Rio Grande recebe Iº Fórum de Desenvolvimento do Varejo

Evento aconteceu no Yacht Club do município, reunindo personalidades que abordaram conceitos ligados ao mercado de varejo. (Foto: Altemir Viana/JTR)

Aconteceu no dia 24, no Yacht Club de Rio Grande, o Iº Fórum de Desenvolvimento do Varejo do Rio Grande e Região. O JTR foi convidado para o Painel de Desenvolvimento do Varejo, no qual personalidades abordaram conceitos ao mercado de varejo, associando a importância de experiências passadas e projetando o futuro, alinhando também o passado histórico municipal e um futuro de vanguarda para a região.

Entre os painelistas estavam o prefeito de Rio Grande, Fábio Branco (MDB), e a secretária de Inovação, Desenvolvimento e Turismo, a economista Paola Braga. Durante sua fala, ela afirmou que sua pasta atua em políticas públicas voltadas ao desenvolvimento. Paola também comentou sobre a importância do evento para que a população tenha a oportunidade de conhecer os dados do município, que no biênio 2021 a 2023 conseguiu alcançar a marca de uma expansão na formalização de empresas de mais de 40%. A secretária afirma que Rio Grande teve um salto na formalização de empresas, significando a desburocratização, mudando tanto a base legal quanto a legislação, fundamentando a lei da Liberdade Econômica e também a lei da Inovação. Paola exemplifica que o empreendedorismo faz com que o município se torne aprazível ao capital empresarial, significando que nesse triênio mais de 5,6 mil Cadastros Nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJ) surgiram no município, gerando mais renda e empregos.

Entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2023, houve um salto para mais de 5 mil empregos no município. Isso se reflete em termos de 3.982 novos postos de trabalho formal. A secretária ressalta que “isso é um trabalho que não se faz sozinho, se faz a várias mãos. E daí também tem todo esse cenário de resgate da autoestima que vem a partir do pacto pela inovação e o prefeito Fábio traz para nós a inovação como um vetor de desenvolvimento, trazendo a universidade que gera tecnologia e transforma os nossos setores tradicionais com a inovação e faz com que cada vez mais este processo aconteça de forma mais eficiente”.

Outro painelista convidado foi Adriano Capobianco, diretor comercial e de novos negócios do Partage Malls. Capobianco falou dos investimentos no setor imobiliário no Brasil, colocando shoppings como investimentos um pouco menos flexíveis, um pouco mais rígidos e com uma visão de médio e longo prazo. Em uma linha do tempo, ele contou que os detentores do empreendimento Partage começaram há muito tempo investindo no que hoje é uma das maiores regiões de desenvolvimento em São Paulo, a avenida Brigadeiro Faria Lima.  A via é a imagem do dinamismo de São Paulo e se tornou o ecossistema empresarial da capital econômica do país nas últimas décadas. Em sua palestra, Capobianco colocou: “Nós temos lá uma história bonita para contar e onde tudo começou. Pensamos no Brasil com uma visão completamente diferente da visão da fase comercial, que são as segundas e terceiras cidades, resultando em avanços pelo interior do Brasil e chegando a Rio Grande para fazer o nosso terceiro shopping, projetado e construído, inaugurado depois de continuarmos os nossos símbolos de compras pelo Brasil. Hoje, somos uma empresa que está em todas as regiões do país. Chegamos em 2024 com 14 shoppings em operação e dois shoppings sendo construídos, um em Brasília e outro que será construído em São Paulo, na região do Cambuci, que é uma lacuna de mercado em São Paulo. Esse é um projeto que a gente vai desenvolver e lançar no meio do ano em 2026”.

Em relação aos efeitos comerciais, o diretor exemplificou que Rio Grande, através do Partage Shopping, participa de uma empresa ligada ao setor imobiliário em São Paulo detentora de 500 mil m² de área de locação na região da Faria Lima que tem como características importantes a preocupação em certificações e eficiência ambientais.

