Presidente Lula retorna a Rio Grande e assina contrato bilionário para aquisição de quatro navios da classe Handy

De acordo com o cronograma, o lançamento da primeira embarcação é estimado para o primeiro semestre de 2026; já os demais navios serão entregues a cada seis meses até meados de 2028. O projeto deve gerar aproximadamente 1,5 mil empregos diretos ao longo dos três anos de produção. (Foto: Lylian Santos/JTR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em Rio Grande, na segunda-feira (24), para o evento de assinatura do contrato para a aquisição de quatro navios da classe Handy, que serão construídos no Estaleiro Rio Grande, operado pela Ecovix. Durante a agenda, Lula esteve acompanhado de seus ministros, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da prefeita Darlene Pereira (PT), autoridades locais e regionais, além dos acionistas do consórcio Mac Laren/Ecovix, José Antunes Sobrinho e Gisela Mac Laren.

A assinatura faz parte do Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras e está trazendo ânimo para a retomada do Polo Naval no município, com a expectativa de aumentar o número de empregos em 500%. Com esse investimento bilionário, Rio Grande reafirma sua posição no setor naval, trazendo novas oportunidades e desenvolvimento para a região.

Durante cerimônia, Lula falou sobre o retorno da indústria naval e a geração de emprego e renda na região. (Foto: Lylian Santos/JTR)

Durante cerimônia, Lula falou sobre o retorno da indústria naval e a geração de emprego e renda na região. “Eu vim até aqui porque eu estive aqui em 2006, 2008, 2010 e 2017, quando eu não era mais presidente, para discutir a quantidade de desemprego nessa cidade que vocês moram […]. Esse Estaleiro vai voltar a funcionar, vai demorar alguns meses para esses empregos retomarem porque vai precisar reestruturar o que foi destruído, mas quero que saibam que o que estamos fazendo aqui é de verdade”, afirmou o presidente.

“Esse Estaleiro vai voltar a funcionar, vai demorar alguns meses para esses empregos retomarem porque vai precisar reestruturar o que foi destruído, mas quero que saibam que o que estamos fazendo aqui é de verdade”,
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República

Navios Handy e novas oportunidades
Cada embarcação terá um custo de US$ 69,5 milhões, totalizando um investimento de, aproximadamente, US$ 278 milhões, conforme a última cotação do dólar. Ao todo, o investimento representa R$ 1,7 bilhão. A produção será realizada em parceria com a Mac Laren. No Estaleiro Rio Grande serão desenvolvidos os cascos das embarcações, que deverão ser finalizadas em Niterói, no Rio de Janeiro.

A assinatura faz parte do Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras e está trazendo ânimo para a retomada do Polo Naval de Rio Grande. (Foto: Lylian Santos/JTR)

De acordo com o cronograma, o lançamento do primeiro navio Handy é estimado para o primeiro semestre de 2026. Os demais navios serão entregues sucessivamente a cada seis meses até meados de 2028. As embarcações terão capacidade para movimentar de 15 a 18 mil toneladas de porte bruto e serão utilizadas para transporte de produtos do petróleo, como a gasolina.

O projeto deve gerar aproximadamente 1,5 mil empregos diretos ao longo dos três anos de produção. Além disso, a retomada da fabricação de embarcações no estaleiro impulsiona a economia local, beneficiando o comércio e os serviços da região. Nos últimos oito anos, o complexo operou com serviços menores, como manutenção de embarcações, desmantelamento de plataformas e sucateamento. Agora, a retomada da produção em larga escala representa um novo ciclo de desenvolvimento.

Durante evento realizado na última semana, no Rio de Janeiro, Lula assinou protocolos de intenções para o reaproveitamento de plataformas da Petrobras que estão em fase de desmobilização, além de realizar a publicação de um edital de licitação para a aquisição de oito navios gaseiros para a Transpetro.

