar brinquedos usados para aproximadamente 30 crianças do Boqueirão, 1º Distrito do interior do município, para uma festa natalina com o tema “Faça uma Criança Feliz”.

Mesmo trabalhando na Prefeitura e tendo que conciliar seu tempo com os demais compromissos pessoais, a lourenciana conta que se empolgou com a oportunidade de fazer o bem e se manifestou via redes sociais, pedindo doações.

“A campanha cresceu tanto que, mesmo com chuva, não interessava como estava o tempo e nem o horário, eu pegava minha bicicleta e ia em todos os endereços da cidade buscar. Eu recebia doações do interior também”, afirma.

No mesmo ano, a amiga de Cleusa adoeceu. Com isso, ela relata que precisou continuar sozinha. “Consegui colocar sorriso no rosto de mais de 250 crianças carentes. Em 2019, o sucesso foi maior, pois consegui doações para mais de 350 crianças”, destaca.
Em dezembro do ano passado, de acordo com Cleusa, cerca de 500 crianças foram presenteadas em mais uma ação de Natal, realizada em sua residência.

As campanhas continuaram
Após as ações de Natal, Cleusa não parou de realizar campanhas voluntárias. Roupas, alimentos, móveis e dinheiro também foram arrecadados, como na campanha de uma menina lourenciana, diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda (LLA), que realizou o sonho de ter um quarto de princesa.

“Ela não tinha quarto próprio, dormia com sua mãe. Quando eu soube desse sonho, através de sua avó, [a menina] estava se tratando em Porto Alegre. Nesse meio tempo, uma amiga pediu para participar e ajudar. O quarto ficou lindo, conseguimos tudo: cimento, areia, tijolos, brita, tinta, forrinho, fiação elétrica, enfim, o que precisava para deixar o quarto lindo e do jeito que ela queria. Além desses materiais, consegui valores em dinheiro para mobiliar todo o quarto e pagar o pedreiro”, evidencia.

Além de ajudar moradores de São Lourenço do Sul, Cleusa também já prestou ajuda a moradores de cidades vizinhas, como aconteceu com uma família de Pelotas, que teve sua casa destruída pelo fogo.

“A casa pegou fogo e perderam tudo. Lembro que cheguei do serviço e no Facebook tinha uma reportagem de pedido de ajuda para esta família. Tinha um número de telefone, liguei e me prontifiquei em ajudá-los. Arrecadei dinheiro, roupas e uma enorme quantidade de alimentos. Fui de carro levar até eles”, informa.

E ainda, relembra que ajudou uma família de Rio Grande, a qual se abrigou dentro de uma escola da Vila Camponesa de São Lourenço do Sul, por não ter onde morar. “Naquele tempo, [a mulher] estava grávida, com um filho de três anos e mais o esposo.

Todos dormiam no chão. Quando me mandaram pedido de ajuda, consegui o valor para que alugassem uma casa e pagassem dois meses adiantados. E consegui através da comunidade lourenciana todos os móveis para mobiliar a casa”, lembra Cleusa, que já perdeu as contas de quantas campanhas já foram realizadas.

Mulher que inspira
Em abril de 2019, Cleusa foi homenageada na Festa das Mulheres, no salão Esporte Clube São Lourenço, onde recebeu o troféu “Mulheres que Inspiram” – criado para homenagear 20 mulheres do município com histórias e trajetórias de vida diferenciadas, que foram selecionadas após voto popular.

Para ela, o impacto dessas campanhas na vida das pessoas se dá pelo entendimento de uma iniciativa do bem, quando não se espera nada em troca. “Para mim, o que impacta as pessoas, em primeiro lugar, é a minha iniciativa de fazer o bem sem interesse, por amor. Ninguém faz nada sozinho, mas precisamos de alguém que leve ao conhecimento das pessoas o que está acontecendo com o nosso próximo, pessoas humildes e sem condições financeiras. Eu sempre digo que sou um elo de uma grande corrente do bem. E acredito também que sempre consigo receber ajuda por ser muito transparente nas minhas campanhas”, pontua.

Ainda em alusão ao dia 8 de março, Cleusa deixa uma mensagem de força para todas as mulheres, visto que, por trás de cada figura feminina, existe uma história marcante.
“Jamais deixe de ser o que você é. Não é o que você veste e, o seu trabalho que faz você melhor ou pior que alguém. Não deixe o pré-conceito de muitos tentar te diminuir, acabar com teus sonhos e com a tua felicidade. O que faz o ser humano, é o seu caráter e sua índole. Portanto, seja você independente da opinião alheia. Viva e seja feliz”, concluiu.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome