Rio Grande: Prefeito recebe jogador de futsal rio-grandino que estava na Ucrânia

Em Rio Grande desde a última sexta-feira (11), o jogador de futsal Matheus Ramires, foi recebido pelo Prefeito Fábio Branco na terça-feira (16) na Prefeitura. O atleta, que estava na Ucrânia desde 1º de fevereiro, onde atuava pelo SkyUp Futsal, de Kiev, lembrou alguns dos momentos de tensão que vivenciou ao longo dos 14 dias que esteve no cenário da guerra.

Após o início do confronto, ele e outro jogador de futsal brasileiro se reuniram no apartamento de um estudante, também brasileiro, que morava em Kiev. No local, ele pode ver explosões em áreas próximas e ouvir os bombardeios à cidade. “Vi pela janela um clarão, parecia algo vindo em nossa direção. Chamei os outros dois e fomos para o bunker. Ali a gente ouvia todas as explosões”, contou.

Com apoio da direção da equipe onde atuava, que é vinculada a uma companhia aérea, Ramires e os outros dois brasileiros foram transferidos para um hotel, considerado um dos mais seguros da cidade. Lá também estavam repórteres do mundo todo, a comissão técnica italiana do Shakhtar Donetsk e outros jogadores brasileiros, que tentavam articular uma saída do país.

Entre eles estavam atletas bastante conhecidos, como David Neres, com passagens pela seleção brasileira, Tetê, ex-Grêmio, e Junior Moraes, brasileiro naturalizado ucraniano que defende a seleção de futebol do país. O hotel contava com um bunker com isolamento acústico, onde todos costumavam dormir. “Eram umas 50 pessoas dormindo juntas ali. Não era obrigado a ficar lá, mas quando a sirene tocava a gente tinha que descer rápido. Então todo mundo dormia no bunker e não escutávamos nada”, comenta.

Porém, após alguns dias na companhia dos demais jogadores que aguardavam uma solução para voltar ao Brasil, Ramires foi surpreendido quando descobriu que os outros atletas já haviam deixado o hotel. “Quando eu saí e não vi ninguém, eu pensei: não é possível. A comissão técnica italiana tentou se comunicar comigo, questionando porque eu não havia ido junto. Eles ligaram para os jogadores, que já estavam no trem, o qual tinha lugares reservados para que todos saíssem”, conta.

Diante disso, o rio-grandino tentou por conta própria conseguir um lugar nos trens que deixavam a cidade, quando novamente presenciou cenas de terror. “Era um mar de gente, vi pais tentando jogar crianças para dentro dos trens. Ali eu cheguei a pensar que não ia conseguir sair”, lembra.

A solução veio quando a embaixada brasileira entrou em contato com o jogador e informou que o embaixador, e parte da equipe, seriam deslocados para Lviv, devido ao perigo na capital Kiev. Ramires então conseguiu deixar a cidade, em um trajeto que demorou três vezes mais do que o tempo normal. Segundo ele, havia patrulhamento constante e, em alguns momentos, ele teve armas apontadas em sua direção.

Depois de três dias na cidade, local que também já havia sido bombardeado pela Rússia, Ramires deixou a guerra para trás e rumou para Varsóvia, na Polônia, de onde conseguiu retornar ao Brasil.

Passado o susto, o atleta pôde aproveitar momentos com sua família em Rio Grande e já pensa na retomada de sua carreira. O jogador de 26 anos não irá retornar para a Ucrânia e estuda propostas do Brasil e do exterior, como a de uma equipe de Malta.

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