Exploração e biorrefinaria
A Refinaria de Petróleo Riograndense, primeira refinaria de petróleo do Brasil, agora, também será pioneira na produção de biocombustíveis. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa, detida por Petrobras, Braskem e Grupo Ultra, irá receber um aporte financeiro de R$ 5,5 bilhões para a conversão completa em biorrefinaria até 2029, tornando-se a primeira do Brasil sem utilizar petróleo.

“Será uma biorrefinaria que produzirá combustíveis somente a partir de óleos vegetais […]. Será a primeira a operar sem nenhuma gota de petróleo”, afirmou a presidente. Além disso, a Petrobras destinará R$ 23 bilhões para a contratação de 44 embarcações voltadas ao transporte de derivados de petróleo e gás.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa receberá um aporte financeiro de R$ 5,5 bilhões para a conversão completa em biorrefinaria até 2029, tornando-se a primeira do Brasil sem utilizar petróleo. (Foto: Lylian Santos/JTR)

“Creio que os gaúchos agradecem ao presidente Lula, porque o que nós estamos fazendo aqui é parte de um programa grandioso de renovação de frota que vai persistir em todo o quinquênio e já está programado que, de novo, vai acontecer aqui no Rio Grande do Sul”, comentou Magda.

O projeto
Em novembro de 2024, a Refinaria assinou contrato de licenciamento com a empresa dinamarquesa Topsoe para fornecimento da tecnologia voltada à produção de combustíveis 100% renováveis. O projeto também compreende a produção de combustíveis avançados a partir da rota conhecida como HEFA (Hydroprocessed Esters and Fat Acids), utilizando ésteres, ácidos graxos e hidroprocessados. A partir disso, será possível produzir Diesel Verde, Combustíveis de Aviação Sustentável e Nafta Verde.

Celebração das autoridades
Visivelmente emocionada, a prefeita Darlene destacou a importância da retomada do setor naval, citando as perdas após a crise que levou à paralisação do estaleiro em 2016. “Nos sacaram violentamente o Polo Naval e, hoje, é a retomada da esperança. Esses quatro cascos são só o começo do que está por vir”, declarou.

“Nos sacaram violentamente o Polo Naval e, hoje, é a retomada da esperança. Esses quatro cascos são só o começo do que está por vir”.
Darlene Pereira (PT), prefeita de Rio Grande

O presidente da Transpetro, Sérgio Bassi, reforçou que a indústria naval brasileira está sendo recuperada “de maneira perene e sustentada”. Já José Antunes Sobrinho, acionista da Ecovix, ressaltou a importância das operações portuárias para a sobrevivência da empresa e comemorou a nova fase do setor. “A tristeza que sentimos quando 5 mil trabalhadores foram dispensados em 2016 foram compensadas pelo júbilo de agora”. Sobrinho também agradeceu à Portos RS por trazer, “importantes operações portuárias que garantiram a nossa sobrevivência”, no período de baixa atividade no Polo Naval.

O presidente da Transpetro, Sérgio Bassi, reforçou que a indústria naval brasileira está sendo recuperada de maneira constante e sustentável. (Foto: Lylian Santos/JTR)

Clima de campanha e críticas à Lava Jato
O evento teve forte tom político, com discursos ressaltando a recuperação da indústria naval e críticas à Lava Jato. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou o apoio ao presidente e disse que “o mandato do presidente Lula acaba em dois anos, Lula três, e com a ajuda do povo vamos ter um ‘Lula 4’”. A plateia reagiu com gritos de “sem anistia”, em alusão ao indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e militares de alta patente acusados pela Procuradoria-Geral da República de articularem um Golpe de Estado.

Demandas apresentadas
Para as lideranças da região, a visita foi importante para pressionar o governo federal para a resolução de pautas relevantes que contribuam com o desenvolvimento social e econômico da Metade Sul. Entre as demandas elencadas pela região estão a construção de pontes entre Rio Grande e São José do Norte e no Canal São Gonçalo, a duplicação do lote 4 da BR-392, o projeto da Usina Termelétrica Rio Grande, as possíveis novas praças de pedágio e a retomada da Usina Candiota 3.