O palestrante também relatou que “entre os nossos erros e acertos hoje estamos vivendo, sem dúvida alguma, o melhor momento da história desse empreendimento, onde os índices de crescimento do varejo de Rio Grande e do varejo do shopping de Rio Grande são os maiores da rede. Hoje, as executivas comerciais que trabalham com a gente são líderes do processo de comercialização na Partage e sentimos um crescer forte neste sentido. É porque a cidade está crescendo, está melhorando e quem acompanha e entende o processo de desenvolvimento, de crescimento da cidade, observa isso de forma evidente”. Capobianco continua: “O investidor de fora, quando vem aqui, ele não vem investir no shopping, ele vem investir na cidade, e ele vem investir nos consumidores no potencial de venda que ele tem na cidade. Então, obviamente nós estamos crescendo também muito pela indução da economia da cidade, pelo trabalho que vocês estão fazendo na cidade e por isso a gente agradece, por isso que a gente tá vendo a possibilidade de incremento nos negócios e onde vamos continuar fazendo investimentos e se conectando quando a gente vê que um processo está acontecendo. Isso é muito forte. Não é toda hora que acontece, nós precisamos aproveitar esse momento de unir forças, capacidade e inteligência na construção de desenvolvimento. Não é só no shopping, não, mas a economia da cidade, os potenciais que tem a economia da cidade e como tem potencial de crescimento”.

Uma amostragem recente aponta crescimento nos dados do shopping, indicando uma transformação relacionada ao de fluxo geral de pessoas (152%) e de incremento também em veículos (153%). Comparando o mês de março de 2024 com o mesmo período do ano passado, houve um crescimento de 14% nas novas lojas e de 144% na venda total. “Isso aqui nem a China tem”, conclui Capobianco.

O terceiro painelista foi Leonardo Pérsigo, diretor de negócios do Grupo RBS. Pérsigo falou sobre a transformação que o Brasil enfrenta no quesito de tendências, especialmente sobre consumo. Ele disse ter observado o quanto as pessoas estão cada vez mais buscando por qualidade. Segundo o diretor, o povo gaúcho ainda prefere o produto local. Contudo, se encontrar um produto ou serviço que não seja local, mas que possua qualidade, então existe uma possibilidade de troca. Para ele, o novo comportamento já extrapola o ambiente de negócio e se estabelece na sociedade. “E isso se reflete em tudo que a gente vê”, complementa.

O painelista também apresentou um pequeno recorte do estudo sobre a cidade do Rio Grande. É possível notar que o estudo apresenta o rio-grandino com um perfil acolhedor em sua essência. Se apresenta como um grupo com um olhar voltado para a região, mas que amadureceu bastante e que procura se conectar com as coisas novas, aproveitando o que tem de novo. Apresenta aspectos de especialista de consumo, com olhar sobre o que a região necessita, mas também consegue fazer um juízo de valor com coisas que existem fora e de como trazê-las para o município. De acordo com Pérsigo, essas características estão presentes na dinâmica de consumo atual dos moradores da região, citando o exemplo do empreendimento hospitalar inaugurado recentemente, que foi um sucesso de público e de adesão comunitária. “Quem ficar aproveitando, pode aproveitar essa onda. Se não quiser, pode ficar para traz, né?” concluiu.

Ainda falaram os painelistas Cristina Franco, presidente do conselho da Associação Brasileira de Franchising (ABF); Fabiano Lima, diretor de expansão da Brazil Fast Food Corporation (BFFC), que incorpora marcas como BOB’S, YOGGI, e as marcas franqueadas Pizza Hut e KFC; e Julio Macedo, diretor de expansão do grupo Riachuelo. Os palestrantes propuseram um diálogo entre o que já havia sido dito durante o encontro, acordando com a questão geracional que envolve muito tradição e inovação, além da transformação do olhar das pessoas mais voltado para o novo e o que vem de outros lugares. Atentaram que o de fora, ao adentrar em um município, passa a viver dentro daquele território e que, desta forma, passa a integrar o município e a viver seu negócio como todo munícipe.

“Ele não é um estrangeiro. […] Torna-se parte do ecossistema da cidade e na medida que o shopping é o Grande Hub de contato e conexão do que vem de melhor do mundo, porque nós temos marcas internacionais entrando no Brasil não para passear. Então, o que é melhor da cidade das marcas locais é enxergar isso como a primeira oportunidade de, inclusive, uma consolidação e de uma plataforma de crescimento até para fora do Rio Grande”, complementou Capobianco.

Neste sentido, os painelistas explicaram que atualmente existem 14 shoppings da rede Partage com marcas locais interessantes e que podem ser levadas para os outros shoppings. Esse princípio processa a visão de crescimento do que é o negócio local para se ter possibilidades de estruturar as operações, terem acesso a crédito, desenvolver e qualificar mão de obra – apontada pelos especialistas como o maior desafio do Brasil. “Então, isso é muito importante, permite se caminhar em sentido de evolução, mas essa visão local é cada vez mais relevante. Tudo que se puder comentar no desenvolvimento do varejo e das operações locais têm de ser realizadas e sem medir esforços para se conseguir”, pontuou Capobianco.