
Ao longo do dia 25 de julho, uma série de atividades na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) celebrou a passagem do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Rodas de conversa, exibição de curtas, apresentações culturais e uma mesa sobre ancestralidade, coletividade e protagonismo integraram a programação.
Foi um momento para reconhecer trajetórias, fortalecer presenças e celebrar as contribuições das mulheres negras na história e na sociedade. Após o encontro com escritoras do Kilombo Literário, na Sala Estuário, foram apresentadas três recentes produções em curta-metragem, todas dirigidas por mulheres da cidade.
A diretora Maria Rita Rolim apresentou “BGV – Aqui Tem Gente” (2025), um documentário sobre o bairro Getúlio Vargas. Desenvolvida através do trabalho de conclusão de curso de Maria Rita, que também é jornalista, a produção traz histórias e memórias da localidade.
“Foi um projeto feito em um ano, a pedido da comunidade do BGV. E foi uma forma de trazer à tona as potencialidades do bairro, enfatizando o carnaval, a cultura hip-hop, a cultura do samba, e as histórias particulares de cada entrevistado”, destacou a realizadora.
O filme “Matripotência – O Legado Das Mulheres Ancestrais” (2025), de Rayssa Fontoura, exibiu alguns dos saberes, lutas e legados de três territórios tradicionais de matriz africana da cidade. Por meio da oralidade, da memória e da expressão artística, evidencia o papel de mulheres na preservação da cultura afro-brasileira e na construção do mais antigo município do Estado.
“Graça: Porque a Vida é Luta” (2025), da diretora Natasha Rodrigues, foi o último curta exibido. O minidocumentário apresenta a história de Maria da Graça da Silva Amaral, mulher negra e ativista na pauta racial. O roteiro parte de relatos sobre seus antepassados, remontando aos tempos da escravidão, até conquistas recentes que inspiram as próximas gerações. Graça esteve presente no evento e foi bastante aplaudida pelo público.
No saguão do Cidec, o Instituto Cultural Filhos de Aruanda apresentou um esquete cultural e estudantes do Coletivo de Estudantes Africanos na FURG (CEA/FURG) realizaram apresentação de dança. A Livraria Hippocampus expôs livros sobre a temática negra e a professora da rede estadual Gabriele Costa conduziu a oficina “Turbante-se”. Também houve a exposição “Escritas Encruzas” de Pâmela Conceição, responsável pelo Sarau Terezas. À noite, aconteceu a mesa redonda no auditório principal. Ao final, foi entregue uma homenagem para Maria da Graça Amaral, por sua posição de destaque como mulher negra na comunidade rio-grandina.
Para Elina Oliveira, técnica em Assuntos Educacionais da Secaid, o evento foi um sucesso, devido a ampla participação da comunidade rio-grandina e do Movimento Negro da cidade. “Conseguimos trazer um pouco da história, cultura e religiosidade negra, principalmente relacionadas às mulheres negras. (…) Eu, enquanto mulher negra, me senti contemplada pelas ações. Espero que essa seja a primeira de muitas edições”, completa.



