Prefeitura de Rio Grande arquiva sindicância sobre morte de menino na UPA do Cassino, mas MP mantém apuração

Caso ocorreu em maio deste ano. (Foto: Divulgação)

O Ministério Público (MP) vai dar continuidade à investigação da morte de Joaquim Simch Klinger, de nove anos, ocorrida no dia 28 de maio na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Balneário Cassino, em Rio Grande. Na tarde de segunda-feira (24), a Prefeitura convocou os pais do menino para apresentar o resultado da sindicância instaurada para apurar o caso.

De acordo com a investigação interna, não houve erro médico no atendimento e o processo foi arquivado. Segundo o documento, o medicamento administrado no menino seguiu o protocolo vigente, sem ocorrer nenhuma “infração disciplinar pela equipe médica”.

A reunião foi conduzida pela prefeita Darlene Pereira (PT). A sindicância, autônoma e composta por servidores efetivos, foi instaurada no dia 17 de junho. Com o término da investigação, os autos serão remetidos ao MP, sendo mantido o segredo de Justiça.

Segundo a Prefeitura, foram ouvidas 14 pessoas, entre profissionais e familiares, além de diligências realizadas junto a órgãos de classe profissionais, bem como a tomada de medidas judiciais para que documentos de interesse da apuração fossem anexados ao procedimento.

Nesta sexta-feira (28), haverá reunião entre o MP, a Procuradoria Geral do município e a Secretaria de Município de Gestão Administrativa (SMGA) para a entrega do documento da sindicância.

Relembre

O atestado de óbito apontou que Joaquim morreu em decorrência de insuficiência respiratória e crise de asma. No dia 27 de maio, o menino havia sido atendido em um Pronto Atendimento particular após apresentar tosse persistente, recebendo diagnóstico de laringite aguda.

Segundo a família, os sintomas respiratórios se intensificaram, quando Joaquim apresentou sinais de crise asmática. Durante a madrugada, os pais decidiram levá-lo à UPA Cassino.

Conforme o prontuário, Joaquim deu entrada na unidade por volta das 3h10, apresentando sinais de crise asmática com possível complicação por H1N1. Durante o atendimento, o quadro evoluiu com piora contínua.

A família afirma ter enfrentado resistência para acessar o prontuário. No documento, a equipe de enfermagem relata que, às 5h, sugeriu pela primeira vez a intubação, mas o procedimento foi recusado pelo médico responsável.

Com a evolução negativa e sem resposta aos medicamentos, a equipe voltou a recomendar a intubação, novamente negada.

Por volta das 6h, a enfermagem alertou que Joaquim poderia “fadigar e parar”, reforçando a necessidade imediata do procedimento. Ainda assim, a orientação médica foi aguardar.

Cerca de 25 minutos depois, o menino sofreu uma parada cardiorrespiratória. O médico tentou intubá-lo duas vezes, sem sucesso. Outras intervenções, como intubação laríngea e massagem cardíaca, foram realizadas, mas Joaquim morreu às 7h15.

De acordo com a Prefeitura, os médicos da UPA são contratados pela empresa terceirizada MedEnf, que afirmou estar colaborando com as investigações. Os profissionais responsáveis pelo atendimento foram afastados.

A Procuradoria Jurídica do município afirmou o surgimento de novos elementos poderá levar à abertura de uma nova investigação.

A Polícia Civil não abriu inquérito uma vez que a família optou por não registrar boletim de ocorrência, deixando as apurações exclusivamente a cargo do MP.